<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000</id><updated>2011-09-07T10:00:22.945-07:00</updated><title type='text'>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</title><subtitle type='html'>Blogger da  vida inteligente e dos prazeres da vida e dos livros</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-7943700863446462422</id><published>2011-09-05T22:24:00.000-07:00</published><updated>2011-09-05T22:29:36.944-07:00</updated><title type='text'>Os discursos dos dias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-4lcbs_uRbEo/TmWvUgBgMwI/AAAAAAAAAJg/jgBt5l4BxPs/s1600/ipe%2Bamarelo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 276px; height: 183px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-4lcbs_uRbEo/TmWvUgBgMwI/AAAAAAAAAJg/jgBt5l4BxPs/s400/ipe%2Bamarelo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649114074334638850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt;Bem perceptível é a complexidade dos dias! Para melhor percepção desta situação, basta atentarmos, reflexivamente, para comparação do hoje com o ontem, ficando assim, a cargo de cada um, a sua avaliação se estas mudanças no cotidiano, nas relações e nas formações constituem algo bom ou ruim. Todavia, o fato que nos move nesta discussão consiste na observação de que muitos não estão devidamente preparados para os nossos dias.&lt;br /&gt;Não é nada incomum depararmos com situações de exclusão, de intolerância, de racismo na nossa contemporaneidade. Comportamento estes que mesmo passados séculos de condenação, atravessam a nossa vivência e ganha mais força em nossos dias. As pessoas não temem mais o que não conhecem, e sim, o que sabem. Não se precisa de um notório saber para percebermos a necessária busca de equilíbrio entre os nossos mundos e dos outros. &lt;br /&gt;Em nossos dias, discursos como a pluralidade de identidades ganham destaque. Entretanto, muitos não conseguem se relacionar tranquilamente com as possibilidades infinitas formativas. Alguns temem não serem aquilo que eles tenham imaginado ou os seus pais queriam. Assim, não conseguem conviver com o drama da frustração e se perdem no decorrer do trajeto. Exemplos concretos dessa incapacidade reflexiva e de consolidação autônoma advêm das entregas as drogas, as futilidades consumistas e até mesmo o suicídio. Não raro termos amigos enquadrados em algum meio vazio e tendo como fonte de preenchimento essas fugas e outras.&lt;br /&gt;Foi-se se o tempo em que muitas garotas eram levadas a prostituição por necessidades até mesmo de sobrevivência. Outras por considerarem este projeto profissional como opção de vida que lhes parecesse mais confortável. Hoje, muitas delas se envolvem com a prostituição não pelo prazer da aventura ou do sexo, mas do dinheiro para realizarem os seus caprichos a serem estampadas e divulgadas perante os outros sujeitos vazios que se encantam e se envolvem no mundo fantasmático das marcas como sinônimo de poder, superioridade.&lt;br /&gt;Outro aspecto discursivo recorrente é a questão da crise. Essa palavra tão propalada nos meios midiáticos, profissionais, acadêmicos, cotidianos e acaba se tornando como fonte orientadora dos dias e, consequentemente, das relações pessoais e interpessoais. Constituiu-se um negativismo excessivo e modista da palavra crise. Não se imagina ou não de discute as possibilidades de engrandecimento que ela acompanha, pois diante de determinadas situações somos levados a sair da zona de conforto e nos depararmos com ações e reflexões necessárias e novas. No entanto, diante de uma crise acontece de nos curvarmos aos negativismos apocalípticos divulgados e aceitos. Estar em crise e permanecer nela constituem ser até mesmo regra de etiqueta. Dizer que foi ao analista equivale a dizer em outrora que foi ao teatro ou a um conserto de música. &lt;br /&gt;Muitos discursos e pouca orientação e formatividade. Esse constitui o dilema social de hoje.  Antes de assumir qualquer atitude ou pensamento perante os outros se tem de refletir xadrizmente. Ver todos os encantos e desencantos. Se assumir e orgulhar-se de ser heterossexual é ser homofobico. Se glorificar a cultura do ser macho é porque em seu intimo paira o sentimento de ser mulher. Discursos, discursos e discursos. Rotulados, não vividos e não aceitos nas confusões dos nossos dias ditos democráticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-7943700863446462422?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/7943700863446462422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=7943700863446462422' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7943700863446462422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7943700863446462422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/09/os-discursos-dos-dias.html' title='Os discursos dos dias'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4lcbs_uRbEo/TmWvUgBgMwI/AAAAAAAAAJg/jgBt5l4BxPs/s72-c/ipe%2Bamarelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-5725692365404282761</id><published>2011-08-29T17:53:00.001-07:00</published><updated>2011-08-29T17:57:36.247-07:00</updated><title type='text'>Uma história em quadrinhos: representatividades do hoje sobre o ontem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-BqXEYk8vP1U/Tlw1VL66PQI/AAAAAAAAAJY/dstC6H8OnbE/s1600/images%2Bcorrendo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 118px; height: 165px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-BqXEYk8vP1U/Tlw1VL66PQI/AAAAAAAAAJY/dstC6H8OnbE/s400/images%2Bcorrendo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646446670909160706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-6KIns2AHfWI/Tlw1G-b6e_I/AAAAAAAAAJQ/ZcS1WDWDGEo/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 164px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-6KIns2AHfWI/Tlw1G-b6e_I/AAAAAAAAAJQ/ZcS1WDWDGEo/s400/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646446426771323890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-wxUBxsRaL_s/Tlw0ym9KtdI/AAAAAAAAAJI/LVHNj4ft8ys/s1600/20100319-margarida%2Breporter.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 272px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-wxUBxsRaL_s/Tlw0ym9KtdI/AAAAAAAAAJI/LVHNj4ft8ys/s400/20100319-margarida%2Breporter.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646446076870964690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt;Professor universitário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de hoje que a história explora novos universos. Vários historiadores se debruçam sobre os mais variados temas, objetos e metodologias. Dentre deste universo de abordagens queremos destacar algumas relações entre as revistas em quadrinhos e a história.&lt;br /&gt;É reconhecido por todos que, hoje, a subjetividade do historiador está mais presente em suas análises. Antes o que era tido como ingerência na investigação, agora funciona não só como complemento de estudo, como também, critério seletivo. Acreditamos que toda e qualquer produção humana tem de contribuir para a formação e desenvolvimento dos indivíduos. Assim, quanto mais amplo for esse conhecimento, associado à sensibilidade e experiência maior probabilidade de uma construção historiográfica significativa. Portanto, cabe ao historiador não só o manejo seco com os documentos, mas disponibilizar todo o capital cultural que ela possa vir a ter, pois isso possibilitará um melhor texto e um melhor tratamento do objeto em estudo. Todavia, não só esse cabedal intelectual e sensitivo fará a diferença. Reiteramos a necessidade do saber passar aos outros o conteúdo verticalizado, portanto, escrever com clareza, simplicidade e envolvimento será uma atitude de grande valia para a divulgação do conhecimento histórico.&lt;br /&gt;À medida que homem se aprofunda e prolifera conhecimento, ele por vezes acaba constituindo inverdades. Dentro delas encontra-se de que ao analisar uma produção cultural o aspecto estético deve ser deixado de lado. A esteticidade ou a tradição cultural são ainda encaradas, por muitos, como mecanismo de exclusão da maioria. Esse pensamento vigora devido as possíveis dificuldades de acesso e entendimento das grandes obras. Entretanto, esse tipo de posicionamento deve ser refutado, pois a experiência estética diz muito dos contextos interno e externo das construções humanas. Portanto, cabe ao historiador ao erguer o seu andar sobre algo, deve levar em conta a grande importância que tem as formulações estéticas das produções artísticas, devido elas terem muito a dizer. Interessante, também, o historiador estar desprovido de suas amarras ou preconceitos sociais que teimam em elevar algumas produções artísticas e ridicularizar outras. &lt;br /&gt;Assim, utilizar as revistas em quadrinhos como fonte de documentação histórica não constitui, a nosso ver, nenhum demérito, pois as produções artísticas desse gênero apesar das suas fortes ligações ideológicas e com a cultura de massa, descreve com qualidade os nossos momentos subjetivos. Podemos exemplificar esse tipo de atuação com as revistas que contam com a presença da personagem da Disney Margarida. A sua primeira aparição surgiu em junho de 1940 no desenho animado Mr. Duck StepsOut. A sua principal característica, apesar de ter uma personalidade forte diferentemente da maioria dos personagens até então, era de ser apenas uma coadjuvante das aventuras e desventuras do seu namorado Donald.  Mas a partir de 1950 com Carl Barks é que começaram aparecer as próprias histórias da Margarida. A personagem feminina da Disney estava dotada das seguintes características: anotava em seus diários acontecimentos cômicos, analogias de romances idealizadores, situações de ciúmes e os seus hábitos consumistas e fúteis por ela vivenciadas. Sua maior ocupação era ser presidente do Clube Feminino de Patópolis em que organizava cursos de culinária, costura, bordado e eventos beneficentes. &lt;br /&gt;Mas a partir da década de 80 Margarida começou a mudar. Em A Moda é Mudar (1986) ela decide resignificar não só o guarda-roupa, mas outros elementos. Com o tempo ela passa a somar em torno de si pensamentos e qualidades distintas dos anos anteriores. Margarida passa a ser uma cidadã-consciente, busca inserir-se no mercado de trabalho, passa a dar mais importância à aparência vista agora como valor. Põe de escanteio o estereótipo de sexo frágil e em seu relacionamento amoroso passa a ter agora sua iniciativa, independência e se ver em diversas situações em contradição constante com a personagem de outrora. &lt;br /&gt;Concordamos com o discurso de Agda Dias Baeta expressa no livro Muito Além dos Quadrinhos (análises e reflexões sobre a 9ª arte) “não só a criatividade e o talento dos artistas foram fundamentais nesse processo, como a sintonia que possuíam com o ambiente social no qual estavam inseridos. A adequação dos personagens e dos enredos às experiências do mundo real são os fatores que resultaram no grande sucesso obtido junto ao público leitor”. &lt;br /&gt;Assim o diálogo entre o texto e contexto é sempre fluido e constante. Deve o literato, o historiador perceber e saber ler essas conversas. Devendo desconstruir inverdades, desprovendo-se de limitações e preconceitos. Retirando e tratando sobre os pontos que venham a contribuir para as reflexões construtivas de hoje.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-5725692365404282761?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/5725692365404282761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=5725692365404282761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5725692365404282761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5725692365404282761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/08/uma-historia-em-quadrinhos.html' title='Uma história em quadrinhos: representatividades do hoje sobre o ontem'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-BqXEYk8vP1U/Tlw1VL66PQI/AAAAAAAAAJY/dstC6H8OnbE/s72-c/images%2Bcorrendo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-9096318928788668005</id><published>2011-08-26T18:42:00.000-07:00</published><updated>2011-08-26T18:49:31.868-07:00</updated><title type='text'>O contista Airton Sampaio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-sRcazGtSssw/TlhMZGYCHlI/AAAAAAAAAJA/0chn9Mpm8wA/s1600/AirtonS.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 187px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-sRcazGtSssw/TlhMZGYCHlI/AAAAAAAAAJA/0chn9Mpm8wA/s400/AirtonS.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645346127000772178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt;Professor universitário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na visão de alguns críticos brasileiros, a nossa literatura, quando comparada com outras mais tradicionais, apresenta-se de forma imatura. Falta-nos um pouco mais de tradição literária. Todavia, destacamos que o elemento fundamental para o engrandecimento literário nacional está diretamente relacionado com o tripé essencial da produção: autor, obra e leitor. &lt;br /&gt;O nosso país, de características singulares, tem em sua conta alguns pontos que comprometem a nossa expansão cultural e econômica, como por exemplo, a escassez de leitores ativos e seletivos. Entre estes poucos leitores e produtores de qualidade literária, destacamos o contista Airton Sampaio, autor das obras Painel de sombras, Vencidos e Contos da Terra do Sol. Sem cometer exageros, podemos considerá-lo como o que melhor domina a técnica da narrativa curta em nosso meio. Leitor voraz e dedicado de Machado de Assis, Airton Sampaio sobressai aos demais pela profunda e refinada ironia presente em seus textos.&lt;br /&gt;Apesar do nosso meio carente em que impera a preocupação em desqualificar os outros por motivos pessoais, ou se mostrar de maneira imatura como escritor ou crítico literário, mesmo faltando muitas vezes em suas considerações maior consistência literária ou aprofundamento teórico e prático para se desenvolver uma crítica de qualidade, Airton Sampaio se apresenta como exemplo de um escritor que desenvolve a sua escrita com paciência e primor. Desconsidera fatores secundários e levianos como belo letrismo ou as vaidades literárias. Através de uma estética realista, bem trabalhada e fundamentada, realiza denúncias e reflexões sobre as mazelas acometidas sobre nós, restabelecendo assim uma ligação forte da literatura com uma de suas funções que é de transformação de sujeitos, instituições, valores e mentalidades. Esse aspecto fica bem evidente, por exemplo, no conto Madalena exposto logo abaixo:&lt;br /&gt;O vestido rasgado, o corpo sujo, o rosto retalhado, as mãos nos cabelos desgrenhados: Madalena nas ruas da infância. Quando ela passava, catando restos de comida dos lixos, os meninos a cercávamos e, atirando pedras, gritávamos:&lt;br /&gt;– Madalena! tira! tira!&lt;br /&gt;Madalena levantava a veste surrada, os meninos vibrávamos. André, o filho do bancário, ia a casa, trazia uma lata de doce. Madalena, morta de fome, seguia André, ou melhor, o doce. Pouco depois, nós e ela, o tamarineiro sobre.&lt;br /&gt;Algazarra. Cada um queria primeiro. André botava moral, o doce é meu, dizia, o primeiro sou eu. Madalena, os olhos na lata de doce, deitava-se, abria as pernas, aí André, e outro, e outro, e eu...&lt;br /&gt;No fim, Madalena exausta, arrasada, curvava-se sobre a lata de doce, comia avidamente. Depois, o estômago feliz, ficava a olhar pra gente com uns olhinhos tão meigos, com um sorriso tão puro, que eu voltava pra casa com uma dor no peito, um ódio de mim, dos homens, do mundo.&lt;br /&gt;Um dia, a notícia: Madalena morrera. O padre recusou-se a encomendar o corpo, não tenho tempo, vou ao batizado de um filho de um deputado, como posso encomendar o corpo de uma mendiga, hein, como posso?&lt;br /&gt;Enterraram-na sem caixão, num cemitério distante da cidade. Hoje, passado tanto tempo, ainda lembro-me de tudo com extrema, violenta nitidez. E sinto nojo dessa minha primeira lição de miséria.&lt;br /&gt;A meu ver, este conto do Airton Sampaio é o que melhor reflete toda a sua criação rica e vigorosa. Uma produção que associa a tradição engajadora social e literária. Apresenta o olhar atento ao seu tempo. Na sua construção, não vemos uma produção de denúncia pela denúncia com uma linguagem panfletária, mas uma produção significativa, delimitada e, na economia da linguagem, promove a elevação da condição nossa humana e literária. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-9096318928788668005?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/9096318928788668005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=9096318928788668005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/9096318928788668005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/9096318928788668005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/08/o-contista-airton-sampaio_26.html' title='O contista Airton Sampaio'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-sRcazGtSssw/TlhMZGYCHlI/AAAAAAAAAJA/0chn9Mpm8wA/s72-c/AirtonS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-6216234504366392195</id><published>2011-08-22T20:28:00.000-07:00</published><updated>2011-08-22T20:29:40.200-07:00</updated><title type='text'>Crônica aprendida no dia</title><content type='html'>Herasmo Braga&lt;br /&gt;Professor universitário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumo dizer em sala de aula que inteligência não ficou para todo mundo. Diante do espanto e da indignação dos meus alunos, explico-me melhor: para ser inteligente tem-se de estar aberto para as possibilidades, atento ao que acontece próximo e perceptível das sensações, além de se dedicar a vida e aos livros. Para ser inteligente, portanto, devemos ter sensibilidade e reconhecimento do mérito.&lt;br /&gt;O ato de viver seria fruto de uma grande injustiça se a alguns fosse dado saber e a outros não. Acredito que a todos fora disponibilizado pela natureza a nossa capacidade intelectiva, todavia, com o mau uso ou o não uso dela, acabamos por impossibilitar de viver mais e melhor. Hoje mais do que nunca a vigência da relação de homem, desejo, artificialidade, produto, consumo se apresenta de maneira intensa e sutil. Nossas relações se voltam para as representações em que o aparentar ter é melhor do que ser. &lt;br /&gt;Infelizmente, temos vivido em uma sociedade de pessoas zumbis. Sujeitos que automatizaram o ato de realizar, pensar e sentir. Falta-nos uma melhor formação para que possamos acordar deste estágio e poder desfrutar dos instantes de felicidade que o viver nos permite.&lt;br /&gt;Baumam em seu livro Amor Líquido se expressa: “quanto mais velho você é, mais saber que os pensamentos, embora possam parecer grandiosos, jamais serão grandes o suficiente para abarcara generosa prodigalidade da experiência humana, muito menos para explicá-la” é nessa interatividade intelectiva, sensitiva e humana que precisamos. Dentro de uma sociedade transitória, líquida, efêmera temos que aprofundar os laços e promover mais ramificações. Distanciar-se de fronteiras infrutíferas que tornam sapos alguns e reis os que vêem mal ou fingem. Dentro desta dialética do cosmopolitismo e do provincianismo romper rumores. Buscar a terceira margem como o homem do rio e não perder a capacidade de sonhar e buscar.&lt;br /&gt;Assim, não ficar indiferente diante de uma tela de Van Gogh ou uma estátua grega do século V a.C., pois são para encontros/aprendizagens como esses que devemos ter desenvolvido pelo meio da inteligência a percepção sensitiva. É através dos apurados sentidos que temos nossos instantes de glória. &lt;br /&gt;E não encararmos Sebastian Bach e tomá-lo como algo burguês ou feito exclusivamente para a elite, pois se assim fosse, Bach estaria silenciado. Poucas coisas são tão profundas e divinas que ouvir Bach. Nada se compara a ele.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-6216234504366392195?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/6216234504366392195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=6216234504366392195' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6216234504366392195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6216234504366392195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/08/cronica-aprendida-no-dia.html' title='Crônica aprendida no dia'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-7062415672246667018</id><published>2011-08-08T22:20:00.002-07:00</published><updated>2011-08-08T22:34:45.548-07:00</updated><title type='text'>Não imaginava que seria tão ruim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-B1Q6qcDFiyI/TkDEV0ss5aI/AAAAAAAAAIs/CTmCSntDHPw/s1600/imagem%2Bconto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 109px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-B1Q6qcDFiyI/TkDEV0ss5aI/AAAAAAAAAIs/CTmCSntDHPw/s400/imagem%2Bconto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638722612670293410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me diga nada! Não quero saber. &lt;br /&gt;Entendo você. Sei que não é fácil, mas você já sabia disso. &lt;br /&gt;Eu sei... É que agora... É muito pior quando você me falou. Sei lá é tudo muito confuso...&lt;br /&gt;Arrependido?&lt;br /&gt;Não, acho que não, mas meio confuso.&lt;br /&gt;Você é novo tem muito que viver. Eu gosto de você, mas sei que não tenho esse direito.&lt;br /&gt;Me deixa um pouquinho em paz, por favor?!&lt;br /&gt;Tudo bem. Vou me deitar, o dia não foi fácil.&lt;br /&gt;O que houve de diferente dos outros dias?&lt;br /&gt;Nada! Todos os dias são difíceis... Não tem nada de moleza. O dinheiro que ganho é muito sofrido. Contrário do que muitos dizem por aí.&lt;br /&gt;Amor deixa essa vida. Eu garanto o nosso sustento!&lt;br /&gt;Não seja fantasioso. Você sabe que não é fácil eu largar tudo isso. E muito menos você garantir as nossas vidas.&lt;br /&gt;Eu deixo a faculdade o que for preciso. Trabalharei os três turnos, mas não quero te ver continuar nisso.&lt;br /&gt;Infelizmente, você já sabe que não é nada assim do que você disse. A vida é muito mais complexa e traiçoeira. Se eu aceitasse sua proposta estaríamos fadados a fome. &lt;br /&gt;Mas eu não quero continuar assim!&lt;br /&gt;Então, só há uma maneira de não ser mais assim...&lt;br /&gt;Qual?&lt;br /&gt;Você partir!&lt;br /&gt;Mas eu não quero! Quero ficar com você! Eu te amo!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Querido, não quero te ver assim, eu também te amo!&lt;br /&gt;Eu sei.Mas é tudo tão confuso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-7062415672246667018?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/7062415672246667018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=7062415672246667018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7062415672246667018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7062415672246667018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/08/nao-imaginava-que-seria-tao-ruim_08.html' title='Não imaginava que seria tão ruim'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-B1Q6qcDFiyI/TkDEV0ss5aI/AAAAAAAAAIs/CTmCSntDHPw/s72-c/imagem%2Bconto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-5264277180878191587</id><published>2011-06-13T20:24:00.000-07:00</published><updated>2011-06-13T20:26:44.613-07:00</updated><title type='text'>A Sociedade Líquida: entrevista com Zygmunt Bauman Por: Folha de S.Paulo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-hAmvMJGLxIU/TfbU42cYh1I/AAAAAAAAAIk/US_YG1Gg3ug/s1600/zigman.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-hAmvMJGLxIU/TfbU42cYh1I/AAAAAAAAAIk/US_YG1Gg3ug/s400/zigman.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617911658343597906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sociólogo polonês, Zygmunt Bauman é conhecido mundialmente por seu conceito de Modernidade líquida, em que as ideias de emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade estão propensas a mudar com rapidez e de forma imprevisível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman é convidado do Fronteiras do Pensamento 2011 nos dias 11 de julho (Porto Alegre) e 12 de julho (São Paulo). Conheça mais sobre a vida e a obra do pensador na entrevista concedida à Folha de S.Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um renomado periódico espanhol referiu-se recentemente a Zygmunt Bauman (1927) como um dos poucos sociólogos contemporâneos "nos quais ainda se encontram ideias". Opinião semelhante é frequentemente exposta por críticos de várias partes do mundo quando refletem sobre o pensamento desse intelectual polonês radicado na Inglaterra desde 1971 e empenhado, há meio século, em "traduzir o mundo em textos", como diz um deles. Indiferente às fronteiras disciplinares, Bauman é um dos líderes da chamada "sociologia humanística".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, não se encontram em suas obras abstrações ou análises e levantamentos estatísticos, e, de outro, são ali aproveitadas quaisquer ideias e abordagens que possam ajudá-lo na tarefa de compreender a complexidade e diversidade da vida humana. Essa é uma das razões pelas quais Bauman tem muito a dizer para uma gama de leitores muito maior do que normalmente se espera de um trabalho de sociologia mais convencional, o que condiz com suas próprias ambições de atingir um público composto de pessoas comuns "se esforçando por ser humanas" num mundo mais e mais desumano. Como ele gosta de insistir, seu objetivo é mostrar a seus leitores que o mundo pode ser diferente e melhor do que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor prolífico e de renome internacional, pode-se dizer que sua fama e prolixidade aumentaram significativamente após sua aposentadoria, em 1990: 16 de seus 25 livros foram publicados após essa data e cinco obras dedicadas ao estudo de seu pensamento foram escritas nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descrito certa vez como "profeta da pós-modernidade" (com o que não concorda), por suas reflexões sobre as condições do mundo da "modernidade líquida", os temas abordados por Bauman tendem a ser amplos, variados e especialmente focalizados na vida cotidiana dos homens e mulheres comuns. Holocausto, globalização, sociedade de consumo, amor, comunidade, individualidade são algumas das questões de que trata, sempre salientando a dimensão ética e humanitária que deve nortear tudo o que diz respeito à condição humana. Preocupado com a sina dos oprimidos, Bauman é uma das vozes a permanentemente questionar a ação dos governos neoliberais que dão amplo apoio às forças do mercado ao mesmo tempo em que abdicam da responsabilidade de promover a justiça social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido na Posnânia em 1925, Bauman escapou dos horrores do Holocausto que aguardavam os judeus poloneses na Segunda Guerra, ao fugir com sua família para a Rússia em 1939. De lá voltou após a guerra, quando se filiou ao Partido Comunista, estudou na Universidade de Varsóvia e conheceu Janina, com quem está casado há 55 anos e com quem teve três filhas: Anna (matemática), Lydia (pintora) e Irena (arquiteta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiantes e animados pelo sonho de criar uma sociedade mais justa e igualitária, Zygmunt e Janina ali estiveram a construir suas carreiras (ele como professor da Universidade de Varsóvia e, ela, como editora de enredos cinematográficos) e criar sua família, até que uma nova onda de anti-semitismo e repressão esmagou os seus sonhos e os forçou ao exílio. Após três anos em Israel, o convite a Bauman para ser chefe do departamento de sociologia da Universidade de Leeds os trouxe à Inglaterra, onde permanecem até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bauman recebeu o Mais! em Leeds, na confortável casa onde mora desde que ali chegou, há mais de 30 anos. "Naquela época achei a cidade horrível, imunda", me disse Janina, comentando a mudança que ocorreu nos últimos tempos e que transformou Leeds, de um sujo centro industrial, em uma cidade bonita, verdejante e cheia de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: O senhor já foi descrito como um "profeta da pós-modernidade" e os termos "pós-moderno" e "pósmodernidade" aparecem em títulos de quatro de seus livros. Estaria sugerindo que ocorreu uma mudança cultural e social significativa na última geração suficientemente grande para que falemos de um novo período da história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Uma das razões pelas quais passei a falar em "modernidade líquida" em vez de "pós-modernidade" (meus trabalhos mais recentes evitam esse termo) é que fiquei cansado de tentar esclarecer uma confusão semântica que não distingue sociologia pós-moderna de sociologia da pós-modernidade, entre "pós-modernismo" e "pós-modernidade". No meu vocabulário, "pós-modernidade" significa uma sociedade (ou, se se prefere, um tipo de condição humana), enquanto que "pós-modernismo" se refere a uma visão de mundo que pode surgir, mas não necessariamente da condição pós-moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei sempre enfatizar que, do mesmo modo que ser um ornitólogo não significa ser um pássaro, ser um sociólogo da pós-modernidade não significa ser um pós-modernista, o que definitivamente não sou. Ser um pós-modernista significa ter uma ideologia, uma percepção do mundo, uma determinada hierarquia de valores que, entre outras coisas, descarta a ideia de um tipo de regulamentação normativa da comunidade humana e assume que todos os tipos de vida humana se equivalem, que todas as sociedades são igualmente boas ou más; enfim, uma ideologia que se recusa a fazer julgamentos e a debater seriamente questões relativas a modos de vida viciosos e virtuosos, pois, no limite, acredita que não há nada a ser debatido. Isso é pós-modernismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre estive interessado na sociologia da pós-modernidade, meu tema tem sempre sido compreender esse tipo curioso e em muitos sentidos misterioso de sociedade que vem surgindo ao nosso redor; e a vejo como uma condição que ainda se mantém eminentemente moderna nas suas ambições e no seu "modus operandi" (ou seja, no seu esforço de modernização compulsiva, obsessiva), mas que se acha desprovida das antigas ilusões de que o fim da jornada estava logo adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse sentido que pós-modernidade é, para mim, modernidade sem ilusões. Diferentemente da sociedade moderna anterior, a que eu chamo de modernidade sólida, que também estava sempre a desmontar a realidade herdada, a de agora não o faz com uma perspectiva de longa duração, com a intenção de torná-la melhor e novamente sólida. Tudo está agora sempre a ser permanentemente desmontado, mas sem perspectiva de nenhuma permanência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é temporário. É por isso que sugeri a metáfora da "liquidez" para caracterizar o estado da sociedade moderna, que, como os líquidos, se caracteriza por uma incapacidade de manter a forma. Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades "auto-evidentes". É verdade que a vida moderna foi desde o início "desenraizadora" e "derretia os sólidos e profanava os sagrados", como os jovens Marx e Engels notaram. Mas, enquanto no passado isso se fazia para ser novamente "reenraizado", agora as coisas todas - empregos, relacionamentos, know-hows etc. - tendem a permanecer em fluxo, voláteis, desreguladas, flexíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um exemplo dessa perspectiva, li, num dia desses, que um famoso arquiteto de Los Angeles estava se propondo a construir casas que permanecessem lindas "para sempre". Ao ser questionado sobre o que queria dizer com isso, ele teria respondido: até daqui a 20 anos! Isso é hoje "para sempre", grande duração. O que me interessa é, portanto, tentar compreender quais as consequências dessa situação para a lógica do indivíduo, para seu cotidiano. Virtualmente todos os aspectos da vida humana são afetados quando se vive a cada momento sem que a perspectiva de longo prazo tenha mais sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Paul Sartre aconselhou seus discípulos em todo o mundo a terem um projeto de vida, a decidir o que queriam ser e, a partir daí, implementar esse programa consistentemente, passo a passo, hora a hora. Ora, ter uma identidade fixa, como Sartre aconselhava, é hoje, nesse mundo fluido, uma decisão de certo modo suicida. Se se pensa, por exemplo, nos dados levantados por Richard Sennett [sociólogo] - o tempo médio de emprego no vale do Silício [localizado na Califórnia, EUA, concentra um grande número de empresas de tecnologia e internet], por exemplo, é de oito meses-, quem pode pensar num projeto de vida nessas circunstâncias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época da modernidade sólida, quem entrasse como aprendiz nas fábricas da Renault ou Ford iria com toda probabilidade ter ali um longa carreira e se aposentar após 40 ou 45 anos. Hoje em dia, quem trabalha para Bill Gates por um salário talvez cem vezes maior não tem ideia do que poderá lhe acontecer dali a meio ano! E isso faz uma diferença incrível em todos os aspectos da vida humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Liquid Love [Amor Líquido], eu exploro o impacto dessa situação nas relações humanas, quando o indivíduo se vê diante de um dilema terrível: de um lado, ele precisa dos outros como do ar que respira, mas, ao mesmo tempo, ele tem medo de desenvolver relacionamentos mais profundos, que o imobilizem num mundo em permanente movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: O Senhor poderia discutir os riscos da pós-modernidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Uma das características do que eu chamo de "modernidade sólida" é a de que as maiores ameaças para a existência humana eram muito mais óbvias. Os perigos eram reais, palpáveis e não havia muito mistério sobre o que fazer para neutralizá-los ou, ao menos, aliviá-los. Era, por exemplo, óbvio que alimento - e só alimento - era o remédio para a fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os riscos de hoje são de outra ordem, não se podendo sentir ou tocar em muitos deles, apesar de estarmos todos expostos, em algum grau, a suas consequências. Não podemos, por exemplo, cheirar, ouvir, ver ou tocar as condições climáticas que gradativamente, mas sem trégua, estão se deteriorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo acontece com os níveis de radiação e poluição, a diminuição das matérias-primas e fontes de energia não-renováveis e os processos de globalização sem controle político ou ético que solapam as bases de nossa existência e sobrecarregam a vida dos indivíduos com um grau de incerteza e ansiedade sem precedentes. É nesse ponto que a sociologia tem um papel importante a desempenhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente dos perigos antigos, os riscos que envolvem a condição humana no mundo das dependências globais podem não só deixar de ser notados, mas também minimizados, mesmo quando notados. Do mesmo modo, as ações necessárias para exterminar ou limitar os riscos podem ser desviadas das verdadeiras fontes do perigo e canalizadas para alvos errados. Quando a complexidade da situação é descartada, fica fácil apontar para aquilo que está mais à mão como sendo causa das incertezas e ansiedades modernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, por exemplo, o caso das manifestações contra imigrantes que ocorrem pela Europa. Vistos como "o inimigo" próximo, eles são apontados como os culpados pelas frustrações da sociedade, como aqueles que põem obstáculo aos projetos de vida dos demais cidadãos. A noção de "solicitante de asilo" adquire, nesse quadro, uma conotação negativa, ao mesmo tempo em que as leis que regem a imigração e naturalização se tornam mais restritivas, e a promessa de construção de "centros de detenção" para estrangeiros confere vantagens eleitorais a plataformas políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para confrontar sua condição existencial e enfrentar seus desafios, a humanidade precisa se colocar acima dos dados da experiência a que tem acesso enquanto indivíduos. Ou seja, a percepção individual, para ser ampliada, necessita da assistência de intérpretes munidos com dados não amplamente disponíveis à experiência individual. E a sociologia, enquanto parte integrante desse processo interpretativo - um processo em andamento e permanentemente inconclusivo-, constitui um empenho constante para ampliar os horizontes cognitivos dos indivíduos e uma voz potencialmente poderosa nesse diálogo sem fim com a condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: Em muitas partes de sua obra o senhor soa nostálgico, às vezes até mesmo do que chama de "modernidade sólida", quando a humanidade aparentemente era menos ansiosa e tinha uma vida mais estável e segura. Concorda com essa interpretação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Eu não diria isso. Não acredito que haja um progresso linear no que diz respeito à felicidade humana. Podemos dizer que, como um pêndulo, nos movemos de tempos mais felizes para tempos menos felizes e de menos felizes para mais felizes. Hoje temos medo e somos infelizes do mesmo modo como também tínhamos medo e éramos infelizes há cem anos, mas por razões diferentes. A modernidade sólida tinha um aspecto medonho: o espectro das botas dos soldados esmagando as faces humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virtualmente todo mundo, quer na esquerda ou na direita, assumia que a democracia, quando existia, era para hoje ou amanhã, mas que uma ditadura estava sempre à vista; no limite, o totalitarismo poderia sempre chegar e sacrificar a liberdade em nome da segurança e da estabilidade. De outro lado, como Sennett mostrou, a antiga condição de emprego poderia destruir a criatividade humana, as habilidades humanas, mas construía a vida humana, que podia ser planejada. Tanto os trabalhadores como os donos de fábrica sabiam muito bem que eles iriam se encontrar novamente amanhã, depois de amanhã, no ano seguinte, pois os dois lados dependiam um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, nada disso existe hoje. Dificilmente um outro tipo de stalinismo voltará, e o pesadelo de hoje não é mais a bota dos soldados esmagando as faces humanas. Temos outros pesadelos. O chão onde piso pode, de repente, se abrir como num terremoto, sem que haja nada no que me segurar. A maioria das pessoas não pode planejar seu futuro por muito tempo adiante. Os acadêmicos são ainda umas das poucas pessoas que têm essa possibilidade. Na maioria dos empregos podemos ser demitidos sem uma palavra de alerta. Você chama isso de nostalgia? Não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que, como já disse antes, aproximando-me dos meus 80 anos, não mais acredito que possa existir algo como uma sociedade perfeita. A vida é como um lençol muito curto: quando se cobre o nariz, os pés ficam frios, e, quando se cobrem os pés, o nariz fica gelado. Mas insisto em que a sociedade que obsessivamente se vê como não sendo suficientemente boa é a única definição que posso dar de uma boa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: Quando e como o senhor abandonou o marxismo? Considera-se ainda um socialista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Nunca abandonei Marx, apesar de minha intoxicação pelo "marxismo realmente existente" ter sido, felizmente, breve; de fato, terminou bem cedo, no momento em que o vi como era: um imenso obstáculo para a recepção e manutenção da mensagem ética de Marx - de que a qualidade de uma sociedade deve ser testada pelo critério da justiça e fair play que regulamenta a coletividade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu espero ter o direito de dizer que nunca abandonei essa crença. O mesmo se aplica ao meu socialismo, que, em meu entender, se resume à convicção de que, assim como o poder de carga de uma ponte se mede não pela força média de todos os pilares, mas pela força de seu pilar mais fraco, a qualidade de uma sociedade também não se mede pelo PIB (Produto Interno Bruto), pela renda média de sua população, mas pela qualidade de vida de seus membros mais fracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O socialismo para mim não é o nome de um tipo particular de sociedade. É, sim, exatamente como o postulado de Marx de justiça social, uma dor aguda e constante de consciência que nos impulsiona a corrigir ou remover variedades sucessivas de injustiça. Não acredito mais na possibilidade (e até no desejo) de uma "sociedade perfeita", mas acredito numa "boa sociedade", definida como a sociedade que se recrimina sem cessar por não ser suficientemente boa e não estar fazendo o suficiente para se tornar melhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: Quando se acompanha sua carreira, o senhor parece um filósofo que, devido às condições da Polônia do pós-guerra, foi temporariamente desviado de sua vocação, voltando-se para a sociologia. Concorda com essa descrição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Essa seria uma reconstrução justa do que realmente aconteceu e de como eu encarava a situação, mas com uma ressalva. Eu não era um filósofo profissional antes de ter me desviado para a sociologia, como você sugere; nem desejava me tornar um. Antes de me juntar ao Exército polonês e voltar para meu país natal por essa via, eu fiz dois anos de curso universitário de física por correspondência (na Rússia, os estrangeiros não tinham permissão de viver em cidades grandes, onde havia universidades).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de, como tantos adolescentes, me sentir um tanto apavorado e esmagado pelos mistérios e enigmas do universo e de desejar ardentemente dedicar minha vida a desvendar esses mistérios e a solucionar esses enigmas. Meus estudos foram, entretanto, interrompidos pelo apelo das armas quando eu tinha 18 anos, para jamais serem retomados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando o Exército em 1945, eu me vi novamente numa Polônia arruinada pela ocupação nazista, que se somava a um anterior legado de miséria, de desemprego em massa, de conflitos étnicos e religiosos aparentemente insolúveis e de exploração de classe brutal. Os desafios que meu país confrontava eram, pois, muito maiores do que os do resto da Europa, pois, além de reconstruir fábricas e casas destruídas, semear campos abandonados e colocar a economia de pé novamente, a Polônia exigia uma batalha exaustiva contra uma pobreza sedimentada e contra profundas divisões de classe; a abertura das oportunidades educativas também era tarefa urgente, já que até então estas haviam estado fechadas à grande maioria da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu imagino que a crença de que a sociologia poderia melhorar a vida humana ao reformar o meio social no qual esta se conduzia era parte integral do "projeto de modernidade". Eu até mesmo diria que o projeto consistia exatamente nisso. Assim, as pessoas que estavam seriamente empenhadas em levar a sociedade a desenvolver condições mais desejáveis a fim de ser "moderna" - ou seja, mais humana e melhor estruturada para promover a felicidade e dignidade humanas - não titubeavam um instante sobre que tipo de conhecimento deveria ser mais urgentemente adquirido, dominado e colocado em prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente teria que ser a "ciência da sociedade", a sociologia, a disciplina que surgira para servir ao "projeto de modernidade". Tal convicção sobre a missão da sociologia e tal fé em seu poder de realizar sua missão deve, sem dúvida, intrigar um leitor contemporâneo, mas somente porque vivemos hoje numa era diferente, quando o mantra do dia não é mais "salvação pela sociedade"; infelizmente o que se ouve agora, como homilias insistentes, é que devemos buscar soluções individuais para problemas produzidos socialmente e sofridos coletivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: Como foi a experiência de viver no que o senhor descreveu como a "idade áurea", quando as "universidades polonesas tiraram o máximo de vantagem da liberdade ganha nas batalhas do "outubro polonês" [relativa abertura do regime comunista, ocorrida em 1956]"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Foi algo fascinante, diferente de qualquer outra universidade que conheci; diferente, diria, de qualquer vida universitária existente. Há situações de liberdade acadêmica praticamente sem limites, quando todos os tipos de Weltanchauungen [visões de mundo], estratégias de pesquisa, hierarquias de relevância e prioridades, estilos de se contar histórias se encontram, conversam e argumentam. E há também situações em que os sociólogos se movem pelo sentido de urgência, e não somente pela necessidade de completar dissertações a tempo e assegurar uma próxima promoção; urgência de dar sua própria contribuição para a batalha por uma sociedade melhor, mais hospitaleira aos seres humanos e à sua humanidade. E também por uma vocação, uma missão de só se dedicar a isso. O que foi peculiar na situação pós-outubro polonês foi que as duas situações emergiram ao mesmo tempo e continuaram durante algum tempo a coincidir e a se fertilizar reciprocamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de combinação entre sentimento de liberdade e de propósito é uma felicidade de que a maioria dos acadêmicos contemporâneos infelizmente carece, quer eles tenham ou não consciência do que estão perdendo. Na maioria dos lugares do mundo a liberdade de expressão acadêmica é completa ou quase completa, somente limitada pelos regulamentos e regras (muitas vezes penosas e até ridículas) da carreira e de outras invenções da burocracia universitária; mas, fora isso, as escolhas são deixadas inteiramente livres para cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, no entanto, muito pouco sentido de propósito e particularmente pouco sentido da relevância de seu próprio trabalho para o mundo fora dos muros da academia, como se todos compartilhassem da sina da filosofia lamentada por Wittgenstein, de "deixar o mundo como é". Como muitos sociólogos americanos e também alguns europeus se queixam, os estudos sociais acadêmicos perderam qualquer ligação com a agenda pública. Parece haver poucos, se é que há algum freguês para os modelos de "boa sociedade", que costumava ser a preocupação central e o forte da sociologia com inclinações humanísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As classes educadas não estão mais interessadas na tarefa de ilustração e de elevação espiritual do povo. Os intelectuais pararam, em grande parte, de se definir pela responsabilidade que têm para com "o povo", a nação e a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: O Senhor se referiu aos "muros da academia" como um obstáculo para o pensamento livre. Há alguma esperança para as universidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: O que quer que as universidades façam, elas não conseguirão jamais pôr um fim à curiosidade humana, que talvez tenha que sair da academia para se satisfazer. Se se pensar nas limitações que a organização universitária hoje impõe ao desenvolvimento do pensamento livre, basta olhar para o que acontece com a filosofia e a sociologia tal como são praticadas nos departamentos universitários e em outros "locais de autoridade", ou seja, os lugares em que afirmações reconhecidas como pertencentes a uma dada disciplina podem ser feitas e de onde elas devem ser expressas para serem reconhecidas como tais. Nesse quadro, pois, a filosofia e a sociologia se ligam a interesses intelectuais, estilos de pensamento e modos de argumentação bastante diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada uma dessas duas disciplinas acadêmicas se pretende de posse de grupos distintos de "dados primários" e os processa, interpreta, verifica e refuta de maneiras diferentes. Dominar o cânon, tanto da sociologia quanto da filosofia, e adquirir credenciais oficialmente reconhecidas e confirmadas em cada uma delas toma todo o tempo dos estudantes universitários, e competência em uma dessas disciplinas acadêmicas é raramente exigida para se adquirir o grau na outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso entender a preocupação dos sociólogos acadêmicos com a circunscrição, as barreiras e a defesa de suas possessões contra os competidores que lutam pela obtenção do dinheiro das fundações e do governo; mas o que não podemos esquecer é que essa preocupação se origina na realidade da vida acadêmica, e não na lógica da experiência humana que a sociologia é chamada a servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: Quão difícil foi para o senhor se ajustar à cultura da Grã-Bretanha, para onde veio com mais de 40 anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Ajustamento nunca ocupou um lugar prioritário no meu programa de vida. Nesse campo não fui além do básico, isto é, além de aprender o idioma local e me fazer compreensível, evitando os mais crassos "faux pas". Tal como me recordo, ao chegar à Grã-Bretanha não estava particularmente preocupado em esconder, sufocar ou erradicar minha idiossincrasia, em abandonar o que no meu modo de agir e pensar poderia parecer estranho aos nativos. Tornar-me como os outros e me dissolver no plano de fundo não me parecia tarefa nem possível nem especialmente atraente e nunca foi minha intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu via na época, o desafio estava em outro lugar: como revelar para os meus colegas e alunos britânicos o sentido das minhas diferenças e talvez induzi-los a achar algum interesse e uso no que era inicialmente alheio a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ajustamento" sugere uma via de mão única. Ao contrário, eu pensava em termos de troca igualitária: o único meio de retribuir a hospitalidade dos meus anfitriões britânicos era oferecer a eles algo que não tinham ainda e não poderiam adquirir a não ser num encontro face a face com um pensamento e modo de agir alternativos; algo novo e diferente, que pudesse, eventualmente, enriquecê-los do mesmo modo que eu tenho me enriquecido com o meu encontro com o cotidiano britânico. Eu, na verdade, desejava ser aceito, mas aceito precisamente pelo que eu era, por minha dessemelhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha sorte foi que, com essa atitude, eu aterrissei e me estabeleci na Grã-Bretanha. Posso pensar em muitos países em que viver com tal atitude teria sido muito mais difícil e social e espiritualmente custoso. Se alguém deve ser um exilado ou estrangeiro, a Grã-Bretanha é o lugar certo para estar. Pode-se aí esperar boa vontade, tolerância e bastante hospitalidade, com a condição de não querer fingir que é inglês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: Em sua obra o senhor se refere frequentemente a romances. O que acha que a literatura pode ensinar sobre a sociedade e sobre a condição humana? Mais especificamente, o senhor confessa ser Borges uma de suas grandes fontes inspiradoras. Poderia nos explicar no que um escritor que parece não tratar especificamente de questões sociais lhe é importante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Devo começar lembrando que meus professores na Polônia nunca se preocuparam com as diferenças entre "filosofia social" e "sociologia propriamente dita"; mas, acima de tudo, eles consideravam os romancistas e poetas como seus camaradas de armas, e não como competidores e, muito menos, como antagonistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aprendi a considerar a sociologia como uma daquelas numerosas narrativas, de muitos estilos e gêneros, que recontam, após terem primeiramente processado e reinterpretado, a experiência humana de estar no mundo. A tarefa conjunta de tais narrativas era oferecer um insight mais profundo no modo como essa experiência foi construída e pensada e, desse modo, ajudar os seres humanos na sua luta pelo controle de seus destinos individuais e coletivos. Nessa tarefa, a narrativa sociológica não era "por direito" superior a outras narrativas, pois tinha que demonstrar e provar seu valor e utilidade pela qualidade de seu produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, por exemplo, me lembro de ganhar de Tolstói, Balzac, Dickens, Dostoiévski, Kafka ou Thomas Morus muito mais insights sobre a substância das experiências humanas do que de centenas de relatórios de pesquisa sociológica. Acima de tudo aprendi a não perguntar de onde uma determinada ideia vem, mas somente como ela ajuda a iluminar as respostas humanas à sua condição, assunto tanto da sociologia quanto das belle lettres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aprendi com Borges? Acima de tudo, aprendi sobre os limites de certas ilusões humanas: sobre a futilidade de sonhos de precisão total, de exatidão absoluta, de conhecimento completo, de informação exaustiva sobre tudo; sobre as ambições humanas que, no final, se revelam ilusórias e nos mostram impotentes. Lembremos, por exemplo, do conto de Borges que fala sobre o mapa: o sonho do mapa exato que acaba ficando do mesmo tamanho da própria coisa mapeada e, portanto, sem nenhuma utilidade. Não me ocorre nenhum filósofo ou sociólogo que pôde tratar de tais questões tão persuasivamente, tão convincentemente, tão espetacularmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em parte isso se deve à posição muito luxuosa e mesmo invejável de nunca ter sido um acadêmico e de nunca ter estado submetido a uma disciplina. Fora dos muros da academia os romancistas desfrutam da liberdade que é negada, por exemplo, aos sociólogos profissionais, que têm seus trabalhos avaliados pela conformidade destes com os procedimentos que definem e distinguem a profissão, e não por sua relevância humana. Quando se envia um artigo a uma revista científica para ser avaliado por um "par", isso só tem um impacto: reduzir a originalidade ao denominador comum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borges nunca teve que se submeter a esse tipo de coisa. Note que os dois cientistas sociais da modernidade realmente interessantes e ainda hoje extremamente tópicos foram Karl Marx [1818-1883] e George Simmel [1858-1918], e eles têm também essa característica comum: ambos eram free-lancers e nenhum deles ensinou nas universidades! Mas, acima de tudo, a maior vantagem da narrativa dos romancistas é que ela se aproxima da experiência humana do que a maioria dos trabalhos das ciências sociais. Elas são capazes de reproduzir a não-determinação, a não-finalidade, a ambivalência obstinada e insidiosa da experiência humana e a ambiguidade de seu significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: O senhor tem sempre enfatizado a necessidade de todos nós "questionarmos ostensivamente as premissas de nosso modo de vida". Teria alguma sugestão a nos dar sobre as respostas a esses questionamentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: Maurice Blanchot [escritor e crítico francês, 1907-2003] disse certa vez, em palavras que ficaram famosas, que as respostas são a má sorte das perguntas. De fato, cada resposta implica fechamento, fim da estrada, fim da conversa. Também sugere nitidez, harmonia, elegância; enfim, qualidades que o mundo narrado não possui. Tenta forçar o mundo numa camisa de força na qual ele definitivamente não cabe. Corta as opções, a multidão de sentidos e possibilidades que toda condição humana implica a cada momento. Promete falsamente uma solução simples para uma busca provocada e impelida pela complexidade. Também mente, pois declara que as contradições e incompatibilidades que provocam as questões são fantasmas - efeitos de erros linguísticos ou lógicos, em vez de qualidades endêmicas e irremovíveis da condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que a experiência humana é mais rica do que qualquer de suas interpretações, pois nenhuma delas, por mais genial e "compreensiva" que seja, pode exauri-la. Aqueles que embarcam numa vida de conversação com a experiência humana deveriam abandonar todos os sonhos de um fim tranquilo de viagem. Essa viagem não tem um final feliz - toda sua felicidade se encontra na própria jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo: O senhor descreveu modestamente um de seus livros mais recentes como um discussion paper. Diria que é por acaso ou propositadamente que tem se dedicado a escrever ensaios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zygmunt Bauman: No curso de meio século de estudos e de escrita nunca consegui adquirir a habilidade de terminar um livro... Com o passar do tempo, eu reconheço que todos os meus livros foram entregues ao editor inacabados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em regra, antes mesmo que o manuscrito seja impresso, fica claro para mim que o que me parecia havia pouco como "o fim" era, de fato, um começo com uma sequência desconhecida, mas tremendamente necessária. Por trás de cada resposta percebo que novas questões estão piscando; que mais, muito mais, restou a ser explorado e compreendido e quão pouco, de fato, foi revelado pelo "acabamento bem-sucedido" das explorações passadas. As perguntas mais intrigantes e provocantes emergem, via de regra, após as respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decurso dos anos aprendi a apreciar a queixa de Adorno [filósofo alemão, 1903-69] sobre a convenção linear da nossa escrita: por causa dessa convenção nós não conseguimos transmitir a lógica do pensamento que, diferentemente da escrita, se move em círculos e está invariavelmente forçada, pelo seu próprio progresso, a fazer perpétuos retornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista concedida à Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, professora aposentada da USP e pesquisadora associada do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge (Reino Unido), para a Folha de S. Paulo (19 de outubro de 2003)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1910200305.htm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-5264277180878191587?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/5264277180878191587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=5264277180878191587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5264277180878191587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5264277180878191587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/06/sociedade-liquida-entrevista-com.html' title='A Sociedade Líquida: entrevista com Zygmunt Bauman Por: Folha de S.Paulo'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-hAmvMJGLxIU/TfbU42cYh1I/AAAAAAAAAIk/US_YG1Gg3ug/s72-c/zigman.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-7502351017142549615</id><published>2011-05-14T23:35:00.000-07:00</published><updated>2011-05-14T23:36:54.020-07:00</updated><title type='text'>Sobre os perigos da leitura</title><content type='html'>Rubem Alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos em que eu era professor da UNICAMP fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer “esse entra”, “esse não entra” é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em vinte minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os candidatos amontoavam-se no corredor  recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma idéia que julguei brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!” Pois é claro! Não nos interessávamos por aquilo que ele havia memorizado dos livros. Muitos idiotas têm boa memória. Interessávamos por aquilo que ele pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia falar sobre o que quisesse, desde que fosse aquilo sobre que gostaria de falar. Procurávamos as idéias que corriam no seu sangue!  Mas a reação dos candidatos não foi a esperada. Foi o oposto. Pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos – ah! isso não lhes tinha sido ensinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes. Uma candidata teve um surto e começou a papaguear compulsivamente a teoria de um autor marxista. Acho que ela pensou que aquela pergunta não era para valer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era possível que estivéssemos falando a sério. Deveria  ser uma dessas “pegadinhas” sádicas cujo objetivo e confundir o candidato. Por vias das dúvidas ela optou pelo caminho tradicional e tratou de demonstrar que ela havia lido a bibliografia. Aí eu a interrompi e lhe disse: “ Eu já li esse livro. Eu sei o que está escrito nele. E você está repetindo direitinho. Mas nós não queremos ouvir o que já sabemos. Queremos ouvir o que não sabemos. Queremos que você nos conte o que você está pensando, os pensamentos que a ocupam…” Ela não conseguiu. O excesso de leitura a havia feito esquecer e desaprender a arte de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que esse processo de destruição do pensamento individual é uma consequência natural das nossas práticas educativas. Quanto mais se é obrigado a ler, menos se pensa. Schopenhauer tomou consciência disso e o disse de maneira muito simples em alguns textos sobre livros e leitura. O que se toma por óbvio e evidente é que o pensamento está diretamente ligado ao número de livros lidos. Tanto assim que se criaram técnicas de leitura dinâmica que permitem que se leia “Grande Sertão – Veredas” em pouco mais de três horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler dinamicamente, como se sabe, é essencial para se preparar para o vestibular e para fazer os clássicos “fichamentos” exigidos pelos professores. Schopenhauer pensa o contrário: “ É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante.” Isso contraria tudo o que se tem como verdadeiro e é preciso seguir o seu pensamento. Diz ele: “Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a isso, não há dúvidas: se pensamos os nossos pensamentos enquanto lemos, na verdade não lemos. Nossa atenção não está no texto. Ele continua: “Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando esses, finalmente, se retiram, o que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o diz inteiro … perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria… Este, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche pensava o mesmo e chegou a afirmar que, nos seus dias, os eruditos só faziam uma coisa: passar as páginas dos livros. E com isso haviam perdido a capacidade de pensar por si mesmos. “Se não estão virando as páginas de um livro eles não conseguem pensar. Sempre que se dizem pensando eles estão, na realidade, simplesmente respondendo a um estímulo, – o pensamento que leram… Na verdade eles não pensam; eles reagem. (…) Vi isso com meus próprios olhos: pessoas bem dotadas que, aos trinta anos, haviam se arruinado de tanto ler. De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo – ler um livro é simplesmente algo depravado…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, eu me daria por feliz se as nossas escolas ensinassem uma única coisa: o prazer de ler! Sobre isso falaremos…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-7502351017142549615?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/7502351017142549615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=7502351017142549615' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7502351017142549615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7502351017142549615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/05/sobre-os-perigos-da-leitura.html' title='Sobre os perigos da leitura'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-9091239976337446709</id><published>2011-05-08T20:55:00.000-07:00</published><updated>2011-05-08T20:58:05.754-07:00</updated><title type='text'>Comentário do texto de Llosa</title><content type='html'>Para Mario Vagas Llosa, apud, Sônia Montano a cultura "sempre significou a soma dos fatores e das disciplinas que a constituíam: a reivindicação de novas ideias, valores, conhecimento históricos, religiosos, filosóficos e científicos, bem como o fomento de novas formas artísticas e campos do saber".&lt;br /&gt; Percebamos que a  opinião de Llosa sobre cultura é bem ampla e que esta é regida pela qualidade e baseada nas letras e nas artes. Contudo, seguindo essa linha de raciocínio Llosa acabar por excluir a cultura popular, chegando a afirmar, segundo Montano, que os sociólogos teriam incorporado a "incultura" à ideia de cultura,  camuflada na cultura popular.&lt;br /&gt; Mas, a cultura popular também é formada por valores, conhecimentos históricos e religiosos, da mesma forma que a cultura defendida por ele. Llosa com sua noção de cultura, parece querer lançar um Cânone cultural, o que acabaria por aprofundar ainda mais as desigualdades dentro da sociedade. Afinal a cultura, conforme José Luiz dos Santos, também é uma forma de dominação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moisés VI bloco (uespi)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-9091239976337446709?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/9091239976337446709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=9091239976337446709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/9091239976337446709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/9091239976337446709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/05/comentario-do-texto-de-llosa_08.html' title='Comentário do texto de Llosa'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-2812240847947441103</id><published>2011-05-08T20:52:00.000-07:00</published><updated>2011-05-08T20:54:58.837-07:00</updated><title type='text'>Comentário do texto de Llosa</title><content type='html'>Com relação à conferência do escritor peruano Mario Vargas Llosa sobre o conceito de cultura, e fazendo uma crítica aos rumos dados a esse conceito levando-se em conta a ampliação do seu significado tido na idade média até os dias atuais, uma grande mudança pode ser percebida, seu conceito foi se transformando se alargando de tal forma que para Llosa se esvaiu, tomou uma proporção que tudo hoje em dia pode ser visto como cultura.&lt;br /&gt;            Concordo perfeitamente com a opinião do escritor, partindo do pressuposto que tudo o que é construído é cultura não levando em conta a maneira como ela é vista e transformada, seja ela de maneira positiva ou não ela é aceita como cultura. Muitos pensadores acreditam e afirmam que existe cultura menos importante do que a outra, o que não é verdade, para mudarmos essa realidade cabe aos intelectuais mudar essa concepção garantindo melhores oportunidades através do saber e assim aperfeiçoar o progresso intelectual de cada ser, a cultura é um suporte para o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maisa Lopes de Sales      LETRAS/PORTUQUÊS VI       UESPI&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-2812240847947441103?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/2812240847947441103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=2812240847947441103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2812240847947441103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2812240847947441103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/05/comentario-do-texto-de-llosa.html' title='Comentário do texto de Llosa'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-4279070320954428624</id><published>2011-05-01T22:19:00.000-07:00</published><updated>2011-05-08T20:52:46.109-07:00</updated><title type='text'>Comentário do texto de Mário Vargas Llosa por Cinthya Fontinele Melo</title><content type='html'>Partindo do conceito primeiramente definido por Edward Tylor que diz que cultura é “Todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”, concordo plenamente quando o autor diz que “hoje, todos somos cultos, embora muitos nunca tenham sequer lido um livro ou assistido a um concerto”, pois muitos se equivocam ao pensar que somente são cultas as pessoas que entendem sobre determinados assuntos, como por exemplo: filosofia, política, moda. Todas as culturas têm a sua devida importância para os membros da qual fazem parte, e devem ser respeitadas, pois contribuem para a diversidade da civilização humana.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Att,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cinthya F. Melo (Chrisfapi)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-4279070320954428624?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/4279070320954428624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=4279070320954428624' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/4279070320954428624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/4279070320954428624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/05/comentario-do-texto-de-mario-vargas.html' title='Comentário do texto de Mário Vargas Llosa por Cinthya Fontinele Melo'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-7560445656388072618</id><published>2011-04-25T21:00:00.000-07:00</published><updated>2011-04-25T21:02:33.195-07:00</updated><title type='text'>Participe!!!!! do debate (I)</title><content type='html'>Leia o texto de Mário Vargas Llosa sobre cultura e envie seu comentário ou outro texto sobre o tema para o e-mail herasmobraga@yahoo.com.br para postagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-7560445656388072618?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/7560445656388072618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=7560445656388072618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7560445656388072618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7560445656388072618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/04/participe-do-debate-i.html' title='Participe!!!!! do debate (I)'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-2863174251198292771</id><published>2011-04-25T20:59:00.000-07:00</published><updated>2011-04-25T21:00:10.674-07:00</updated><title type='text'>Forum de debate (I) Cultura</title><content type='html'>Mario Vargas Llosa e o discurso sobre a cultura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Sonia Montaño&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Vargas Llosa foi aplaudido de pé ao entrar no palco do Fronteiras doPensamento na noite de 14 de outubro. Com o Salão de Atos da UFRGS totalmenterepleto, o Nobel de Literatura 2010 iniciou sua conferência agradecendo o carinho do público do Fronteiras que, segundo as palavras do próprio autor, recebe tão ilustrespensadores e artistas.&lt;br /&gt;O escritor peruano dedicou sua conferência à noção de "cultura", fazendo uma crítica aos rumos dados a esse conceito graças à antropologia, à sociologia e ao pensamento dos intelectuais pós-modernos como Michel Foucault e Jacques Derrida, aos quais fez duras considerações. Para Vargas Llosa, a noção de cultura foi adquirindo diversos significados e matizes ao longo da história: ela já foi inseparável da religião, da filosofia grega e do direito romano. No Renascimento, a "cultura" era impregnada de literatura e artes; e, com o Iluminismo, ela foi finalmente associada ao conhecimento científico.&lt;br /&gt;A noção de cultura apesar dessas variações históricas, Llosa defendeu que "cultura" sempre significou a soma dos fatores e das disciplinas que a constituíam: a reivindicação de novas ideias, valores, conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e científicos, bem como o fomento de novas formas artísticas e campos do saber. A cultura sempre estabeleceu hierarquias sociais entre quem a enriquecia e a fazia progredir e quem a desprezava ou era excluído por razões sociais e econômicas. “Em uma sociedade, em todas as épocas históricas, havia pessoas cultas e incultas e, entre ambos os extremos, pessoas mais ou menos cultas ou mais ou menos incultas. Essa classificação ficava bastante clara em um mundo onde tudo era regido por um mesmo sistema de valores, critérios culturais e maneiras de julgar, pensar e se comportar”, disse o peruano. Para Llosa, a noção de cultura atual se estendeu tanto, que se esvaiu.&lt;br /&gt;Assim, "hoje, todos somos cultos, embora muitos nunca tenham sequer lido um livro ou assistido a um concerto."&lt;br /&gt;Mario Vargas Llosa aponta a antropologia, dentre outras áreas, como aquela responsável pela confusão em que a noção de cultura se encontra. Os antropólogos, inspirados pela melhor fé do mundo, numa vontade de compreensão das sociedades mais primitivas que estudavam, estabeleceram que "cultura" era a soma de crenças, conhecimentos, linguagens, costumes, sistemas de parentescos e usos. Ou seja, tudo aquilo que um povo faz, diz, teme ou adora. “Essa definição buscava, entre outras coisas, sair do etnocentrismo racista daquilo que o Ocidente não se cansa de se acusar. O propósito não podia ser mais generoso, mas sabemos que o inferno está cheio de boas intenções”, ironizou o conferencista. Segundo ele, uma coisa é crer que todas as culturas merecem consideração, já que, sem dúvida, em todas elas há contribuições positivas à civilização humana. Outra coisa é crer que elas, pelo simples fato de existirem, se equivalem.&lt;br /&gt;A cultura popular para o escritor, foi a busca do politicamente correto que terminou por nos convencer de que é arrogante, dogmático, colonialista e até racista falar em culturas inferiores e superiores, modernas e primitivas. Conforme essa crença, todas são iguais - expressões equivalentes da maravilhosa diversidade humana.&lt;br /&gt;Por sua parte, os sociólogos, empenhados em fazer crítica literária, teriam incorporado a "incultura" à ideia de cultura, disfarçada com o nome de "cultura popular". O conferencista lembrou a obra do autor russo Mikhail Bakhtin dedicada à cultura popular na Idade Média e no Renascimento. Bakhtin via a cultura popular como um tipo de contraponto à cultura aristocrática, que brota dos salões, conventos, palácios e bibliotecas. A cultura popular nasce e vive na rua, na taberna, na festa, no carnaval, e, mais ainda, satiriza a aristocracia. Bakhtin e seus seguidores aboliram, segundo Vargas Llosa, as fronteiras entre cultura e incultura e deram ao inculto uma dignidade relevante.&lt;br /&gt;“Como falar, então, em um mundo sem cultura numa época em que naves construídas pelo homem chegaram às estrelas e a percentagem de analfabetos é a mais baixa de todo o acontecer humano?”, questionou o conferencista, chamando a atenção para o fato de que o número de alfabetizados é quantitativo, enquanto a cultura é qualidade, não quantidade. Llosa também advertiu que é atual a capacidade de reunirmos armas de destruição massiva que podem acabar com o planeta, mas que isso está mais próximo da barbárie do que da cultura.&lt;br /&gt;O especialista foi definido pelo escritor como um ser unidimensional que pode ser, ao mesmo tempo, um grande especialista e um inculto, porque seus conhecimentos, em vez de o conectarem com os outros, isola-o numa especialidade, que é uma cela no domínio do saber.&lt;br /&gt;As minorias cultas, conforme Vargas Llosa, tinham a missão de estender pontes entre as áreas do saber e de exercer influência religiosa ou leiga para o progresso intelectual, garantindo melhores oportunidades e condições materiais de vida. “Elliot dizia que não se deve identificar cultura com conhecimento. A cultura dá sustento ao conhecimento e o precede, imprime-lhe uma funcionalidade precisa”, defendeu o Nobel de Literatura.&lt;br /&gt;Artes e letras no processo da cultura, para ele, seria equivocado atribuir funções idênticas às letras, às ciências e às artes. A ciência avança aniquilando o velho, antiquado e obsoleto. Para ela, o passado é um cemitério, um mundo de coisas mortas e superadas pelas novas descobertas e invenções. As letras e as artes se renovam, mas não se fundamentam no progresso, não aniquilam seu passado, alimentam-se dele e o alimentam. “Cervantes segue sendo tão atual quanto Borges, Velázquez está tão vivo quanto Picasso”, exemplificou o escritor.&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que a literatura, a música e a arte não mudem e evoluam, mas não suprimem nem superam. A obra artística e literária, aquela que alcança certo grau de excelência, não morre com o tempo – segue vivendo e enriquecendo as novas gerações e evoluindo. É por isso que criavam um espaço de comunicação entre seres humanos de diversas gerações. “Letras e artes constituíram o denominador comum da cultura”, disse o escritor.&lt;br /&gt;No campo da cultura, Mario Vargas Llosa confessou preocupação particular com a educação. Atualmente, nas escolas, docentes ou quaisquer outras formas de autoridade parecem ter convertido os colégios em instituições caóticas e com concentração de precoces delinquentes. Para o autor, Maio de 68 não acabou com a autoridade, que já vinha sofrendo um enfraquecimento generalizado em todas as ordens, do político ao cultural. “Os adolescentes provindos das classes burguesas privilegiadas da França, que protagonizaram aquele divertido carnaval, que proclamou ‘É proibido proibir’, estenderam ao conceito de autoridade seu atestado de óbito”, disse o conferencista. Para ele, isso teria dado legitimidade e glamour à ideia de que toda autoridade é suspeita, perniciosa e detestável e que o mais nobre e libertário é desconhecê-la e destruí-la. “O poder não se viu nem um pouco afetado com essa audácia dos jovens rebeldes que, sem saber, levaram às barricadas os ideais iconoclastas de pensadores como Michel Foucault e Jacques Derrida. A autoridade no sentido romano, não de poder, senão de prestígio e crédito, que reconhece a uma pessoa ou instituição por sua qualidade ou competência, não voltou a reviver”, lamentou o escritor, lembrando que são poucas as figuras que exercem esse papel do exemplo moral e, ao mesmo tempo, da autoridade clássica.&lt;br /&gt;Mario Vargas Llosa encerrou sua conferência defendendo que um bom livro nos aproxima da existência humana e de seus mistérios. “Os livros ajudam a viver. A cultura pode ser experimento de reflexão, pensamento e sonho, paixão e poesia. É uma revisão crítica constante e profunda de todas as certezas, convicções, teorias e crenças”, concluiu o convidado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-2863174251198292771?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/2863174251198292771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=2863174251198292771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2863174251198292771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2863174251198292771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/04/forum-de-debate-i-cultura.html' title='Forum de debate (I) Cultura'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-1870809857867081987</id><published>2011-04-03T22:14:00.000-07:00</published><updated>2011-04-03T22:17:39.373-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-j2WdndmTl-c/TZlUZ4tDc_I/AAAAAAAAAIY/sv88J1uZc98/s1600/Paul%2BGauguin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-j2WdndmTl-c/TZlUZ4tDc_I/AAAAAAAAAIY/sv88J1uZc98/s400/Paul%2BGauguin.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5591593216051999730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Paul Gauguin&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-1870809857867081987?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/1870809857867081987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=1870809857867081987' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/1870809857867081987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/1870809857867081987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/04/paul-gauguin.html' title=''/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-j2WdndmTl-c/TZlUZ4tDc_I/AAAAAAAAAIY/sv88J1uZc98/s72-c/Paul%2BGauguin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-2936129684417905295</id><published>2011-04-03T22:04:00.000-07:00</published><updated>2011-04-03T22:14:20.397-07:00</updated><title type='text'>A perfomace da mente através do corpo</title><content type='html'>Herasmo Braga&lt;br /&gt;Recentemente tivemos a perda do escritor Moacir Sclyar. Além de já ter produzido diversas obras significativas, ao nosso ver, ele teria muito mais a contribuir. Sua perda sentida no meio intelectual nos fez refletir numa relação meio inversamente proporcional entre o corpo e a mente na sociedade moderna. &lt;br /&gt;Não é de hoje que muitos intelectuais secundarizam a proteção e os cuidados com o corpo. Associam o olhar para o aspecto físico como algo alienante, superfulo. Todavia, se observarmos a imagem que nos chegaram de grandes pensadores da grécia antiga veremos em Socrátes, Platão e Aristóteles sujeitos não só de mentes brilhantes, mas corpos de perfomace atléticas. Interpretamos com essas imagens que o cuidado devir com o corpo faz-se necessário para o desempenho melhor das atividades intelectivas.&lt;br /&gt;Se observamos em meio a nosso nicho intelectual seja ele academico ou não  perceberemos que poucos são os radiadores de ideias que não sejam obesos.&lt;br /&gt;Em meio a tantas atribuições do cotidiano nos perdemos entre no que é preciso e necessário do poderia ficar para depois. Exemplo desse tipo  são os hábitos do consumo. Poucas vezes deixamos para depois a compra de um produto, todavia se procurarmos atitudes do melhor viver  ou adiamos, ou limitamos. Se estamos com problemas emocionais que nada que um processo de amadurecimento fruto da experiências da vida não resolva optamos por comprar materiais de auto-ajuda acreditando encontrar nestes textos as respostas para os nossos dilemas. Se precisamos emagrecer em vez de nos darmos com a pressão de reconstituir novos hábitos alimetares procuramos a solução em medicamentos milagrosos e nocivos a saúde. Assim vamos caminhando para atitudes que venham a comprometer nosso processo de aprendizagem e de contribuição em nosso meio limitando ou interropendo processos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-2936129684417905295?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/2936129684417905295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=2936129684417905295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2936129684417905295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2936129684417905295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/04/perfomace-da-mente-atraves-do-corpo.html' title='A perfomace da mente através do corpo'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-231037050054390421</id><published>2011-03-04T22:00:00.001-08:00</published><updated>2011-03-04T22:01:15.940-08:00</updated><title type='text'>O desafio de ser pós-moderno na antessala</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-NddYhhsReX0/TXHRouFuNkI/AAAAAAAAAIA/8KibBEGIohQ/s1600/miro.jpeg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 249px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-NddYhhsReX0/TXHRouFuNkI/AAAAAAAAAIA/8KibBEGIohQ/s400/miro.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580471910785758786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt; Se há algo que esteja tão presente nas prateleiras de livrarias, nas rodas de conversas, nas conferências, tanto quanto os livros de receitas de auto-ajuda são as obras que discutem a modernidade ou mais precisamente a pós-modernidade. Há inúmeros autores que se debruçam sobre essa discussão em todo o mundo,  principalmente nos países periféricos. Afirmações do tipo eu sou moderno, ou anti-moderno, ou pós-moderno são constantes. As relações intelectuais e até mesmo afetivas parecem ser conduzidas interpretativamente por estes vetores. &lt;br /&gt;Esse tema, bastante explorado – e não é de hoje – já se encontra de maneira gasta. Entre os elos das inúmeras discussões destacamos os seus muitos dizeres pouco ou nada fundamentados. Temas como fragmentação, discurso, identidade, subjetividade são marcas constantes nestas produções com um toque sempre supervalorizativo de ares da mais recente novidade.&lt;br /&gt;Todavia, aqueles que atentarem minimamente de maneira reflexiva, perceberão que, dentro das construções, criações e realizações humanas a fragmentação, a pluri-linguagem, a subjetividade, as multi-identidades estiveram sempre permeando as ações interpretativas e produtivas do homem. Portanto, tratar desses aspectos como fenômenos sociais recentes, marcas divisórias da história da humanidade e fator decisivo de uma condição pós-moderna, constitui, a nosso ver, um mero trabalho de marketing dos intérpretes sociais de hoje. Não queremos com estas afirmações negar ou diminuir a importância das mudanças aceleradas que vêm acontecendo nos últimos 90 anos. Há, sim, inúmeras questões que têm se apresentado e mudado a rota de diversos indivíduos constantemente. E dentro destas mudanças destacamos: o distanciamento dos aspectos tradicionais, a banalização das referências, a descrença no conjunto, a diminuição das possibilidades de caminhos, a esclerose das ideias, a consolidação dos discursos vazios e o domínio pleno da mercadoria.&lt;br /&gt;Grandes autores com grandes ideias têm perdido espaço e importância para outros que conseguem adequar melhor os seus discursos aos momentos fantasiosos dos dias de hoje. Leitores e provedores da necessidade de se estar sempre em contato com a tradição têm sido cada vez menos conhecidos e reconhecidos pela massa mais jovem. Indivíduos do porte de Harold Blomm, Beatriz Sarlo, Marshall Berman, Antônio Cândido, Luiz Costa Lima, Fernando Novais, Sérgio Paulo Rouanet, Raymmond Williams entre outros são cada vez menos presentes nas prateleiras das livrarias e nas estantes de livros dos estudantes. Parece-nos que uma das características da moda pós-modernidade é deixar de lado a tradição e se debruçar apenas no topo da pirâmide do pensamento humano. Não que esse topo reflita o melhor momento da história do pensamento, o essencial, mas apenas reflete o limitado mundo receituário do ser pós-moderno.&lt;br /&gt;Reconhecemos que esse momento que nos tem levado a criar esse ostracismo para a tradição cultural e intelectual humana não brotou do acaso nem ocorreu impulsionadamente. Ele foi devidamente preparado para o seu devir histórico. Utilizando-se para isto somente observações da realidade e da junção de ideias, como por exemplo, a ideia da morte de Deus, o fim da autoridade do pai, o discurso de se extinguir valores que, segundo alguns autores dos estudos culturais de hoje, foram formados por um sujeito homem, branco, heterossexual, burguês, católico, machista e europeu. Soma-se a isso a valorização do inconsciente e algumas correntes do movimento feminista em que se objetivou tirar o homem do centro e se colocar uma mulher no seu lugar, todas essas linhas de pensamento provocaram a total descrença na tradição e nos seus valores. &lt;br /&gt;Com todas essas ações não só a tradição se fragilizou, mas o homem também. Como produto disso, iniciou-se então um processo de desraizamento, da perda das referências, do desamparo e que tem como sintomas esse vasto campo vazio de ideias, posicionamentos e crítica. &lt;br /&gt;Assim “suar a camisa” para ler e refletir sobre autores do porte de Marcel Proust, Joyce, Guimarães Rosa não constitui uma atividade agradável ou mesmo necessária para um sujeito pós-moderno. Realizar leituras resumidas disponíveis na internet para ter um ar de intelectualidade no meio social é bem mais valorativo e necessário. Além disso, como afirma em alguns momentos Pierre Bayard na obra Como falar dos livros que não lemos? É melhor se desenvolver uma performance teatral de profundo conhecedor de um vasto campo de obras e autores diante dos outros sujeitos pós-modernos do que se limitar na leitura real de poucas produções. Devemos assim, obrigatoriamente, situarmos sobre elas. Essa é uma situação típica da pós-modernidade. &lt;br /&gt;Não queremos ser maniqueístas com a modernidade e pós-modernidade, mas sim, promover discussões que nos sirvam de reflexões e referências para a nossa constituição social e intelectual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-231037050054390421?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/231037050054390421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=231037050054390421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/231037050054390421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/231037050054390421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/03/o-desafio-de-ser-pos-moderno-na.html' title='O desafio de ser pós-moderno na antessala'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-NddYhhsReX0/TXHRouFuNkI/AAAAAAAAAIA/8KibBEGIohQ/s72-c/miro.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-7208832245738363686</id><published>2011-01-23T22:36:00.000-08:00</published><updated>2011-01-25T10:10:19.224-08:00</updated><title type='text'>Conversa entre amigos: Poesia (I)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT8SAVoZscI/AAAAAAAAAHI/cp2YOYG48nk/s1600/Baudelaire.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 342px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT8SAVoZscI/AAAAAAAAAHI/cp2YOYG48nk/s400/Baudelaire.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566187461469123010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt; Receber amigos é algo que agrada qualquer individuo. Seja para uma simples visita, confraternização ou mesmo em certos momentos delicados da vida. Tão importante e prazeroso quanto a sua chegada são as conversas. Atualizar questões, debater assuntos dos mais diversos é um exercício não só de convivência, mas também de inteligência.&lt;br /&gt; Em uma destas visitas eis que surge a pergunta o que é poesia? Todos nós tentamos das mais variadas formas sustentar uma resposta completa e didática, no entanto, diante do olhar de não entendimento, desisitimos. A poesia não só é algo complexo para se produzir, interpretar, mas também conceituar. No desenvolver das nossas conversas o tema poético foi sendo desenvolvido e aprofundado. &lt;br /&gt;Entre os temas poéticos destacado foi sobre a primeira geração de literatos no Piauí. Todos reconheceram a grandiosidade desta primeira geração de intelectuais piauienses, surgida no final do século XIX e início do século XX. Nomes como Clodoaldo Freitas, Hignio Cunha, Abdias Neves, Lucídio Freitas,  Da Costa e Silva são nomes marcantes não só nas nossas letras como também grandes formentadores culturais da província naquele momento. Esta geração marcou não só o surgimento de uma valiosa geração de intelectuais, como também, a mais bela e profunda geração de intelectuais até os nossos dias. Eles souberam como poucos dialogar a tradição com o momento presente. Realizaram leituras verticalizadas sobre uma gama dos mais refinados mestre das artes e não deixaram a desejar nada em relação as outras geradas nos mais diversos estados brasileiros. Todavia, mediante a um processo natural ocorreu a substituição dela.&lt;br /&gt;Assim, nos anos vindoros deste processo analisamos hoje que o brilhantismo de antes não se sustentou. Poucos se destacaram como por exemplo, após quase 50 anos, tivemos dois individuos de grande potencial que em muito se assemelhavam na seriedade e no talento intelectual e cultural a grande geração primeira. As notáveis figuras surgidas nesse momento foram: H.Dobal e O.G. Rego de Carvalho.&lt;br /&gt; Mas, os anos se passaram e a formação de um grupo tão qualificado como os primeiros não se firmava. Não surgiram, portanto, tão grandes nomes ou grandes obras nem dentro e nem fora da Academia Piauiense de Letras. O que ocorria nesta momento como até os dias presentes foram e são brigas de egos através de produções literárias de qualidades irregulares e teorização ou diálogo com os clássicos feitas superficialmente. &lt;br /&gt;Advertimos, no entanto, que não pretendemos com estas questões ser reducionistas, mas apenas promover o debater em um texto curto - de maneira responsável - algumas observações sobre a produção literária em um primeiro momento do gênero poético no Piauí, em especial em Teresina nos ultimos anos .&lt;br /&gt;Dentro das mais recentes produções podemos desenvolver de maneria didática duas matrizes. A primeira situamos em um fazer poético muito mais associado a uma interpretação não bem desenvolvida dos clássicos. Observamos que  a partir dessas construções tivemos a elaboração de poemas  com sentidos e procedimentos poéticos deficientes. Claro que no meio deste celeiro podemos encontrar algumas raras agulhas, mas no geral há muito mais feno.&lt;br /&gt; Se de um lado tinhamos os interpretes deficientes que confundiam produção poética com interpretação apressada dos clássicos, ou mais especificamente, reconstrução deficitárias dos poemas; por outro tivemos a construção de poemas planfetários. Esses poemas ganharam força e projeção durante um forte período histórico de repressão e censura. Após esse momento histórico por carência nossa, tornaram-se mitos e foram cultuados pelo saudosismo de plantão do tempo presente. E hoje estas produções e, outras mais recentes, estão sob a égide dos teóricos da academia universitária, estão cobertos diante de uma linha denominada Estudos Culturais. Portanto, outros poetas ganharam projeção ao valorizar seguimentos sociais marginalizados. Enfatizamos que não causa neles nenhum mal estar devido a esse apadrinhamento de outras fontes para ganhar credibilidade e representação estética.&lt;br /&gt; Essas duas matrizes continuam a (re)produzir efeitos e defeitos. Vários são os apressados em nossas terras que se lançam a produzir poemas de baixo valor estético. Criam grupos, denominações, maneiras de divulgar seus trabalhos das formas mais formais ou bizarras possíveis.&lt;br /&gt; Asseguro aos que se dedicarem a leitura deste pequeno comentário, que para construir este texto, com essas observações; não fomos levianos ou todo impressionista para fazê-lo. Lemos sim poemas, mas não muitos. Não foi por falta de material, mas falta de ânimo em mergulhar em tanto feno. Pretendemos assim, como já destacado anteriormente, promover o debate e  não cair tão somente nos discursos vazios, perdendo assim, tempo ouvindo reclamações dos que se sentirem ofendidos pessoalmente, já que infelizmente no nosso Brasil nos parece que criticar um texto de alguém é estar a se criticar pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-7208832245738363686?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/7208832245738363686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=7208832245738363686' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7208832245738363686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/7208832245738363686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2011/01/conversa-entre-amigos-poesia-i.html' title='Conversa entre amigos: Poesia (I)'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT8SAVoZscI/AAAAAAAAAHI/cp2YOYG48nk/s72-c/Baudelaire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-101386677842332972</id><published>2010-10-13T21:11:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T21:12:57.525-07:00</updated><title type='text'>Não são coisas do futebol</title><content type='html'>Herasmo Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos tivemos vários motivos para comemorações. Entre os momentos de glória temos a tão sonhada estabilidade economica, os maiores períodos democraticos da nossa história - sem sobressaltos, a constituição com mais tempo de vigência e a possibilidade de sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo de Futebol 2014 e as Olimpíadas em 2016. Reconhecemos que todo esses méritos não incidem por obras do acaso. Sem uma visão um tanto ufanista, vieram já até meio tarde. Assim, motivos de alegria são o que não nos falta, todavia o que nos tem assustado um pouco são as permanencias dos péssimos hábitos que entre os países bem melhor organizados já aboliram há tempo. São estas atitudes que aqui questionamos, pois são frutos de um autoritarismo ultrapassado que só evidência a falta de sereniedade e seriedade nas articulações por demais demodé por parte de setores que se apropriam de coisas alheias com se fossem propriedade sua. É a nossa tradicional mistura histórica do público e do privado destacados nas análises dos historiador José Murilo de Carvalho e do antropólogo Roberto D´mata.&lt;br /&gt;Acompanhar o futebol brasileiro na sua organização interna e na preparação de uma Copa do Mundo nos envergonha. Como aconteceu na história recente do nosso país - na organização de um evento esportivo de menor porte quando comparado com a Copa do Mundo e as Olimpíadas - que muitos esperam mais uma vez o uso indevido do dinheiro público para custear seus bens privados. O presidente da CBF é um exemplo. Este sujeito assumiu o posto de presidente da conferderação do futebol brasileiro há quase três décadas. Em suas ações percebemos que ele não mede esforços para atuar de maneira rasteira quando tem seus interesses contrariados. Exemplos desses tipos de atuações temos diversos. Entre as suas ações inoportunas podemos destacar a organização da comissão responsável pela organização da Copa do Mundo. Membros não só de confiança, mas de estreitas relações familiares estão cirurgicamente distribuídos em cargos estratégicos. Mas como se só esse mal não bastasse, o vitalício presidente da CBF meteu-se na eleição de uma entidade representativa dos clubes de futebol. Ele tentou impor a caditadura de um sujeito que já teve o seu atestado de idoneidade comprovado no futebol brasileiro ao quase levar a falência de um clube de maior torcida do Brasil através de diversos casos de incopetência administrativa somada aos inúmeros escândalos de corrupção passiva e ativa. Diante de tamanha autoritarismo inúmeros clubes se rebelaram e não aceitaram tamanho desmando e quem comandou o levante teve as suas merecidas represálias. &lt;br /&gt;O caso mais conhecido foi a exclusão do estádio do Morumbi como sede de jogos na Copa do Mundo. Juvenal Junventus bateu o pé e não aceitou Kleber Leite como presidente do clube dos 13 e lutou para a reeleição do já também ultrapassado Fábio Koff, que representava naquele momento um mal menor do quer Kleber Leite a frente da instituição. Os mais otimistas ou ingênuos diriam: o Internacional também votou contra Kleber Leite e não teve o estádio Beira Rio excluído. Boa observação essa, mas incompleta. A voz que de fato se levantou contra essa tentativa de manipulação e falência do clube dos 13, promovendo articulações para a não vitória do candidato de Ricardo Teixeira foi o presidente do São Paulo. O Inter apenas cumpriu o seu papel de votar, talvez por isso a sua punição seja menor ou virá apenas no futuro.&lt;br /&gt;Ao São Paulo Futebol Clube cabe agora assistir os demandos e autoritarismo do Ricardo Teixeira e seus comparsas que entre eles o maior ou mais privilegiado pela sua dedicação servil seja André Sanches, presidente do Corinthias. Enquanto todos os estágios tiveram vistorias rigorosas e planejamentos refeitos, o novo estádio do Corinthias, se é que se tornará realidade, já nasceu pronto e aprovado por telepatia para promover a abertura da Copa do Mundo. O detalhe disso fica por conta que ninguém viu ou conhece o projeto. Isso sim, é fazer valer não de credibilidade como afirma André Sanches, mas de oportunismo e mimo de pessoas despreparadas, desprovidas de caráter e que conduzem instituições importantes.  &lt;br /&gt;Um outro dado interessante nesta orquestração são os custos e quem vai bancá-los. A construção de um novo estádio custará bem menos do que as reformas em outros existentes como por exemplo: o Maracanã que custará 720 milhões de reais, o Mineirão 666 milhões de reais, o estádio de Brasília 696 milhões de reais. Detalhe todos são reformas, enquanto do Corinthias que é a construção de um novo e moderno estádio terá custo menos da metade deles. Essa comparação é de se estranhar no mínimo.&lt;br /&gt;Sei que muitos ao lerem esse texto podem pensar: trata-se de algum são paulino rancoroso. Realmente quem escreve é um torcedor do tricolar paulista, só não rancoroso. Também um cidadão que, acima de tudo; condena atitudes inadequadas para melhor viver. Condena o seu clube não só por contratações mal sucedidas, mas por uma elitização de torcedores que não condiz com a realidade do nosso país. Condena um clube que falta aos seus dirigentes mais humildade e pés no chão. Condena o seu clube que deveria abrir mais as portas para a sua torcida principalmente aqueles que vem de longe e tentam conhecer o CT da Barra Funda e se deparam com seguranças nada educados que cuprem ordem de não permitirem a entrada de ninguém sob nenhuma condição. Condena o clube que deveria pedir desculpas quando errasse e não atribuisse somente falta de sorte. E que espera dias melhores...&lt;br /&gt;Esperamos também a Copa do Mundo e que ela sirva de motivação para a democratização e organização do futebol brasileiro. Sirva para banir pessoas que pensam de maneira diferente do que o povo brasileiro almeja. Torcemos para o sucesso brasileiro dentro e fora de campo sem a farra de dinheiro público. Aguardamos que esse evento traga beneficios ao nosso país e que nos eleve ainda mais a nossa alta estima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-101386677842332972?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/101386677842332972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=101386677842332972' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/101386677842332972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/101386677842332972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/10/nao-sao-coisas-do-futebol.html' title='Não são coisas do futebol'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-2127761892647823656</id><published>2010-10-06T20:53:00.000-07:00</published><updated>2010-10-06T20:54:58.496-07:00</updated><title type='text'>Um eleitor cansado</title><content type='html'>Findada mais uma eleição, lanço-me agora sobre os seus resultados. Reconheço estar neste momento dotado de sentimentos frustativos e até mesmo pueris. Mas estou decidido a afastar-me desta festa democrática! Não que eu tenha algo contra a democracia e os seus poderes representativos, mas decepciona-me ver como as coisas se encaminham nesse mundo da fantasia individualista.&lt;br /&gt;Nestas eleições, observei situações um tanto atípicas enquanto outras mais do que repetidas. Fiquei orgulhoso - em um primeiro momento - com o fato de finalmente termos uma outra alternativa presidencial pautada dentro de uma realidade desejada e possível.  Alternativa essa configurada em um sujeito competente e de sensibilidade social e ambiental. Soma-se a isso os traços biográficos fantásticos, tão marcantes como os que me levaram a adotar Lula como meu candidato desde da minha primeira votação em 1998. Sujeito esse de biografia singela e encantadora. &lt;br /&gt;Por outro lado acompanhei a ausência de propostas e repetições de discursos de outrora e de outros de conteúdo futebolistico. Candidatos sem propostas ou compromissos significativos apareciam com uma única frase: nós somos do time de Lula. Esse mantra eleitoral marcava de maneira expositiva os vazios de conhecimentos político-social dos novos e velhos representantes. Com certeza esses aspectos devem ter feito  até o individuo mais alheio a esse processo eleitoral ter se irritado com tanta repetição e tédio eleitoral.&lt;br /&gt;Se por um lado comemorei uma significativa renovação necessária devido a inércia dos que antes se faziam presente na vida política brasileira, por outro enojou-me a eleição de esposas, filhos, irmãos e irmãs de velhas raposas, pois já sabemos que pouco ou nada propocionarão um progresso de desenvolvimento social mais justo e equilibrado. Os tais contemplados eleitoralmente serão apenas figurantes, pois o homem do lado de cá é quem dará as cartas. Como se tudo isso não bastasse, tivemos a ousadia e discirnemento de eleger um palhaço de vocação e não mais só de profissão. Mais um a incorporar o circo do Congresso Nacional Brasileiro. Não será nenhuma novidade sabermos que o  palhaço estreante fará seus  interessantes shows a um menor valor quando comparado aos mais antigos.&lt;br /&gt;Realmente estou muito decepcionado com o não reconhecimento do trabalho realizado por pessoas de bem e que foram candidatos. Cito-os nominalmente por serem sujeitos ideias para uma República ideal: Antonio Neto e Nazareno Fonteles. Estes sim, seriam muito mais merecedores do que qualquer palhaço de circo, esposa, filho, irmão, irmã, raposa velha; para fazer frente a um Congresso participativo e gerenciador das conquistas sociais e qualitarias necessárias para o desenvolvimento da nossa nação.&lt;br /&gt;Por estas e outras razões pretendo, portanto,  amigos sair de cena não para sair da vida e entrar para a história, mas para não participar deste mundo imundo da política&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-2127761892647823656?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/2127761892647823656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=2127761892647823656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2127761892647823656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2127761892647823656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/10/um-eleitor-cansado.html' title='Um eleitor cansado'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-1381392006704200291</id><published>2010-09-30T21:14:00.000-07:00</published><updated>2010-09-30T21:17:22.370-07:00</updated><title type='text'>Razões que não se explicam</title><content type='html'>Herasmo Braga&lt;br /&gt;Professor e ensaísta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macia era a vida&lt;br /&gt;sob as faveiras&lt;br /&gt;antes da faca&lt;br /&gt;dividir o boi &lt;br /&gt;em novas glebas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que o tempo&lt;br /&gt;fosse cortado&lt;br /&gt;e o gado bravo&lt;br /&gt;fosse levado&lt;br /&gt;no macio andar&lt;br /&gt;dos caminhões.&lt;br /&gt;(Relatório, O tempo consequente)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio Candido, em seu livro Vários Escritos, questiona a, até bem pouco tempo, ausência de Machado de Assis no rol dos grandes autores além das fronteiras do Brasil. Uma das justificativas para esse “esquecimento”, Candido aponta a pouca importância geopolítica que a língua portuguesa exerce no mundo.&lt;br /&gt; Percebe-se, então, que tais observações são plausíveis e dignas de respeito, não por terem sido tratadas por Candido – crítico consagrado –, mas porque tais condições políticas, econômicas e sociais acabam interferindo na formulação objetiva do cânone.  Apesar de seu texto ter sido publicado já há algum tempo e, portanto, refletiu o momento histórico daquele contexto, hoje as obras de Machado de Assis começam adentrar o universo dos autores consagrados, graças à iniciativa de críticos de peso, como Harold Bloom, John Gledson, Helen Caldwell, Susan Sontag, David Jackson, Jean Michel Massa entre outros. &lt;br /&gt;Diante desse contexto, podemos observar que isso também acontece com outros autores distanciados do centro, pois eles acabam sendo marginalizados pelos meios intelectuais nacionais. Há inúmeros exemplos que padecem dessa miopia ou manca atuação intelectual, e dentre eles destacamos Hindemburgo Dobal. Vale a pena registrar o nosso desconforto e desconfiança dessa ausência no reconhecimento do vigor poético de Dobal, pois poetas e críticos consagrados já se manifestaram em relação ao poeta, como Manuel Bandeira, que o tratou de “poeta por excelência, um visceral da terra”; e Wilson Martins que afirmou: “O Sr. H. Dobal retransforma a poesia brasileira e folclórica pelo instrumento da poesia erudita e literária”; e Fábio Lucas, que o chamou de “poeta autêntico, de alta consciência verbal e forte expressão lírica”. &lt;br /&gt;Justificativas para isso poderíamos especular diversas, mas uma delas nos parece ser mais aceitável: por conta do nosso isolamento histórico, desde nossa colonização, iniciada nas primeiros currais de pedra, desenvolvemos discursos que nos limitam ao meio.  Por conta dessas ações envaidecedoras ou até mesmo de certo receio ao externo, acabamos, com isso, consolidando um sentido de auto-suficiência nocivo para vida cultural local. &lt;br /&gt;Uma outra questão levantada que poderia justificar esse desconhecimento nacional de H. Dobal foi formulado por Ivan Junqueira, em depoimento apresentado no documentário de Douglas Machado, “H. Dobal – Um Homem Particular”, produzido pelo Instituto Dom Barreto e Trinca Filmes. Segundo Junqueira, Dobal não estava vinculado a nenhum grupo literário ou a concepções estéticas em moda da sua época, constituindo-se assim, um poeta singular, que acabou se isolando e ficando restrito apenas ao Piauí. Somando-se essas duas questões, que acabam desaguando no discurso do centro para periferia, e não o contrário, temos motivos que contribuem de forma decisiva para esse desconhecimento nacional do poeta. Outra proposição mencionada diz respeito ao caráter hermético de seus poemas, leitura interpretativa da qual discordamos, pois o que acreditamos é que, na produção do poeta, ele vai buscar em diversos meios e na tradição literária a realização do seu oficio, fundindo e difundindo suas concepções universais utilizando-se da sua terra como matéria a ser lapidada. A materialidade dos seus poemas, Dobal retira dos aspectos do cotidiano, da singeleza das ações e do ato do viver do homem desprovido de sentimentalidades excessivas.&lt;br /&gt;Esperamos diante das facilidades comunicativas de hoje possamos corrigir essa injustiça a um grande poeta. Tirá-lo da nossa exclusividade e levá-lo a degustação de outros sujeitos não só do nosso país continente. Lembrando sempre que para a boa poesia não há fronteiras que se justifiquem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-1381392006704200291?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/1381392006704200291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=1381392006704200291' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/1381392006704200291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/1381392006704200291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/09/razoes-que-nao-se-explicam.html' title='Razões que não se explicam'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-8886922882630341527</id><published>2010-07-02T18:24:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T18:24:56.240-07:00</updated><title type='text'>Novos autores e obras: Vozes do Sotão de Paulo Rodrigues</title><content type='html'>Zuenir Ventura tem uma posição que compartilhamos prontamente sobre as ameaças apocalípticas do final do século XX e inicio do XXI. Já que não é de hoje que se proclama o fim, por exemplo, da pintura com a invenção da fotografia, do cinema com a televisão, do livro com a internet, do autor, de Deus e tudo mais. Para Zuenir tudo isso não passa de histeria dos receosos da arte de se inventar e reinventar, diz ele: “acho que ocorre convergência e não antagonismo entre as tecnologias. Uma tecnologia nova exige o aperfeiçoamento da anterior, não sua extinção”.  Assim diante desta ideia o que devemos observar são as ações do reinventar, do tranfigurar. Portanto, nada o que se move e inova não se extingue o anterior, e sim, acrescenta-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à literatura devemos nutrir o mesmo sentimento. Não se pode dar continuidade a uma tradição, a nosso ver equivocada, que acredita que a boa literatura nacional só foi até a década de 20 do século passado e que dede então não há ou pouco se tem de grandiosas obras em nossas letras. Há sim, muitos autores ainda por serem visitados e revisitados que produziram antes, durante e depois do levante modernista, em sua maioria, autores dignos das nossas melhores observações. No contexto recente de autores com obras marcantes, destacamos dois romancistas: Milton Hatoum e Paulo Rodirgues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Hatoum, hoje, começa a fazer parte do cotidiano dos bons leitores nacionais que estão inseridos dentro e fora do meio acadêmico. Sua obra tem forte influência de alguns autores consagrados como Proust e Faulkner. O traço memorialista é uma constante em suas obras. Suas produções ainda que pequena em número, ganha ares de grandiosidade na qualidade como Relato de um certo oriente, Dois irmão e Cinzas do Norte todos romances merecedores de admiração e respeito. Acrescenta-se no rol de suas publicações ainda a novela Órfãos do Eldorado e o livro de contos Cidade Ilhada obras essas um tanto aquém quando comparada com as primeiras. Outro autor que deve ter o seu valor reconhecido é Paulo Rodrigues que somente aos 53 anos lançou seu primeiro livro à margem da linha, em 2001. Em 2004 publicou o livro de contos Redemoinho, escrito durante 25 anos.  Diz Luiz Paulo Faccioli ao escrever sobre Paulo Rodrigues: “A verdade é que o texto literário — situação que se aplica também às demais artes — não nasce no instante em que o autor se dispõe a escrevê-lo. Semelhante à gestação de um ser vivo, a produção artística começa muito antes de sua realização e nada mais é que o reflexo de um conhecimento sedimentado ao longo do tempo e da interpretação original que der o autor a esse conhecimento”. (Rascunho, 2003)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma linha de pensamento sobre o seu ato de produzir com parcimônia sua produções afirmou Paulo Rodriques que: “De fato não tenho ansiedade em publicar. Escrever é uma necessidade, publicar pode ou não ser uma conseqüência” (Rascunho, janeiro de 2010).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em 2009 foi lançado Vozes do Sótão, em que a ideia do livro surgiu a partir das anotações feitas pelo seu padrasto em uma cardeneta há 52 anos. Paulo Rodrigues despertou um forte sentimento de empolgação por parte da crítica e de alguns autores de grande projeção nacional com a sua primeira obra como Raduam Nassar. Nassar chega a afirmar que Paulo Rodrigues “maneja a língua de forma invejável”. Já Luiz Fernando Carvalho diretor cinematográfico que adaptou Lavoura Arcaica para o cinema define a produção de Paulo Rodrigues como uma “travessia interior, uma queda para o alto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vozes do Sótão narra o pequeno drama familiar de um homem simples e confuso, exilado no mundo, num mundo próprio tentando conviver com o passado que se apresenta constantemente em seu ser aterrorizando-o. Já nas primeiras linhas percebe-se o clima desconexo, introspectivo. Alguns fatos mencionados na narrativa lembram alguns contados por Dalton Trevisan. A fragmentação da escrita - influencia marcante de grandes autores como Clarice Lispector - com a intervenção de outras vozes agradam a leitura e insere o leitor nas angustias intimistas do narrador. A polifonia gera a tensão que se mantém durante todo desenvolvimento do enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relato é subdividido em dois pontos de vista. A voz da narrativa, na terceira pessoa destacado em itálico, descreve de forma objetiva os fatos do narrador (Damiano). Sujeito rejeitado pela mãe e pelo irmão Dagoberto. Estrume esta é a expressão utilizado pela mãe ao refererir-se a Damiano e constitui uma das marcas do desprezo da mãe. Damiano vive de maneira isolada, guardando em sua memória além das trágicas lembranças um estojinho de veludo já bastante desgastado pelo tempo em que depositava alguns objetos que pertenciam a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz parte da narrativa uma voz que vem das suas dolorosas marcas do passado, uma voz que emerge do sótão que assombra esse sujeito que tem como profissão ser alfaiate por ser algo obsoleto, demonstrando, no dizer de Lúcia Bettencourt “sua inadequação ao mundo que o repudia mesmo quando tenta integrar-se (Rascunho, dezembro, 2009). É um romance conflitante do inicio ao fim, que nos toma de sobressaltos todas as nossas expectativas sem nos decepcionar no final. Assim, Paulo Rodrigues constitui em uma agradável surpresa em nossas letras. Digno das melhores adaptações de suas obras para o cinema e acréscimo de um contingente cada vez maior de leitores de suas obras.&lt;br /&gt;[Herasmo Braga]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-8886922882630341527?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/8886922882630341527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=8886922882630341527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8886922882630341527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8886922882630341527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/07/novos-autores-e-obras-vozes-do-sotao-de.html' title='Novos autores e obras: Vozes do Sotão de Paulo Rodrigues'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-999781297821947513</id><published>2010-05-29T21:40:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T21:41:59.591-07:00</updated><title type='text'>DUAS ELITES / Rascunho</title><content type='html'>DUAS ELITES&lt;br /&gt;Os resultados e estratégias da "velha guerra" entre alta literatura e literatura de gênero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tereza Yamashita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro leitor, por um minuto esqueça que o mundo não é feito somente de extremos, que as coisas não são apenas pretas ou brancas. Esqueça todas as gradações, todos os matizes, todas as etapas intermediárias entre o sólido e o líquido, entre o líquido e o gasoso. Só por um minuto, vou precisar simplificar a realidade a fim de apalpar certo fenômeno que, como qualquer fenômeno deste mundo de certezas provisórias, sai irritantemente do foco sempre que alguém tenta capturá-lo. Agora venha comigo e procure pensar que no mundo literário existem apenas dois grupos antagônicos. Esqueça as outras possibilidades, os grupos menores de que cada grupo é feito, os conflitos e as contradições que agitam internamente as células de cada grupo. Só por um minuto, vamos simplificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine um grupo chamado crítica acadêmica. Esqueça que os subgrupos que o formam - multiculturalistas, estruturalistas, pós-modernistas, sociológicos, teóricos da recepção, etc. - estão em constante combate ideológico. Imagine outro grupo, chamado literatura de gênero. Esqueça que os subgrupos que o formam - new weirds, cyberpunks, new wavers, góticos, adeptos da FC hard, etc., para ficar apenas na ficção científica - também estão em constante combate ideológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido que a crítica acadêmica, praticada nas universidades e em boa parte da imprensa (a maioria dos jornalistas tem mestrado e doutorado, outros são professores universitários), torce vigorosamente o nariz para a literatura de gênero: policial, espionagem, ficção científica, fantasia, terror, etc. Também é sabido que os autores, os editores e os consumidores da literatura de gênero torcem o nariz, com igual vigor, para a crítica acadêmica e as obras que ela legitima. Isso deixa claro que o jogo literário, diferente do futebol ou do boxe, tem pelo menos dois conjuntos de regras. O critério aplicado pelo primeiro grupo na avaliação das obras literárias é o reverso do critério aplicado pelo segundo grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas elites, cada qual com sua balança e sua régua. A primeira diz que trabalha apenas com a alta literatura, com a grande literatura, com a Literatura com inicial maiúscula. Ela acusa a segunda de trabalhar somente com a baixa literatura, com a literatura vulgar, fácil, de entretenimento. A segunda elite acusa a primeira de ser elitista, aristocrática e esnobe, de só apreciar obras de linguagem complicada e obscura. As obras abençoadas pela segunda elite geralmente vendem mais do que as obras abençoadas pela primeira, que se ressente muito disso. E se vinga, fundando um clube muito mais elegante e prestigiado, chamado establishment, ao qual jamais permitirá que sejam admitidos uma obra ou um autor da segunda elite, que também se ressente disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois critérios de avaliação literária são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Critério da elite acadêmica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Linguagem original, conotativa, que não possa ser atribuída a outros escritores do presente e do passado, por vezes avessa à norma culta. O autor deve se expressar de maneira única, inaugurando seu próprio modo poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Subjetivismo. Narrador modernista, tortuoso ou fragmentário, psicológico, pouco confiável, às vezes delirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Enredo frio, pobre em ação, sem muitas peripécias ou surpresas, próximo da vida comum. A forma literária é mais importante do que o conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. O mundo interior do protagonista e das personagens é mais importante do que seu mundo exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Fuga do gênero a que (supostamente) pertence. Faz parte do desejo supremo de originalidade a rejeição das principais diretrizes do gênero a que a obra pertenceria. O novo romance quer transcender os limites do gênero romance, o novo conto quer transcender os limites do gênero conto, o novo poema quer transcender os limites do gênero poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Purismo. As obras fronteiriças ou mestiças, que apresentam elementos dos dois mundos, são violentamente rejeitadas pelo sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Critério da elite da literatura de gênero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Linguagem transparente, denotativa, por vezes complexa, mas ainda assim reconhecível por uma vasta gama de leitores. O autor deve se expressar respeitando a norma culta que orienta o uso do idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Realismo. Narrador clássico, organizado e disciplinado, pouco introspectivo, confiável, onisciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Enredo quente, rico em ação, cheio de peripécias e surpresas, afastado da vida comum. O conteúdo literário é tão importante quanto a forma, ou até mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. O mundo exterior do protagonista e das personagens é mais importante do que seu mundo interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Adequação ao gênero e ao subgênero a que pertence. O romance ou o conto policial, de fantasia ou de ficção científica respeitam as balizas que definem o gênero e o subgênero a que pertencem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Ecumenismo. As obras fronteiriças ou mestiças, que apresentam elementos dos dois mundos, se não são bem aceitas pelo sistema, ao menos não são sumariamente rejeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos autores do primeiro grupo caem em depressão ao perceberem que seu romance, ou sua coletânea de contos ou de poemas, é um retumbante fracasso comercial, apesar do amplo reconhecimento da crítica especializada. Jamais terão o número de leitores de que se julgam merecedores. Muitos autores do segundo grupo, diante do sucesso de vendas de seu romance, ou de sua coletânea de contos (raramente há poetas aqui), também ficam deprimidos ao perceberem que jamais terão o reconhecimento da crítica acadêmica e conseqüentemente jamais figurarão nas apostilas e nos compêndios do ensino oficial. Jamais pertencerão ao establishment.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns aceitam a contragosto a situação e seguem em frente. Outros esperneiam e brigam. Insultam. Dizem, os do primeiro grupo, que o Brasil não é um país de leitores (de leitores qualificados, é o que querem dizer), afirmam que a imbecilidade e a massificação reinantes são culpa da tevê e da péssima qualidade do ensino público. Dizem, os do segundo grupo, que os críticos acadêmicos confundem complexidade com complicação, afirmam que os membros dessa elite literária beneficiam as obras mais áridas e menos inteligíveis como estratégia de dominação cultural e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o maior pecado que os membros de cada grupo cometem é avaliar as obras do grupo adversário com o critério errado. Avaliar as obras da literatura de gênero com o critério da elite acadêmica gera todo tipo de mal-entendido. Avaliar as obras da alta literatura com o critério da elite da literatura de gênero também. Confusão e encrenca. Nada de proveitoso pode resultar dessa inversão de valores motivada pelo puro chauvinismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está o esboço em preto-e-branco do conflito alta literatura versus literatura de gênero. E se acreditarmos, concordando com o que Étienne Souriau escreveu em A correspondência das artes, que há certa analogia entre os diversos sistemas artísticos, esse esboço de uma luta de classes literárias poderá ser facilmente adaptado à esfera do cinema, do teatro, da música, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado, caro leitor, por aceitar meu convite e atravessar comigo uma paisagem simplificada, que, apesar do desenho esquemático e sem detalhes, parece representar relativamente bem um conflito real, um dilema que não é de hoje. E chegamos ao ponto principal da caminhada. Não ao seu final conciliador - estamos muito longe de encontrar a solução para o impasse -, mas ao meio: à simples, clara e objetiva formulação do problema. Uma formulação que procurou evitar as falácias tão comuns (sofismas, falsos axiomas, observações inexatas, erros de acidente) nas mesas-redondas e nos debates on e off-line. Para que você agora opine, concordando, discordando ou mudando o ângulo de visada e propondo outro modo de avaliar a situação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-999781297821947513?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/999781297821947513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=999781297821947513' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/999781297821947513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/999781297821947513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/05/duas-elites-rascunho.html' title='DUAS ELITES / Rascunho'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-8122024383277795929</id><published>2010-05-29T21:38:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T21:40:19.524-07:00</updated><title type='text'>A crítica como papel de bala</title><content type='html'>Reações de ressentimento nostálgico, e certo proselitismo agressivamente conservador, dominaram (até agora, salvo engano, sem maior ressonância) os necrológios de Wilson Martins, desde sua morte em 30 de janeiro deste ano. Mais do que avaliações de fato da trajetória e da prolífica contribuição documental do colunista e pesquisador, ou figurações autoelogiosas minimamente convincentes (mediadas pela do morto) para o crítico enquanto herói solitário e combativo, o que essas manifestações, vindas de segmentos diversos do campo literário, parecem evidenciar, ao contrário, é o apequenamento e a perda de conteúdo significativo da discussão crítica, assim como da dimensão social da literatura no país nas últimas décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado dessa retração, e em relação direta com ela, manifesta-se fenômeno curioso, espécie de negativo da situação — comentada à época por Roberto Schwarz — de dominância de uma cultura de esquerda durante os primeiros anos de ditadura militar no Brasil dos anos 1960. Agora há um conservadorismo que é francamente hegemônico. E envolve desde o retorno às figuras todo-poderosas do especialista monotemático, do agenciador com capacidade de trânsito inter-institucional e do colecionador de miudezas, às interlocuções preferencialmente de baixa densidade dos minicursos e palestras-espetáculo, do universo das regras técnicas e das normas genéricas e subgenéricas, fixadas acriticamente em oficinas de adestramento, à glamorização midiática de instituições autocomplacentes como a Academia Brasileira de Letras e correlatas, a formas variadas de culto a personalidades literárias, em geral mortas (e Clarice Lispector, Leminski, Ana Cristina Cesar têm sido objeto preferencial de dramaturgias miméticas, curadorias acríticas, ficções e comentários "à maneira de"), mas também em vida veem-se autores, mal lançados em livro, se converterem em máscaras que, com frequência, os aprisionam em marcas registradas mercadológicas de difícil descarte. Como se tornou, a meu ver, a trajetória tão distinta de Marcelo Mirisola e Patrícia Melo, para ficar em dois exemplos de escritores cuja produção poderia ir bem além do exercício automimético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idealização de Wilson Martins como imago exemplar do crítico, nesse contexto, não chega propriamente a espantar. Talvez a virulência com que ela tem sido feita nos elogios fúnebres, isso sim seja curioso. Uma virulência que supõe um conflito no entanto invisível, apenas virtual. Nada que se explique, entretanto, via clichê cordial. Pois não há lugar para cordialidade alguma num campo cuja retração e desimportância amesquinham e tornam ainda mais cruenta a disputa por posições, pelos mínimos sinais de prestígio e por quaisquer possibilidades de autorreferendo. Daí a truculência preventiva, propositadamente categórica, emocionalizada, nada especulativa. Espantosa talvez seja a falta de reação mesmo por parte daqueles cuja formação ou experiência crítica seria de molde a articular formas potenciais de dissensão. E que, ao contrário, recebem o autoapequenamento da crítica e do espaço para o debate público com passividade, resignação, quase desinteresse, incapazes de encontrar um campo ativo, mesmo minúsculo, de resistência ou interferência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez caiba, então, observação mais detida desses necrológios que figuram o colunista como um injustiçado, como uma espécie de herói solitário na pontualidade de suas resenhas semanais, em moldes idênticos, ao longo de cerca de seis décadas. Pois, se podem ser lidos como particularmente sintomáticos de uma redução do potencial de dissenso das intervenções no calor da hora, esses lamentos sinalizam, por outro lado, com singular acuidade, a perda de lugar social da crítica. O que os faz adotarem tom crescentemente exacerbado, agressivo, à medida que se percebem disfuncionais, e dispensáveis, mesmo em meio a um fluxo crescente de lançamentos, no que se refere à divulgação e afirmação de nomes e obras. Por vezes ainda lhes cabe o espaço de cerca de quarenta linhas de uma orelha ou de alguma declaração sobre a importância da obra. Ou o lugar meio envergonhado de um posfácio ou nota introdutória. Não muito mais do que isso ou as duas ou três laudas de uma resenha. Qual o interesse de um comentário crítico quando se pode obter muito mais visibilidade para escritores e lançamentos por meio de entrevistas, notas em colunas sociais e participações em eventos de todo tipo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabricam-se nomes e títulos vendáveis, vende-se, sobretudo o nome das editoras, e sua capacidade de descobrir "novos talentos" semestralmente, ao sabor das feiras literárias. E, nesse sentido, formas dissentâneas de percepção, como a crítica, se mostram particularmente incômodas. Formas personalistas e estabilizadoras, ao contrário, se esvaziadas, parecem continuar benvindas. Se adotado o perfil do colunista que "sabe ficar no seu lugar", que funciona, com voz opiniática, e sem maiores tensões, como moldura quase invisível, inconsequente, para o que o mercado editorial ou o próprio veículo quiser referendar. Se desse lugar sem qualquer ressonância não houver condições reais de intervenção, formulação de questões relevantes e expansão do mínimo espaço público talvez ainda disponível para um exercício crítico que não se confunda inteiramente com busca de prestígio ou com um guia de consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja necessário, na discussão de um espaço ainda crítico para a crítica, matar mais uma vez Wilson Martins. Já que sua transformação em imago exemplar parece expor inequívoca vontade de retorno a algo próximo à tradição das Belas Letras, a um regime estável e hierarquizado de vozes e gêneros, a regras fixas de apreciação e prática textual, a um apagamento de novos espaços de legibilidade, espaços ainda não demarcados ou nomeados, e sugeridos por formas de compreensão expansivas, e não exclusivas, do campo da literatura. Um desejo de reierarquização e pureza que não parece sem sintonia com o temor de um universo sóciopolítico menos hierarquizado, com a expansão meio informe de uma classe média cujo imaginário não parece ultrapassar uma coleção inesgotável de bens de consumo. E com uma extraordinária expansão das práticas digitais de escrita, acompanhada, paradoxalmente, no entanto, de uma quase invisibilidade coletiva dessas manifestações, de um encolhimento quase ao absurdo da esfera pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaco, então, a título de exemplo, dentre os textos sobre a morte de Martins que parecem operar de modo reativo um fechamento auto-afirmativo do campo literário, os de Alcir Pécora, professor da Unicamp, publicado no suplemento "Mais!" da "Folha de S. Paulo"; do escritor Miguel Sanches Neto, divulgado em publicação de circulação menor, e orientação orgulhosamente conservadora, o jornal curitibano "Rascunho"; e, por último, um post incluído no blog de Sérgio Rodrigues no portal de notícias do IG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de assemelhar-se aos demais no elogio fúnebre, em que a um velho modelo de crítica — como afirmação personalista do gosto — corresponde um território embelezado do literário, este último é o menos enfático dos três, sublinhando, mais de uma vez, meio a medo, o fato de "quase nunca concordar" com Martins. Desvinculando-se, assim, de maiores filiações, aponta simultaneamente, no entanto, "uma concordância maior", ligada a certa capacidade demarcatória, pois Martins seria alguém "que ousava falar de literatura de dentro", que parecia habitar o campo letrado, posicionando-se na contramão das "verdades importadas de campos fora das letras". O que interessa a ele parece ser a estabilidade identitária, uma garantia de intransitividade para o campo literário, o que a leitura de Wilson Martins invariavelmente oferecia, como uma ilha intemporal, propositadamente cega, sem lugar para a dúvida, em meio ao movimento relacional, autoinstabilizador da parte mais significativa do exercício crítico da segunda metade do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ecos de uma vontade de retorno a um literário-apenas-literário se notam, igualmente, nas outras duas notas fúnebres. A de Miguel Sanches Neto não à toa fala de Martins como "o crítico", aquele que seria uma mistura de "bibliotecário" extremamente abrangente, voraz, pois o seu interesse seria por "toda a produção nacional", e de "leitor seletivo", cujo território independente, personalista, seria imune a influências, compadrios, regionalismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma espécie de “posição sem posição” que, se já passível de discussão pela simples inserção num veículo comercial, pelo exame do conjunto de resenhas produzidas por ele ao longo dos anos, não apontaria, na verdade, para atributo propriamente invejável na experiência analítica. Nesta, ao contrário, são a capacidade de elucidação da própria cadeia argumentativa, e das condições de constituição do sentido e de formulação do juízo, ao lado da articulação de relações críticas significativas com a hora histórica alguns dos fatores preponderantes. E não uma sonhada disponibilidade sem limites ou uma capacidade de exaustiva amostragem e arquivamento da produção editorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto de Alcir Pécora opera exemplarização semelhante da figura do crítico, a começar do elogio duplo contido no título do artigo publicado na "Folha": "Erudito dissonante". Uma erudição que contrasta às áreas que lhe parecem dominantes nos departamentos de Letras — os estudos teóricos e os estudos culturalistas — e que figuram como oponentes surdos em sua reavaliação do trabalho de Wilson Martins. A vontade de afirmação da importância do crítico morto leva-o, nessa linha, a comparar o seu trabalho ao de Darnton e Chartier, apontando papel antecipador em seu interesse pela cultura material e pela história do livro e da leitura. Uma coisa, porém, é compilar material que poderá se tornar relevante segundo outra perspectiva de leitura, outra bem diversa é constituir conscientemente um objeto de estudo, um ponto de vista anaítico, uma operação crítica, ou a avaliação de um campo disciplinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não é possível ver crítica ou cronologicamente em Wilson Martins um precursor do trabalho de Henri-Jean Martin e Lucien Febvre ou da teoria das materialidades da comunicação, há outra ordem de atributos que levam Pécora a destacá-lo. Uma não-cordialidade propositada (aspecto talvez discutível, apenas aparente, se observam-se com cuidado os não violentamente criticáveis por ele e o que se resguarda, no seu caso, via antagonização); a truculência verbal (também não exclusiva, bastando observar, nesse sentido, alguns dos colunistas mais populares e longevos em diversas áreas e meios de comunicação); o orgulho de estar sozinho (quando, ao contrário, desde os anos de estabilização democrática, no país, são figuras marcadas exatamente por um conservadorismo ativo que têm se mostrado legião e emprestado a respeitabilidade de nomes já feitos às páginas de entretenimento e opinião dos jornais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os tempos políticos se mostram outros, e uma homogeneização impositiva parece barrar as cisões necessárias à experiência crítica do próprio tempo, quando já não se constituem, com facilidade, margens articuladas de resistência e situações definidas e consequentes de conflito, talvez seja mais fácil converter a crítica em operação reativa, disfuncional, mas virulenta, cujo motivo condutor passa a ser o retorno autocongratulatório a um passado de glórias, no qual os textos de intervenção podiam ainda provocar controvérsia, e o prestígio das Belas Letras enobrecia igualmente críticos e escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que parece, no entanto, nostálgico, reativo, talvez não aponte exclusivamente para um período anterior à formação da crítica moderna no Brasil, mas para uma reprodução esvaziada de sentido, e desligada de vínculos efetivos com a experiência histórica, de comportamentos, práticas de escrita e certo culto à autodivulgação e à vida literária que parecem se expandir (em prêmios, concursos, revistas, blogs, antologias, bolsas de criação) em movimento inverso ao da restrição que se opera no campo da produção e da compreensão da literatura, ao da quase total desimportância de livros e mais livros que se acumulam sem maior potencial de instabilização, sem provocar qualquer desconforto, sem fazer pensar. Uma restrição que talvez indique uma incapacidade não só da crítica, mas do campo literário, de modo geral, de reinventar a sua sociabilidade, de produzir condições outras para a própria prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro, nesse sentido, a resposta de Jacques Rancière quando indagado, em entrevista recente, a respeito de uma série de escritores contemporâneos. Sem desqualificá-los, comentaria, no entanto, distinguindo a atual da ficção de até meados do século XX: "Penso simplesmente que a literatura não inventa hoje categorias de decifração da experiência comum". E concluindo numa espécie desdramatizada de beco sem saída: "As formas de narratividade, de expressividade, de inteligibilidade que ela inventou foram apropriadas por outros discursos ou outras artes, ou banalizadas pelas formas de comunicação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do quadro local, o que Rancière sublinha, em perspectiva mundial, é a aparente interrupção de um período de vigorosa contribuição dos estudos literários às ciências humanas (como ocorreu ao longo do século passado), e de poder significativo de interferência e transformação do literário sobre outras práticas artísticas. O que não apenas no Brasil parece encontrar resposta compensatória à sua desnecessidade, e a uma fraca ressonância, em premiações, incentivos, edições de luxo. E numa ficcionalização autotélica de uma espécie de território exclusivo para o literário e sua crítica, de lugar sem condicionamentos ou ecos, que, hipoteticamente sem interferência de outras artes e disciplinas, se mostra, por isso mesmo, incapaz de se repensar e de estabelecer ligações mais consequentes com o próprio tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, como já demonstraram há alguns anos George Kornis e Fábio Sá Earp, e mais recentemente Jaime Mendes, em estudos sobre a economia do livro, se, em termos de oferta, de número de exemplares, o mercado literário vem apresentando um crescimento de mais de 30% desde 2004, isso não se tem feito acompanhar, todavia, nem do aumento de alcance dessa produção, nem de faturamento por parte das editoras, nem de capacidade de absorção por parte de consumidores e bibliotecas. E é como volta a um jogo entre iguais, a um território mais restrito, homogêneo e regulado, de relevância previamente estabelecida, como volta às Belas Letras que se pode compreender a virulenta ressurreição de Wilson Martins, o desejo de Sérgio Rodrigues de um campo puro do literário, a ideia de uma amostragem irrestrita como a de Miguel Sanches Neto (pois previamente demarcada por gêneros, dicções, territorializações diversas), o sonho com um tempo em que "a literatura e o crítico não pareciam ter que sair de cena", para voltar ao texto melancólico e, a meu ver, equivocado, de Pécora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, talvez seja exatamente desse "lugar estreito demais", e pouco público, desse ponto cego que talvez não se veja em jornais e nas manifestações mais concorridas da vida literária, que caiba à crítica e à literatura definir outros espaços de atuação e trânsito, lugares não demarcados (retroativamente) pelo beletrismo redivivo, nem pelas identidades estáveis do resenhista, do prefaciador, do professor judicativo, do ficcionista auto-mimético. Mas em movimentos de deslocamento nos quais a literatura e a crítica se vejam forçadas, como observa Agamben ao pensar sobre o contemporâneo, a mergulharem "a pena nas trevas do presente". E a saírem de si no sentido da figuração de novas formas de visualização e radicalidade. À maneira do que faz Carlito Azevedo ao reinventar a própria dicção em meio à tensão entre o poema como narrativa e percurso e a sua dramatização interna em estações imagéticas instáveis. À maneira do que fizeram Bia Lessa e Maria Borba, em bela operação crítica, ao amputarem cenicamente, em "Formas breves", a obra de Tchekhov, Kafka, Thomas Bernhard, Sérgio e André Sant’Anna, Almodóvar e mais e mais. À maneira da concepção musical de Rodolfo Caesar, na qual a reflexão em livro sobre a composição "Círculos ceifados", funciona como fator de variação operatória, como obra suplementar por meio da qual escrita e escuta se desdobram e interferem, sem coincidência, potencializando o campo de tensões em que se investiga a experiência composicional. Ou, para ficar em mais um exemplo apenas, como no enfrentamento quase de estrangeiro de Nuno Ramos diante da matéria verbal que, em livros como "Cujo" (Editora 34) e "Ó" (Iluminuras), adquire um nível singular de presença, parecendo intensificar-se exatamente pelo lugar de fora em que se processam essas intervenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*FLORA SÜSSEKIND é crítica literária, pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa e professora de teoria do teatro da UNI-Rio. Autora de "A voz e a série" e "O Brasil não é longe daqui", entre outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-8122024383277795929?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/8122024383277795929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=8122024383277795929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8122024383277795929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8122024383277795929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/05/critica-como-papel-de-bala.html' title='A crítica como papel de bala'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-6542326027663112528</id><published>2010-05-18T20:36:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T20:38:56.679-07:00</updated><title type='text'>A cartase do mercado</title><content type='html'>Em uma das minhas aulas sobre poesia brasileira, discorria sobre uma parte da teorização literária relacionada à estética da recepção. Na análise de uma das teses formuladas por Jauss ocorreu-me a lembrança do escritor Milton Hatoum. Considera-o como um dos mais promissores ficcionistas da atualidade. Hatoum é autor dos romances Relato de um certo oriente (1989), Dois irmãos (2000), Cinzas do norte (2005) e da novela Órfãos do Eldorado  (2008) e o livro de contos Cidade Ilhada (2009). Vencedor de vários prêmios literários como o Jabuti com os três primeiros livros. Observei que o tempo da primeira publicação para a segunda foram de 11 anos. Da segunda para terceira 5. Acredito que este distanciamento temporal tenha servido para um melhor lapidação das obras. Esse aspecto fica bem evidente quando se analisa os aspectos estéticos, pois a qualidade da primeira para segunda é notória. Já em relação as últimas obras, principalmente  em relação à novela a qualidade estética deixou a desejar. A escrita memoralista das primeiras publicações continua como força motriz do desenvolvimento da narrativa. A descrição de Manaus como componente orgânico, com vivências mescladas entre as inovações, tradições indígenas, espírito cosmopolita e isolamento geográfico e social se fazem presente no enredo. Todavia volto a destacar uma  das suas mais recentes produções devido qualidade aquém das demais. &lt;br /&gt;Acredito que esta perda não estar relacionada diretamente na leve mudança de gênero, mas associo a pressa do mercado.  Hatoum talvez tenha sido tragado conscientemente ou inconsciente pelo mercado. Escrever requer tempo e dentro de uma atitude iluminista concentração. A escrita de qualidade exige doação, entrega e não de pressa por ter o seu nome circulando em meio ao campo literário. Talvez esse meu pensamento possa estar sendo injusto com alguns produtores de ficção ou não que tem a pressão como umas de suas aliadas dentro do processo de composição. Mas no geral, penso eu, essa necessidade de ter a cada ano uma publicação se encontra mais associada a exigencia mercadológica do que excesso de criatividade.&lt;br /&gt;Não compartilho da ideia de que um escritor não escreva por dinheiro, e sim, por um ideal expressista. As necessidades de toda e qualquer individuo deve ser suprido pela força do seu trabalho, assim, o escritor que tem de sobreviver por mérito de seu ofício. No entanto, ressalvo que não se deve sempre atender o momento financeiro de agora e lançar ao público qualquer produção, pois isto estará, ao meu ver, compromentendo toda uma trajetória em que terá como fim próximo a substituição do agente por outro mais rentável. Portanto, deve o ficcionista impor o seu ritmo e continuar a primar pela sua excelência e não simplesmente se abdicar disso e acabar por cair no ostracismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-6542326027663112528?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/6542326027663112528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=6542326027663112528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6542326027663112528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6542326027663112528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/05/cartase-do-mercado.html' title='A cartase do mercado'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-5927731809542320596</id><published>2010-04-05T21:22:00.000-07:00</published><updated>2010-04-05T21:23:01.160-07:00</updated><title type='text'>Revista Desenredos</title><content type='html'>EDITORIAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das seções já conhecidas por nosso leitor, a revista dEsEnrEdoS traz, nesta edição, seu primeiro dossiê: Caminhos do regionalismo, onde pesquisadores de diversas instituições espalhadas pelo Brasil demonstram a complexidade da noção de regionalismo e sua força operacional, contrariando as expectativas de alguns apologetas da globalização. O lema destes pesquisadores do regionalismo que constam no dossiê pode ser resumido, com feliz precisão, por uma fala capital da pesquisadora Ligia Chiappini, em um texto de 1995: “em vez de explicar a obra regionalista bem realizada, negando sua relação com o regionalismo para afirmar imediatamente sua universalidade, seria preciso enfrentar, pela análise trabalhosa de cada caso, a questão de como se dá a superação dos limites da tendência, de dentro dela mesma, pela potencialização de suas possibilidades artísticas e éticas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a esta edição no momento em que o país ainda se recente da perda de Wilson Martins (1921-2010), um dos mais importantes e polêmicos intérpretes de nossa cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson Martins ousava uma atitude que a crítica oriunda das universidades morre de medo: emitia juízos. Os textos frutos das pesquisas universitárias ou trabalham com o já canonizado – o que pressupõe a desnecessidade de ajuizamentos valorativos, pois o que é canônico deve ser bom – ou passam por cima dessa questão porque o que interessa é usar o texto literário como pretexto para fazer política cultural. Os exemplos extremos – mas que, curiosamente, podem andar juntos – são a semiótica e os estudos culturais. A semiótica traz fôrmas universais que podem ser aplicadas indiferentemente à Divina Comédia ou às letras do Babau do Pandeiro. Já os estudos culturais consideram que a crítica é o campo estratégico de batalha contra a hegemonia branca, masculina e européia. Assim, o valor não está na obra, mas no sujeito-emissor e no grupo a que ele reivindica direitos. Tais teorias e suas congêneres, portanto, se eximem de emitir juízos de valoração estética, de separar o joio do trigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentam-se freqüentemente sobre os “erros” de avaliação crítica cometidos por Wilson Martins. Suas diatribes contra Jorge de Lima, por exemplo, deixaram muita gente incomodada. Mas tinha mesmo que errar muito quem, há décadas, escrevia textos num ritmo semanal. Quem dizia ler um livro por dia. Há erudições seletivas, como a de Harold Bloom, e erudições onívoras, como a de Wilson Martins. Isto, somado à desmitificação do papel social do crítico que ele abraçava como programa, explica porque às vezes construía polêmicas a respeito de obras que não valeriam à pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto no campo da pesquisa especializada e de fôlego como na pedagogia literária que Wilson Martins exercia através de seus artigos jornalísticos percebe-se uma marca meio século XIX, que é a confiança absoluta – Jorge Luis Borges diria “clássica” – na potência expressiva da linguagem. A primeira frase do primeiro volume (de um total de sete) da sua pretensiosa História da inteligência brasileira é a seguinte: “A história da inteligência brasileira começa em 1550, quando o Pe. Leonardo Nunes inicia os estudos rudimentares de Latim no Colégio dos Meninos de Jesus, em São Vicente” (2ª ed., 1977, p. 13). Nada de debate metodológico ou epistemológico; nenhuma exposição de controvérsias quanto a datas. De forma semelhante, a introdução aos 13 volumes dePontos de Vista (13 até 1997, podem ser mais) se resume a pouco mais que uma página. Wilson Martins confiava no seu bom gosto e na sua erudição, sem se preocupar em demarcar seu território de atuação ou em expor com exaustão os critérios que guiavam suas escolhas. Isto denotava menos anti-intelectualismo do que anti-exibicionismo. Na zombaria que ele fazia das correntes da crítica literária não havia despeito, mas uma profunda consciência do traço rebarbativo daquelas imensas maquinarias teóricas e de sua curta validade histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a erudição acadêmica e a mera divulgação publicitária de obras literárias, deveria haver um batalhão de Wilsons Martins. O Brasil só tinha um. E é à memória deste homem inconfundível que este número de dEsEnrEdoS é dedicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Editores&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-5927731809542320596?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/5927731809542320596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=5927731809542320596' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5927731809542320596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5927731809542320596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/04/revista-desenredos.html' title='Revista Desenredos'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-2588617144396799684</id><published>2010-03-12T17:36:00.000-08:00</published><updated>2010-03-12T17:39:21.361-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com Vila-Matas sobre O Ausente Presente por  Sérgio Miguez</title><content type='html'>Enrique Vila-Matas é um dos mais proeminentes escritores da atual literatura hispânica, nasceu em Barcelona em 1948 e já lançou 28 títulos em mais de 20 países. Seis de seus livros foram traduzidos para o Brasil: A viagem vertical, Bartleby e companhia, O mal de Montano, Paris não tem fim, Suicídios exemplares e acaba de sair do prelo Doutor Pasavento. Consagrado em 2006 com o prêmio da Real Academia Espanhola, uma de suas características é misturar sem medo ensaio e ficção, isso levou o crítico José Castello a dizer que sua obra “exige o aparecimento de um novo tipo de leitor, nem passivo nem ativo, mas desarmado e disposto a se deixar perturbar pelo que lê”, e a jornalista Bia Abramo a assinalar: “É um escritor singular, tão singular quanto os personagens que habitam seus livros”. Ao retratar, em três novelas, algumas das patologias que abalam grandes escritores, criou uma espécie informal de trilogia nomeada Catedral metaliterária, usando a literatura como marco de reflexão e ponto de fuga. Por essas e outras, a narrativa de Vila-Matas é leitura instigante e intrigante. A seguir, o autor com a palavra, numa pequena entrevista feita por e-mail e, surpreendentemente, respondida quase no mesmo instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o papel da literatura no mundo de hoje?&lt;br /&gt;Non olet (não cheira), foi a expressão que utilizou o imperador romano Vespasiano em relação ao dinheiro, em resposta a seu filho Tito Lívio quando este o recriminava quanto à cobrança de impostos pelo uso dos mictórios públicos. Hoje em dia, quando tudo gira em torno do dinheiro, é impossível que o pensamento e a arte literária ocupem lugar central. O máximo que temos é uma “cultura do ócio”. Nessas complicadas circunstâncias, os verdadeiros escritores fazem o que podem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que um dos temas centrais de Doutor Pasavento é a necessidade&lt;br /&gt;Aparentemente, o livro gira em torno do tema do desaparecimento. Um escritor consagrado deseja deixar de ser visto (quer se ocultar, à maneira de Salinger), decide que não quer escrever para logo ter de ser entrevistado e fotografado. Ao tentar desaparecer, descobre que ninguém se preocupa que tenha sumido. Isso o faz sentir-se ainda mais só do que acreditava estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência literária existe sem a experiência de vida?&lt;br /&gt;Vida e literatura seguem unidas em franca camaradagem. Nesse mundo, não há nada que não esteja ligado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como surgiu a ideia para sua Catedral metaliterária? O que existe por trás disso?&lt;br /&gt;Sem que eu tenha planejado previamente, Bartleby e companhia, O mal de Montano e Doutor Pasavento pertencem a um mesmo impulso criativo. Analisam três patologias dos escritores. O silêncio (Bartleby), a literatura como droga (Montano) e a necessidade de não ser visto, de escrever na sombra (Pasavento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaio e ficção se misturam em Doutor Pasavento. Qual a importância e o objetivo disso?&lt;br /&gt;A forma literária que emprego une ficção e ensaio sem permitir que se note o salto de um gênero ao outro. Na minha cabeça, não existem compartimentos fixos, não coloco fronteiras entre os gêneros. Pensamento e ficção caminham juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pensar que somos o que cremos ser”, no dizer de Pasavento, é uma viagem transformadora ou uma armadilha nefasta?&lt;br /&gt;Eu sou outro. Se isso fosse verdade, seria um consolo. “Não sou desenraizado: simplesmente não tenho raízes”, diz. Qualquer simulacro de enraizamento que não seja metafísico, metabiológico ou metatemporal, o rechaço, o vômito… A única verdade que me ilumina, que me dá esperança é o “eu sou outro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são os escritores e as obras fundamentais em sua vida?&lt;br /&gt;Digamos que, no século passado, não havia nada superior à profunda e profética obra de Kafka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você está lendo agora?&lt;br /&gt;William Gaddis, Flann O’Brien, Roberto Bolaño, Maria Alzira Brum Lemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que trabalha neste momento?&lt;br /&gt;Publico na França e na Espanha minha nova novela Dublinesca e o breve ensaio narrativo Perder teorias. E estou escrevendo meu novo livro Doctor Finnegans y monsieur Hire.©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-2588617144396799684?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/2588617144396799684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=2588617144396799684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2588617144396799684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2588617144396799684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2010/03/entrevista-com-vila-matas-sobre-o.html' title='Entrevista com Vila-Matas sobre O Ausente Presente por  Sérgio Miguez'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-5183260465042606796</id><published>2009-11-14T12:20:00.001-08:00</published><updated>2009-11-14T12:38:49.562-08:00</updated><title type='text'>Entrevista do Airton Sampaio concedido ao ensaísta Herasmo Braga em setembro de 2009</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sv8R4FAwmYI/AAAAAAAAAGc/diQA1r6EMww/s1600-h/apaixonada-por-leitura-_-knbk-incubadora-fapesp-br1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 301px; height: 384px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sv8R4FAwmYI/AAAAAAAAAGc/diQA1r6EMww/s400/apaixonada-por-leitura-_-knbk-incubadora-fapesp-br1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404057732983593346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Airton Sampaio de Araújo é contista, novelista, cronista e articulista. Teresinense, publicou, individualmente, "Painel de sombras", contos, 1980, e "Contos da Terra do Sol", 1996, tendo participado de diversas coletâneas, entre as quais se destaca "Vencidos", contos, 1987, ao lado de J. L. Rocha do Nascimento, José Pereira Bezerra e M. de Moura Filho, e "Sob um CéAzultigrino", novela, em Concursos Literários do Piauí, 2005, além de várias premiações. Organizador do livro Geração de 1970 no Piauí: contos antológicos. Formado em Letras (1982) e Direito (1984) pela Universidade Federal do Piauí, é professor-mestre-adjunto no Departamento de Letras da referida Universidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nasceram-me.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não pequei o suficiente.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não aprendi dançar um tango argentino."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Airton Sampaio&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Herasmo Braga: Em que época e quais circunstâncias o encaminharam para a literatura?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Logo na entrada do ensino médio, menino ainda, decidir escrever. Não foi fácil. Escrevia e rasgava, escrevia e rasgava, escrevia e rasgava e achava que não conseguia produzir um só texto por falta de talento, o que desanimava bastante. Só depois vim a ter consciência de que o texto raramente se oferece pronto e que precisa ser construído. Então aquela angústia inicial de escrever e rasgar passou. É claro que Painel de Sombras, meu livrinho de 1980, ainda não pode, a rigor, ser chamado de literatura, mas não o posso renegar porque lá já estão os germes de algumas coisas boas que, acho, eu faria depois. Comigo não teve essa história de li fulano ou sicrano e resolvi escrever, até porque na adolescência o que eu lia muito mesmo eram livretos de faroeste, hqs e seriados de tv, coisas fora do cânone literário. Nesse cânone, o primeiro a me conquistar, ainda que eu não entendesse bulhufas, foi Machado de Assis. Penso que foi a ironia dele a responsável pelo encanto, sei lá...   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Herasmo Braga: Como se deu sua aproximidade/proximidade com o conto? E por quê?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro conto saiu num jornalzinho mimeografado que a gente editou na então Escola Técnica Federal do Piauí, na década de 70. Parece que se chamava A Cova do Anjo e fez um pequeno sucesso ao meu redor, embora eu imagine que o texto fosse bobinho. O mais foi daí pra frente... &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Herasmo Braga: Como constitui o seu processo de criação?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Pode acontecer de repente ou não. Quer dizer, se ocorrer de repente a ideia de um conto é porque ele já vem dentro de mim. Posto no papel, não tem jeito. Há que se burilar o texto que veio de primeira mijada, às vezes até desistir dele. Mas não sofro com isso não. Acho que a escrita é assim mesmo. É praticamente impossível algo em primeira, segunda ou mesmo terceira versão já ficar pronto para publicação. Como diz Umberto Eco, a escrita é um objeto preguiçoso...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;Herasmo Braga: Quais autores influenciaram ou influenciam na sua formação de contista?&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Qualquer bom contista me influencia, pertença ou não ao cânone literário. Então, passaria linhas e linhas citando nomes e contos, contos e nomes. Mas no Piauí arrisco citar o M. de Moura Filho, para mim um baita contista.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Herasmo Braga: Como o senhor avalia a tradição brasileira na produção de contos?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Não sei se é melhor que a poesia, mas sem dúvida é melhor que a romancística e a cronística. O conto é um gênero que deu certo no Brasil, e vocês sabem que praticamente nada dá certo nesse complexo país de elite hiperegoísta e povo supermanipulável.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Herasmo Braga: E dentro da literatura nacional de expressão piauiense, como o senhor avalia a tradição contista?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O conto é uma manifestação literária que nos acompanha, no Piauí, desde o Romantismo. Tivemos grandes contistas, como Carlos Castelo Branco, com Continhos brasileiros, de 1953. Ma infelizmente a vertente que mais vingou foi a do regionalismo tacanho ou regionalismo de segunda linha, capitaneado por Fontes Ibiapina. Creio, sem querer puxar brasa para nossa sardinha, mas já puxando, que esse modo de contar foi superado pelo Grupo Tarântula da Geração de 1970, que legou um conto mais urbano, mais estetizado e mais moderno.  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: Ainda dentro da pergunta anterior quais os aspectos o senhor destacaria desta tradição?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A tradição é, como já disse, muito regionalista, no sentido menor da palavra.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: Harold Bloom sempre levanta a tese que não temos tanto tempo para ler tudo o que seria de extrema importância, portanto uma seleção criteriosa deve ser realizada de forma minuciosa. Ele propõe uma lista canônica das obras de grandes autores imprescindíveis que não podemos morrer sem termos lidos ou mesmo nos considerarmos como escritores com ausência destas leituras. Gostaria de saber, então, qual a sua concepção sobre essas formações canônicas “vitais” e quais seriam as suas obras fundamentais?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;O cânone é importante como uma referência qualitativa, mas é preciso não esquecer que na sua formação não entram critérios exclusivamente estéticos. As escolhas e imposições políticas são uma evidência, tanto que se torna inexplicável, por exemplo, a não inclusão de Da Costa e Silva no cânone parnasianista e simbolista brasileiro, cheio de nomes sem dúvida menores que ele.          &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: Qual seria suas considerações a respeito do novo contexto da literatura nacional? Quem o senhor destacaria e por quê?&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Acho que a internet nos trará boas novas. Mas ainda precisamos esperar para ver. É claro que o livro jamais morrerá, porém é ótimo termos um mídia a ele alternativa, como a internet. Dela virá, se é que já não está vindo, uma literatura digna de nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Herasmo Braga: Nesse nosso contexto, percebem-se inúmeras questões em relação à literatura- suas teorias e suas obras. Qual ou quais mais lhe incomodam? Por quê? E quais delas vêm recebendo a sua atenção?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma teoria literária me incomoda. O que me incomoda é o desconhecimento delas e o seu equivocado uso. Por exemplo: certa feita, uma estudante me pediu para que o ajudasse a fazer um trabalho universitário sobre a carnavalização na obra de O. G. Rêgo de Carvalho. Achei impossível aplicar essa formulação de Backthin à obra de O. G. Que carnavalização há na obra de O. G? Só com muita forçação de barra se pode detectar isso. Outro exemplo é um professor como o Luís Romero Lima pôr Fontes Ibiapina como vanguardista. Ora, isso não é uma escolha pessoal: vanguarda tem uma demarcação definitória que não permite esses arroubos impressionistas. Isso incomoda. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: Há dentro da teoria e da critica literária novas considerações advindas dos estudos culturais. Será que o senhor concorda que a literatura em seu sentido maior tem sido deixada de lado, principalmente nos aspectos estéticos ao se privilegiar outras questões mais sociais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A literatura é basicamente linguagem estetizada, mas não só. Centrar-se apenas na literatura como estética é, a meu ver, o mesmo erro que olhá-la somente como expressão de questões extraliterárias. Sempre digo que literatura é linguagem, linguagem, linguagem e vida e não só linguagem, linguagem, linguagem e linguagem.  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: Tenho observado que dentro de um mundo mais compacto em que as distancias temporais e espaciais tornam-se menores, alguns escritores levantam a bandeira do regionalismo literário, entre eles temos Assis Brasil do Rio Grande do Sul que só publica seus textos em editoras do seu estado. Como o senhor avalia este regionalismo? Será que o regionalismo de 30 não fora muito mais de estilo do que geográfico?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Não consigo ver nenhum regionalismo que não seja tentativa de autoafirmação de um lugar ou de um modo de vida posto em desigualdade, numa relação assimétrica. Se não esquecermos as profundas intenções separatistas dos gaúchos, hoje inconfessadas mas existentes, então... E nas periferias culturais, como o Piauí, o regionalismo também é forte. Ou seja, não há como falar de regionalismo sem considerá-lo uma atitude, em primeiro lugar, política, de quem busca dizer até para si mesmo: eu existo! &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: Quando o senhor realizou a pesquisa sobre os contistas da década de 70, pensei que colocaria apenas autores que publicaram naquele período, mas temos algumas presenças que só agora começam a ter mais visibilidade com suas publicações. Qual o motivo que fez o senhor ampliar o leque e englobar esses que aparecem no livro e são recentes?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Porque um autor não se forma de bate-pronto. Ele se forma ao longo dos anos. Foi o caso do Wellington Soares, que não publicou na própria década de 70, mas, sendo formado lá, publicou só muito tempo depois. Com certeza, o Wellington não é um autor da Geração de 2000 só porque publicou a partir daí.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: E entre os críticos quem o senhor apontaria como realidade ou promessa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O melhor, sem dúvida, é o Ranieri Ribas, apesar do seu estilo um tanto empolado, que o torna chato e até inacessível. O Wanderson Lima só me desagrada porque é muito sectário, mais até que os piores momentos de minha Geração, que ele acusa, exatamente, de sectarismo. Você, Herasmo, tem todas as condições de ocupar também esse espaço, já que tem formação teórica e sensibilidade para tanto. E deve haver outros, embora não muitos, que agora me fogem à lembrança. De qualquer forma, Ranieri e Wanderson são grandes e incontestes avanços em relação, por exemplo, a Chico Miguel de Moura e Herculano Moraes, nomes máximos, no Piauí, da crítica compadresca. Não cito o Adriano Lobão porque para mim ele é o poeta por excelência do Grupo Amálgama: tem talento e consciência do que faz. Só não gosto quando ele renega seu primeiro livro, um vezo ogerreguiano que só deve ocorrer em situações muito específicas.     &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga: Em relação às revistas literárias como o senhor analisa as possíveis contribuições na formação de leitores e divulgação literária. Quais delas o senhor destacaria?&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A Revista Pulsar, apesar de ser muito fechada, foi uma grande revista. A Amálgama, principalmente em sua versão internética, tem contribuição deveras relevante. As demais, até onde lembro, são oficiais demais: Presença, Cadernos de Teresina, De Repente... Quanto à recepção, enquanto não houver um investimento maciço em divulgação (outdoors em profusão, chamadas televisivas intensas, merchandising forte, etc), não me convencerei de que o autor piauiense não vende. Ou o Paulo Coelho venderia sem todo esse aparato midiático? Publicar hoje é até fácil. Duro mesmo é divulgar a obra e distribuí-la...   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-5183260465042606796?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/5183260465042606796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=5183260465042606796' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5183260465042606796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5183260465042606796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/11/entrevista-do-airton-sampaio-concedido_14.html' title='Entrevista do Airton Sampaio concedido ao ensaísta Herasmo Braga em setembro de 2009'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sv8R4FAwmYI/AAAAAAAAAGc/diQA1r6EMww/s72-c/apaixonada-por-leitura-_-knbk-incubadora-fapesp-br1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-8734855826587281352</id><published>2009-11-14T12:13:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T12:40:29.992-08:00</updated><title type='text'>Crônica: Chaves imaginárias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sv8QKCLsTuI/AAAAAAAAAGU/Z-J9XE5mOI4/s1600-h/henri-lebasque-1865-1937-franca-jeune-filles-lisant-au-parc-ost.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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Ela nos mostra outros mundos, abre janelas em nossa vida, nos mostra outras pessoas, vivendo outras situações, outras histórias, outros enredos. Saímos deste nosso mundo mais fechado, individualizado, e nos abrimos a um mundo muito maior, onde há muitas coisas mais. Sobretudo, a literatura faz cidadãos. É uma forma de a gente se civilizar. Então, não conheço nada mais importante que nos melhore como seres humanos, do que ler livros”. Percebemos com esse depoimento que o universo literário é repleto não só de significados, mas de vivências. É através das trocas de palavras que trocamos experiências e dentro dessa reflexão Lívia Garcia-Roza complementa em sua entrevista: “o que fazermos senão trocar palavras? É isso que a gente faz na vida. Trocamos palavras. E como é importante saber o que o outro disse, o que pensou. Nos términos amorosos, ficamos atingidos quando o outro não nos diz nada, quando sai sem dizer uma palavra”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; Na vida quando há o silêncio ocorre não só reflexões, mas também rompimentos. Os términos são marcados pela ausência de palavras. Quando não há diálogo, não há realizações, não há troca, não há experiências. Viver é sentir e aprender com as palavras. São mais felizes talvez aqueles que lançam palavras espontâneas. Palavras sentidas, metaforizadas. Repleta de significações e possibilidades. Nesse universo de espontaneidade e pluralidades significativas que também encontramos no trabalho literário de qualidade. É nesse momento que a vida se realiza quando há a estetização do real ou ficcionalização real.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Costumamos tomar as coisas, na maioria das vezes, como algo definitivo ou como um fim. Não nos imaginamos em meio a um processo de sentir e aprender. Precipitamos-nos em decisões ou nos afastamos de oportunidades. Assim constituímos nossos dias diante das não realizações. É nessa lacuna de sentimento de autoconfiança que abrimos espaços para as leituras errôneas, para as escritas mal formuladas, para pessoas sem acréscimo. Acomodamos-nos, assim, diante do viver. Não lemos, não escrevemos, não propomos diálogos, não proporcionamos aprendizagens. Vamos vivendo sem nenhum arranhão que nos traga sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O maior patrimônio da humanidade é a sua força criadora. A imaginação é quem move e dinamiza a vida, seja ela em sociedade, seja ela no interior de cada um. A materialização dessa força movedora se dá no momento do pensamento, na junção de palavras e imagens. Nessa aparente fragmentação que nos constituímos. É na ausência das palavras e das imagens que o instante poético perde a sua razão de ser e o nosso de viver.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-8734855826587281352?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/8734855826587281352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=8734855826587281352' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8734855826587281352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8734855826587281352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/11/cronica-chaves-imaginarias_14.html' title='Crônica: Chaves imaginárias'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sv8QKCLsTuI/AAAAAAAAAGU/Z-J9XE5mOI4/s72-c/henri-lebasque-1865-1937-franca-jeune-filles-lisant-au-parc-ost.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-1947624000701142758</id><published>2009-08-18T12:20:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T17:52:37.703-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o ensaísta e poeta Wanderson Lima</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosHTFfvB7I/AAAAAAAAAFU/K0BAtN-vfAc/s1600-h/linguagem-corporal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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text-align: center; line-height: normal;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Herasmo Braga&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Como você situa hoje a literatura?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;br /&gt;Há uma literatura pejada de auto-consciência, voltada para exercícios metalingüísticos e auto-reflexivos. É mais ou menos o que John Barth chama de “literature of exhaustion”, uma espécie de “borgeanização” da literatura (infelizmente, sem a mesma consciência crítica e densidade de pensamento que Borges punha em seus escritos). Metaficções,citações, intertextos, clonagens, colagens, simulacros, homenagens, pastiches, paródias, plágios. Há uma outra literatura imersa num hiperrealismo que o mais das vezes é um maneirismo refinado, e não uma forma de consciência aguda do social. Digo isto não para condenar o refinamento estético, mas apenas para acentuar que “realismo” de certos escritores (Rubem Fonseca, por exemplo) é bem menos sociológico do que certa crítica supõe. Há também a literatura engajada das minorias marginalizadas, fortemente empenhada nas tarefas de correção política e alargamento do cânone, porém pouco atenta à qualidade estética dos textos (para alguns engajados, “qualidade estética” é o nome que se dá a um trambique secular que o Ocidente branco e rico armou para exercer sua dominação). É comum essas vertentes confluírem entre si, e o resultado pode ser de alta excelência, como se vê no sul-africano J. M. Coetzee. Mas na maioria das vezes este coquetel ou gera obras pedantes ou de mau gosto. De um modo geral, nestes tempos em o sujeito foi demitido, todo texto é intertexto e a linguagem é quem fala o sujeito, a literatura abandonou as experiências densas, considera narrar uma coisa ingênua e evita uma abordagem “direta” da realidade. Quando tenta resgatar estas experiências ou cai na nostalgia (o historicismo de que nos fala Fredric Jameson) ou no engajamento ingênuo. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Em relação às produções literárias e      cinematográficas há autores que você acompanha ou prefere ser adepto dos já consagrados?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;br /&gt;Não concordo que tradição seja sinônimo de opressão ou de embuste ideológico. Assim, dou primazia, em literatura e em cinema, aos “consagrados”, ao cânone. Para mim, reler Camões é mais interessante do que sair à cata de novidade. Nietzsche nos aconselha a tornarmo-nos, deliberadamente, anacrônicos por algum tempo. Como? Lendo o antigo e esquecendo os modismos de nosso tempo. Este exercício reforça muito nossa auto-crítica, permite-nos julgar os valores de nossa época com um distanciamento mínimo, porém necessário. No entanto, sou irremediavelmente do meu tempo. E, por isso, não abro mão de conferir o novo ou o ainda não “consagrado”, quando não por outros motivos, ao menos por dever profissional. Leio e assisto a muita coisa nova, principalmente assisto. Esta semana, por exemplo, conheci o cinema do chinês Hou Hsiao-Hsien e o da iraniana Hana Makhmalbbaf, artistas poucos conhecidos no Brasil, mas possíveis renovadores da sétima arte.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Você compartilha da idéia, apontada por alguns, que a poesia tomou um caminho da decadência e a prosa vigente é estéril de inventividade tanto do ponto de vista da linguagem quanto das construções dos enredos?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;“Inventividade” é um conceito da alta modernidade inconveniente para se ler obras da atualidade. Supõe um teleologismo que, numa visada geral, foi superado. “Decadência” é outro termo digno de contestação, algumas das quais coincidem com a que fiz ao termo anterior. É difícil esperar, de nossa época, mais que auto-reflexões e ironias. Porém, isto não me parece, no caso de artistas como Borges e Kiarostami, entre tantos outros, coisa de menos.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Que autores do cenário nacional você      destacaria na prosa e na poesia?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Creio que me peça nomes que estão se firmando ou que, esperamos, irão se firmar; assim o farei, evitando citar figurões. Na prosa, Francisco Dantas, Milton Hatoum e Bernardo Carvalho. Na poesia, Claudia Roquette-Pinto, Rodrigo Petronio, Augusto Contador Borges, Fernando Paixão, Régis Bonvicino, Cláudio Daniel, Edson Sebastião Macedo, Donizete Galvão, Adriano Lobão Aragão e o Fabrício Carpinejar dos primeiros livros. A profusão de nomes que cito em poesia – poderia ter citados uns 2 ou 3 a mais – dá-se mais porque leio mais este gênero, pois a prosa, a meu ver, anda mais vigorosa. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Enquanto crítico, como você analisa e se situa      dentro das teorias literárias?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Meu anseio é me tornar ensaísta, daí certo ceticismo quanto a conceitos, escolas e doutrinas. O ensaio detesta lugares fixos, enrijecimentos conceituais, descuidos com o estilo em prol da propalada objetividade científica. Não se trata de depreciar os conceitos e o rigor; a questão é não fetichizá-los, colocando-os em primeiro plano, como muitas vezes eu já fiz e não quero voltar a fazer. Em termos de teoria literária, leio muita coisa e quero crer que fique algo das especulações marxistas (daquelas mais abertas e dialéticas, como Benjamin), dos estudos sobre mímesis e do pós-estruturalismo francês.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Em relação aos emergentes Estudos Culturais,      você os considera como ampliação dos horizontes das teorias e criticas      literárias ou os toma como um sentido invasivo de outras discussões que      fogem, em tese, das formulações tidas como literárias?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Remeto o leitor interessado ao meu artigo “A Virada cultural e a crise dos estudos literários”, onde trato com certo vagar desta questão. Reproduzo a seguir, com pequenas alterações, um fragmento deste artigo:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;O desafio dos estudos literários é provarem que têm função específica que não pode ser preenchida pelos estudos culturais. Esta função parece ser: preencher o reducionismo deixado pelos culturalistas, isto é, demonstrar que uma obra literária é sempre algo mais que um produto da e uma intervenção na cultura. Para que isso ocorra é preciso mostrar que o paradigma axiológico dos culturalistas é complementar e não oposto ao paradigma interpretativo. Nesta perspectiva, os estudos culturais e os literários são complementares, e não opositores. Um explora a obra enquanto objeto de cultura; outro dá preferência a questões formais e estéticas. A crítica cultural exige achegas formais, e nisso precisa do instrumental da teoria literária; a crítica literária não pode cair no imanentismo de outrora, e nesse ponto os estudos culturais ensinam como evitar a ingenuidade de considerar uma obra literária como produtora de conhecimentos desinteressados. Para que os estudos literários tenham algum valor social deve-se entender que a independência do estético não significa seu isolamento. Falar da literatura é dar um diagnóstico sobre a cultura.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Não se trata, porém, de propor ingenuamente uma conciliação entre os rebentos de Platão, ainda que às avessas, que propõem um eticização da estética (como nos estudos culturais) e os rebentos de Nietzsche que propõem uma estetização da ética (como na maior parte dos estudos literários). Ao fim e ao cabo, a situação dos estudos literários é no mínimo complexa: eles têm, ao mesmo tempo, que admitir o caráter nebuloso e ideológico da estética sem, no entanto, abdicar dela. Eles têm que teorizar para resolver estas questões complexas sem, no entanto, transformar esta teorização num isolamento das questões gerais.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Nesta amizade bélica – ou, noutra pauta, nesta guerra amigável – a tendência é dar-se a razão para os estudos culturais, que estão sempre, presumivelmente, do lado do politicamente correto. No entanto, a oposição radical nem sempre está do lado do mais “correto”. Como observa Leyla Perrone-Moisés, a abolição de gêneros e hierarquias interessa ao poder, que necessita de produtos transnacionais e de “moda mix”. O mercado, esta metanarrativa mais poderosa que qualquer relativismo cultural, sabe dar a cada um o seu lugar. Sabe democratizar a crítica aos valores a fim de anulá-la. Diluir o texto literário no caldeirão da cultura pode significar não exatamente superar uma tradição elitista chamada estética, mas, simplesmente, apagar da literatura sua zona mais inegociável contra o poder hegemônico.   &lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Affonso Romano de Sant’anna nos apresenta na      sua mais recente obra O Enigma vazio, a tese de que estamos rodeados por      uma “crítica do endosso”, i.e, “um arco-íris verbal sobre o nada”. Você      concorda com esta afirmação? Por quê?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Só não concordo com esta metáfora de mau gosto que ele inventou. Com pontuais exceções, a crítica hoje ou se reduz a fazer publicidade de livros ou a debater questões teóricas inteiramente concernentes à academia. Sobe isto Terry Eagleton escrevera um pequeno e belo livro, traduzindo no Brasil com o título “A função da crítica”. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Sérgio Paulo Rounet afirma em seu livro As      razões do Iluminismo que o homem erudito é um ser em extinção. Se isso      acontece, quais seriam as razões a seu ver? E esta extinção anunciada      trará forte impacto ao mundo intelectual ou não?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Há razões sociológicas que explicam a demissão do homem erudito que estão além da minha capacidade e do meu horizonte de leituras. Intuitivamente diria que o funcionamento do capitalismo exige um especialismo em todos os setores. Além disso, a massa de informação, a pletora de publicações e descobertas chegaram a um ponto assustador. Some-se a isto, no caso do Brasil, a burrice de nossos gestores em educação, cultura e pesquisa. O “Homo Lattes” ideal – ouvi esta certeira expressão de um amigo – é o especialista na pata esquerda anterior da mosquinha de asas translúcidas. Se aparecer um problema na pata direita da tal mosquinha, ele nada poderá (ou quererá) dizer sobre ela. Se eu vou fazer um concurso para uma cadeira de literatura, por exemplo, meus artigos sobre cinema não contam, ou contam apenas a metade. Como se literatura e cinema fossem fenômenos distantes ou mesmo inconciliáveis. Imagine se eu escrevesse sobre ornitologia, ou sobre astrofísica. B. B. King já deu aulas de guitarra em universidades americanas; no Brasil eles dariam preferência a um imbecil diplomado. Sérgio Paulo Rouanet, que você cita, é um de nossos poucos eruditos e inimigo dos especialismos. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Para ser um crítico literário competente a      erudição se faz necessária? Por quê?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Como não sou erudito, e mesmo assim pratico a crítica, serei contraditório se responder sim. É lógico que o escopo de leitura de um crítico deve ser o mais abrangente possível, mas erudição nem sempre vem acompanhada de sabedoria, rigor, sensibilidade e intuição. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Pierre Bayard em seu livro Como falar dos      livros que não lemos desenvolve o discurso da desnecessidade de se ler      tudo, afirma ele devemos nos ater “a visão de conjunto, e toda leitura é      uma perda de energia na tentativa, difícil e tomadora de tempo de dominar      o conjunto” e “as relações entre as idéias importam muito mais, no domínio      da cultura, do que as idéias propriamente ditas.” Quais as suas      considerações em relação a esse pensamento? Será que situar-se diante      delas já é o suficiente?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Pierre Bayard enuncia algo sensato, mas que não passa do “óbvio ululante”. Diante da pletora de livros, revistas e teses, temos que agir seletivamente e não perder a visão de conjunto. Porém, o efeito mais provável desse livro de Bayard é apaziguar a consciência dos semi-cultos e dos preguiçosos. Acho que a atitude que devemos ter em relação às nossas leituras é agir como se pudéssemos, um dia, ler tudo que há de interessante nas áreas em que pesquisamos. Isto é otimismo, não loucura ou presunção. Acho que, no que concerne à leitura, cada um tem seu ritmo e suas necessidades, e ninguém sério, que leia para crescer pessoalmente, precisa de desculpas do tipo que Bayard, mesmo com humor e descontração, propõe. Ninguém necessita ler tudo, portanto ninguém precisa falar do que não leu.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Quanto à segunda pergunta: situar-se dentro de uma visão geral é uma necessidade humana (Borges brinca inteligentemente com isso no conto “Funes el memorioso”) e só a situação concreta é que dirá se é ou não suficiente.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;  &lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Como você analisa o pensamento daqueles que      criam e recriam fronteiras literárias, às vezes, limitando-se a leitura de      obras pertencentes somente a um Estado, País ou língua?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Considero um pensamento falacioso e limitador e, portanto, discordo completamente. Reafirmo com Octavio Paz: o patriotismo não é apenas uma aberração moral – é, igualmente, uma falácia estética. Nenhuma literatura se desenvolve apenas através de uma dinâmica interna: há sempre autores de fora interagindo e transformando os sistemas. Além disso, o mister das literaturas não se limita a descrever a “alma nacional”, os “valores da terra” e coisas do tipo. Nomes como “poesia piauiense”, “literatura brasileira”, “romance latino-americano” deveriam ser usados apenas por seu valor pragmático, e não porque se referem a “essências”. Quando se começa a essencializar só se produz histórias da literatura teleológicas e unívocas, falsas por inventarem continuidades sem rigor, ou mesmo arbitrariamente. Pense no nosso Estado: ninguém duvida de que esta vasta e complexa catedral que é a “Tetralogia Piauiense” esteja fincada em vicissitudes históricas, políticas e geográficas da realidade piauiense, mas sua filiação literária vem de alhures, da experiência pioneira de Faulkner e quiçá do cinema, não sendo, em absoluto, fruto de um amadurecimento de algo como o sistema literário piauiense. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Como se deu o surgimento e o desenvolvimento      da sua paixão por cinema?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Surgiu quando assisti ao filme “Da vida das marionetes”, de Ingmar Bergman, trazido à minha casa num sábado, acho que em 1999, pelo amigo Ítalo Gustavo. Havia combinado com Ítalo que durante a semana deveríamos ler algum texto (livro completo ou não) para debater no sábado. Certa feita, em vez de texto, ele trouxe o filme. Assistimos, e a discussão foi proveitosa. Antes, eu já gostava muito de filmes (cults e não cults), mas nunca havia discutido nenhum do ponto de vista cinematográfico. Só se entende uma arte quando se começa a apreendê-la como linguagem, e não como estímulo para se debater sociologia, psicanálise ou o que seja. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ul type="disc"&gt;&lt;li class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Percebe-se na leitura de seus textos que você      considera o cinema como produção de arte. Quais os cineastas e filmes que      fazem parte do seu repertório de estudos fundamentais da sétima arte?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;  &lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;A discussão que colocava o cinema na linha de fogo entre indústria e arte já está bem velhinha. A idéia de que haja algum artista que conceba sua arte como fruto exclusivo de suas ruminações pessoais, assim como a de que haja alguma arte que se eleve acima do reino “nefando” da mercadoria, não passa de ingenuidade. Mesmo um Beckett e um Godard, artistas que implodiram seus próprios meios expressivos com o fim de não se tornarem palatáveis, acabaram sendo incorporados como tempo. Não nego a grandeza ética do gesto deles, mas apenas assinalo uma realidade, a de que cultura e mercadoria, no capitalismo tardio, são inseparáveis. Claro que isto não nos autoriza a passar uma plaina e dizer que Shoei Imamura e James Cameron, ou Thomas Bernhard e Stephen King, são a mesma coisa. É aí que entram a “postura ética” e o “talento” (termos, admito, imprecisos!). Mas cuidado! Não se trata de repetir a preconceituosa contraposição entre “cultura de massa” e “alta cultura” com o fim de condenar a primeira. Prefiro assistir o “hollywoodiano” M. Night Shyamalan ao “cult” Kim Ki-duk. Por um simples fator: Shyamalan é competente e, apesar da forte pressão do mercado, sabe engendrar discussões e produzir linguagem; Ki-duk incha seus filmes de títulos pretensiosos e imagens bonitas, mas pouco há sob a crosta dessas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Quanto a cineastas e filmes fundamentais, bem, são muitos, e lista longa é coisa chata. Buñuel, Bergman e Pasolini eu acompanhei com carinho e certa sistematicidade. Abbas Kiarostami destruiu e reconstruiu muito do que eu pensava sobre cinema, e mesmo sobre arte em geral. Devo a ele e a Borges uma grande mudança em meu modo de ver as coisas.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-1947624000701142758?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/1947624000701142758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=1947624000701142758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/1947624000701142758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/1947624000701142758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/08/entrevista-ao-ensaista-e-poeta_18.html' title='Entrevista com o ensaísta e poeta Wanderson Lima'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosHTFfvB7I/AAAAAAAAAFU/K0BAtN-vfAc/s72-c/linguagem-corporal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-3386439222466603803</id><published>2009-08-15T10:32:00.000-07:00</published><updated>2009-08-15T10:48:21.995-07:00</updated><title type='text'>Reflexões historiográficas: os labirintos dos dizeres e pensares</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sob0sCFGLpI/AAAAAAAAAEg/5fq-NCq-eOU/s1600-h/kafka.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 277px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sob0sCFGLpI/AAAAAAAAAEg/5fq-NCq-eOU/s400/kafka.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370248642995564178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O historiador um homem moderno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;... Qual imagem devemos ter do último leitor? Qual o significado tem o leitor no mundo de hoje? Que tipo de intervenção a leitura, ou melhor, a sua pratica insere nos dias?&lt;br /&gt;Questionamentos como esses há séculos vêm à tona no imaginário social, principalmente nos contextos moderno ou pós-moderno. Na contramão no aprofundamento destas inquietações, observamos que a prática da leitura e sua intervenção no mundo vêm sendo diminuídas. Grandes autores, grandes obras e principalmente grandes leitores parecem ter sido expulsos das representações dos dias contemporâneos. A leitura, dizia Ezra Pound, constitui uma arte da réplica que no mundo pragmático, imediatista e midiático tem menor espaço.&lt;br /&gt;O homem moderno é aquele que a cada momento se distancia mais da leitura, da essência da linguagem, que teria tido na poesia o seu surgimento como supõe Octavio Paz em O arco e a lira. A escrita desvincula-se da escritura e aproxima-se do pragmatismo da comunicação em que à marca da eficiência é a exposição objetiva, enxuta e fria da linguagem. Com isso, deixam-se de lado outros elementos realizadores da formação das subjetividades como a descoberta, o encantamento, a imaginação e a reflexão.  O leitor borgeniano está fadado ao fracasso, pois mapas de leitura não serão mais estimulados e essa figura que lê mal, distorce, tergiversa passará a ser imagem de outrora. O individuo de hoje se perderá na biblioteca mais por questões do espaço físico do que pelos livros.&lt;br /&gt;O leitor aficionado que ler até pedaços de papel pelas ruas como D. Quixote será mais lembrado pelo ridículo da ação destemperada do que pelo fascínio da qual a leitura proporciona.&lt;br /&gt;Kafka reflete bem esse conjunto de acontecimentos em suas obras. O homem moderno se faz ali presente, não somente como personagem, mas na realização da linguagem. Em seus textos temos as constantes interrupções que torna a leitura suspensa, as passagens inacabadas, os fatos inesperados, as acusações aleatórias, tudo isso faz parte do inconsciente coletivo do homem moderno. Um sujeito fruto da interrupção do mundo, do niilismo desenfreado, das perdas de referências e valores, um constante inacabado, suspenso, preso ao consumo sem limites e em estado permanente estudo  da qual irá anular as suas singularidades.&lt;br /&gt;É sob a égide dessas inquietações que proponho uma reflexão sobre o historiador moderno ou pós-moderno e o seu leitor. Aproximo para efeito desta análise as figuras do historiador e do artista. Observa-se primeiramente que as possíveis diferenças entre o historiador e o artista já foram marcadas desde século V a.c com Aristóteles. Dizia ele, toma-se a figura do historiador pela aproximação da sua narrativa com o fato, comprometendo-se somente em descrever o possível e o acontecido, já o segundo, o artista, a ele se daria à liberdade de se relatar o que poderia acontecer, i.e., os possíveis. Com isso, Aristóteles firmava que a aproximação do historiador era com o fato e somente a ele deveria, portanto, se voltar. Enquanto ao artista se dava a liberdade criativa e imaginativa, todos os impossíveis lhe são disponibilizados. Em suma era como se o trabalho de um tivesse a obrigação com a verdade e o outro com a imaginação.&lt;br /&gt;Durante os séculos essa vertente fora mantida, no entanto, essa tradição de discernir o historiador do artista, encontra-se presente apenas nos discursos conservadores, pois a relação do escrever historiográfico não se encontra mais imune à imaginação do historiador, muito menos ele esta comprometido somente com a verdade. O que acontece com nos diz um brilhante texto de Sérgio Buarque de Holanda é que um completo historiador só se fará quando neste estiver presente o espírito de compromisso com a narrativa factual com o acréscimo da sua força imaginativa. Nesta presença da força imaginativa encontram-se no trabalho historiográfico aspectos formativos do sujeito como os traços memorialistas e com eles as suas paixões, seus anseios, seus dizeres. Gilberto Freyre representa bem essa ação construtiva analítica de uma sociedade e de seus aspectos históricos. Hoje revisto, mas antes demonizado, Freyre explorou outros aspectos da formação social brasileira. Privilegiou o cotidiano e os seus afazeres. Expôs de maneira sensual a condição racial brasileira. A ele ridicularizaram ao estereotipá-lo como pensador formador de uma idéia equivocada de miscigenação baseada no mito da democracia racial. Quantas injustiças devem ser revistas...&lt;br /&gt;Hoje, o historiador pauta-se nas analises discursivas. Pesquisa menos e teoriza mais. Teorização que se dá muitas vezes pelo teor especulativo do que a materialização dos dizeres. Esse sentimento de exaustão dos modelos parece atuar de maneira mais intensa sobre os cientistas sociais. Seus falares são mero mosaicos de outros dizeres que causam mais impacto pela confusão do que pelas proposições.&lt;br /&gt;Rever essas posições e buscar soluções que possibilitem um caminhar mais atuante e significativo do trabalho historiográfico deve ser um pensamento constante daqueles que buscam estar em constante formação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-3386439222466603803?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/3386439222466603803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=3386439222466603803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/3386439222466603803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/3386439222466603803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/08/reflexoes-historiograficas-os.html' title='Reflexões historiográficas: os labirintos dos dizeres e pensares'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/Sob0sCFGLpI/AAAAAAAAAEg/5fq-NCq-eOU/s72-c/kafka.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-640883296451527742</id><published>2009-08-15T10:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-15T10:27:21.393-07:00</updated><title type='text'>Conto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SobvSH25O0I/AAAAAAAAAEY/jUQ0NqMcwvQ/s1600-h/Tedio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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Ela mulher já bem vivida, de outros relacionamentos, casamentos. João ainda despontava para as primeiras namoradas quando a conheceu. No inicio não a levava a sério. Acreditava em ela ser somente um vaso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Casaram-se. Tiveram filhos. A convivência oscilava, brigas e pegas. Maria gostava de beber. João quase sempre era tomado pelos ciúmes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;- Eu não confio nem na minha sombra!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Um dia Maria chegou tarde em casa, esse fora motivo suficiente para João descarregar toda a sua ira, sem cobrar explicações. A discussão era alta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;- Você é uma vagabunda!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;- E você um moleque.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;- Quebre meus dentes novamente, covarde.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;- Saia de perto de mim sua merda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Assim à noite &lt;i style=""&gt;dos amores&lt;/i&gt; aconteceu. Não era a primeira vez que isso acontecia, mas seria a última. Após as trocas de acusações, recolheram-se. Nesta noite João dormiu no quarto da menor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Dia seguinte: passaram um pelo o outro sem nada dizer. Não havia olhares, nem passos marcados com barulho pelo assoalho. Dificuldades com isso, no primeiro momento sim. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Outro dia a mesma seqüência. Sem falas, sem olhares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;-Isso é passageiro! Acreditavam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Finalmente aconteceu: a repetição dos dois últimos dias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;- Se eu for atrás será pior. Por que sempre sou eu a ceder?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Assim foi a semana seguinte, o mês, o ano, a década. O que antes era estranho deixou de ser. Nenhum era capaz de abandonar a casa. Não de luxo. Casebre arrumado. Os filhos cresciam em meio a esse silencio. Acostumaram-se. Não havia mais brigas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;O maior adoeceu, motivo urgente para reatarem. Não aconteceu. Cuidavam dele sem olhar, sem falar. Gestos, mímicas, mediadores, nada disso. Pareciam automaticamente programados. Cada um desempenhava seu papel junto ao enfermo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Restabelecido a saúde, recolheram-se.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;Esse era o assunto tocado pela vizinhança quando não se tinha mais nada a falar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;- Como eles fazem para..., e... , também..., por isso eu...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 45pt;"&gt;O tempo passou e a velhice chegou. Tudo permaneceu. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-640883296451527742?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/640883296451527742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=640883296451527742' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/640883296451527742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/640883296451527742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/08/conto.html' title='Conto'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SobvSH25O0I/AAAAAAAAAEY/jUQ0NqMcwvQ/s72-c/Tedio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-2827046140013407510</id><published>2009-05-10T16:28:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T13:07:22.676-07:00</updated><title type='text'>Ensaio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXDzZCnQhI/AAAAAAAAADA/NqIrpiX8ukE/s1600-h/GE0203.1157.A.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 142px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXDzZCnQhI/AAAAAAAAADA/NqIrpiX8ukE/s400/GE0203.1157.A.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369913418371777042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Literatura, cetiscismo e cinema&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Herasmo Braga&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Octavio Paz no livro O arco e a lira destaca que a linguagem originou-se da poesia: "a poesia é a memória feita imagem e esta convertida em voz. A outra voz não é a voz do além-túmulo: é a do homem que está dormindo no fundo de cada homem". Com esta consideração passa-se a questionar o que vem a ser realidade e o homem. Observa-se que com assertiva de Octavio Paz, o homem parece distanciar-se de si e da realidade. Assim, um dos possíveis caminhos de retorno ao ser original seria através pela busca da poesia.&lt;br /&gt;Entende-se então através deste anúncio a necessária ficcionalização para o viver social e humano. Essa ficcionalização que até hoje é tida por muitos como apenas uma forma de entretenimento, em nada condiz com a sua real condição. A realidade pára o homem. Com ela o homem deixa de sonhar e de realizar. Viver em mundo ausente de cores é castrar o homem de toda a sua potencialidade criativa e de vontade de viver.&lt;br /&gt;Mas como viver em mundo de perdas de referencias? Esse é o questionamento que inúmeros indivíduos se fazem diante de uma atitude reflexiva. No entanto, acrescento a esta angústia outro viés de que são essas incertezas que movem o mundo, portanto, a dinamicidade da vida encontra-se subjugada, em vários momentos, a essa incessante dúvida sobre tudo.  Longe de ser um pensamento modista ou pedante, uma das ações cabíveis neste é momento é tentar entender e relacionar essas dúvidas. É preciso lembrar que muitas destas certezas de outrora, simplificavam o mundo diante de uma única visão: católica, protestante, marxista, comunismo, cientificismo, darwinismo, positivismo e outros ismos. Nestes pensamentos desde da época das suas formulações já fragmentavam o mundo e o seu pensamento, limitando o homem na sua capacidade de pensar e sentir. Portanto, o mundo deve ser pensado dentro da sua complexidade e o melhor a ser feito é vivê-lo. Esse pensamento aproxima-se muito da ação da leitura ficcional não só de livros, mas de outras formas como o cinema em que o que deverá resultar ao final de cada uma das etapas é a vivencia. Assim, as obras ficcionais devem ser consideradas como acúmulo de vivências.&lt;br /&gt;Adverte-se nessa acumulação o discernimento de perceber o que Ecléia Bosi no livro Cultura de Massa e Cultura Popular: leituras de operárias faz sobre cultura popular e cultura erudita. Ela considera em determinados contextos “dois grupos que se defrontam: um, cujas realizações culturais significam socialmente; outro, cujas realizações assumem significação quando postas em oposição à cultura dominante”. Não se pretende aqui travar uma discussão sobre cultura popular x cultura erudita, mas destacar o significado expresso na frase “cujas realizações culturais significam socialmente” é neste aspecto que consiste um dos erros do mundo de capitalização de símbolos que vivenciamos. A vivência clamada nas obras ficcionais é desfeita quando o sentido primeiro é a representação social do individuo, i.e, é preciso que os outros me vejam na livraria, no teatro, no cinema.&lt;br /&gt;Assim diante deste mundo de homogeneização, representação e inflação de valores e não de virtudes, o individuo questiona-se: qual o sentido de viver? Com essa busca de sentido abre-se vissuras para o mercado da auto-ajuda orientem as vidas das pessoas. Mas onde encontrar linhas norteadoras do viver que possam me conduzir na luta diária da sobrivência? Filosoficamente, indica-se na junção de três elementos: ceticismo, literatura e cinema.&lt;br /&gt;Affonso Romano de Sant’anna, em uma crônica denominada Os céticos, lançou o seguinte pensamento: “O ceticismo é o barateamento de uma certa filosofia. O cético não vive, desconfia. Não participa, espia. Não faz, assiste. O cético (em não fazendo nada) se julga melhor que todos os que fazem”. Complementando no final: “Fosse Deus cético e não teria sequer dito fiat. Nem Colombo teria partido para a América com aquelas três caravelas. O cético tem paralisia na alma. O irmão gêmeo do cético é o cínico”. Observa-se o quanto reducionista é o pensamento de Romano de Sant’anna sobre os céticos. No entanto, esse pensamento não é exclusividade de Sant’anna, ele meio que predomina na inteligência brasileira. Confunde-se muito o ceticismo com o niilismo, pessimismo, agnostismo. Todavia, o cerne do pensamento cético consiste na análise das proposições levantadas seguida por uma suspensão de juízo. Essa ação pode ser vista como uma maneira de se manter alheio as decisões, i.e, não se comprometer. Mas deve ser encarada como um processo de aprendizagem necessário em alguns momentos, pois senão vejamos:&lt;br /&gt;Será que se é necessário sempre se tomar partido de algo? Muitas vezes quando realizamos tal ação submete-se ou a lei do convencional, ou a fé cega, ou as circunstâncias. Todas essas situações desprovidas de análise crítica e aprofundada da questão. Ter o posicionamento cético não é acovodar-se, mas realizar um exercício intelectual de estudo dos diversos campos e correntes e se isso não significa não chegar a uma conclusão, como os maiores críticos do cetismo proclamam, mas sim, poder desfrutar do sabor do entendimento sem julgamentos precipitados. Veja um caso clássico dentro do universo ficcional.&lt;br /&gt;O que faz com que inúmeros leitores voltem-se sempre a ler e a discutir os romances machadianos em especial Dom casmurro. Será que se o enigma Capitu não existisse os olhares curiosos seria o mesmo voltado para a obra? A indecisão sobre o comportamento de traição ou não de Capitu realiza a suspensão segura do juízo e eleva os sentidos estéticos e intrigantes da obra. Dentro deste universo há inúmeros outros exemplos, mas o que cabe destacar é a interatividade como a obra, a troca de vivências, a suspensão dos juízo equivocados ou definidores. Vivenciar dentro das indecisões de cada dia, absorver o melhor e se lançar ao aprendizagem esse é o sentimento que deve predominar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-2827046140013407510?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/2827046140013407510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=2827046140013407510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2827046140013407510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2827046140013407510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/05/ensaio_10.html' title='Ensaio'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXDzZCnQhI/AAAAAAAAADA/NqIrpiX8ukE/s72-c/GE0203.1157.A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-8433854598295306104</id><published>2009-05-10T16:24:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T16:27:52.125-07:00</updated><title type='text'>Convite a leitura e reflexão</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.desenredos.com.br/"&gt;http://www.desenredos.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://wandersonlimatorres.blogspot.com/"&gt;http://wandersonlimatorres.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;http://adrianolobao.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-8433854598295306104?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/8433854598295306104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=8433854598295306104' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8433854598295306104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/8433854598295306104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/05/convite-leitura-e-reflexao.html' title='Convite a leitura e reflexão'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-5515037420198721894</id><published>2009-05-10T15:38:00.001-07:00</published><updated>2009-08-18T13:12:55.406-07:00</updated><title type='text'>Produção literária: conto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosLKMEyZNI/AAAAAAAAAFk/H_j0slrDjCM/s1600-h/estrada.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 281px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosLKMEyZNI/AAAAAAAAAFk/H_j0slrDjCM/s400/estrada.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371399250237351122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Na estrada&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega à alegria da família.  Aquele materializava as privações e o muito trabalho. Mais uma conquista. Hora de conferir a bagagem.&lt;br /&gt;_ Cuidado para que não esqueçam de nada. ... a imagem logo pôr do sol visto sob o horizonte embriaga as mentes de todos...&lt;br /&gt;No decorrer da viagem João vai apresentando as funções para Maria.&lt;br /&gt;- Esse botão indicará qualquer alteração no desempenho do motor. Aquele assegura que as portas estão fechadas.&lt;br /&gt;- Como esse carro corre, né João!&lt;br /&gt;- Você ainda não viu nada mulher, estou apenas triscando no acelerador.&lt;br /&gt;Tudo tranqüilo. Uma luz acende e indica algo estranho no novo. João encosta. Abre o capú. Verifica mesmo sem conhecimento algum de mecânica, muito menos da parte elétrica.&lt;br /&gt;- Deve ser algum mau contato.&lt;br /&gt;Retoma o caminho e a velocidade na estrada. Mais adiante mais uma sinalização no painel. Novamente, João encosta o carro e questiona:&lt;br /&gt;- Mas como? Se é novo!&lt;br /&gt;- Calma, João, deixa ele um pouco parado, você correu demais.&lt;br /&gt;- Tudo bem, vamos esperar um pouco, falta ainda muita estrada, mas o dia estar longe de acabar.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Finda-se a inquietação. Motor ligado, retomada a viagem. Alguns quilômetros depois a luz pisca. João ignora, acredita mesmo ser mau contato. Acelera. Acelera. Acelera. Metros depois o carro pára. Nada mais funciona. João se maldiz&lt;br /&gt;- Calma homem, esse seu desespero não vai resolver nada.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;-Precisamos de ajuda.&lt;br /&gt;- Mas como no meio desta estrada?&lt;br /&gt;- Iremos esperar alguém passar e parar.&lt;br /&gt;Carros de todos os tipos, tamanhos e cores passaram, mas nenhum confiou que havia alguém precisando de ajuda. Até que na insistência contínua de João um caminhoneiro parou.&lt;br /&gt;- Amigão, estou com problemas com carro e gostaria de uma carona.&lt;br /&gt;- Sei que na próxima cidade tem um mecânico que pode lhe ajudar.&lt;br /&gt;Como não cabiam todos na cabine, tiveram que optar.&lt;br /&gt;- Mulher é perigoso, você não pode ficar aqui. Vá com ele e traga o mecânico.&lt;br /&gt;- Não João, eu não ando com estranhos.&lt;br /&gt;- Vai mulher é o único jeito.&lt;br /&gt;- Não...&lt;br /&gt;Mulher...&lt;br /&gt;_ ...&lt;br /&gt;- Vai peste, agora estou mandando!&lt;br /&gt;- E se acontecer algo comigo?&lt;br /&gt;- Não vai acontecer nada, essa coisa de caminhoneiro ajudar na estrada é rotina deles.&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;- Você vai por bem ou por mal.&lt;br /&gt;Depois de sucessivas trocas de ofensas, Maria, obrigada, entra no caminhão.&lt;br /&gt;- Volte o mais rápido possível, já esta ficando muito tarde.&lt;br /&gt;Em cólera Maria não dá confiança a essas últimas palavras de João.&lt;br /&gt;Partiu o caminhão. João nunca mais viria a sua Maria. Naquela noite tiveram de dormir ele e as crianças ao relento, perdido naquela escuridão e alheio aos carros que passavam na longa estrada e que continuavam a desdenhar de qualquer ajuda.&lt;br /&gt;A fome e a sede eram suportáveis, mas o menor continuava perguntando sempre pela mãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-5515037420198721894?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/5515037420198721894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=5515037420198721894' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5515037420198721894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5515037420198721894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/05/producao-literaria-conto.html' title='Produção literária: conto'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosLKMEyZNI/AAAAAAAAAFk/H_j0slrDjCM/s72-c/estrada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-3872888190681833901</id><published>2009-04-21T12:34:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T13:25:52.938-07:00</updated><title type='text'>Exegese cinematográfica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXIRFodAOI/AAAAAAAAADo/k7ZB0ZpAgeY/s1600-h/cinema1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXIRFodAOI/AAAAAAAAADo/k7ZB0ZpAgeY/s400/cinema1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369918326604366050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tudo que é imagina tem&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“A minha missão é revelar a verdade e somente a verdade... seja mentira, seja capturar a mentira. Tocar na cara ou então ensinar a mostrar o que eles não sabem os inocentes...não têm mais inocente... tem esperto ao contrário” essas são as frase iniciais do documentário de Marcos Prado Estarmina. A apresentação inicial do documentário traz aspectos interessantes como as imagens em preto e branco um tanto turva e a música atípica (típica dos países árabes) que nos remete a um mundo, apesar da proximidade espacial, distante, socialmente falando.&lt;br /&gt;Estarmina é a personagem real a ser revelada. Ela divide a sua morada em uma das periferias do Rio de Janeiro e o aterro sanitário da cidade onde retira os elementos que compõe a sua vida. Estes materiais recolhidos e imaginários servem de instrumentalização da logicidade aparente. A apresentação social das condições subumanas em que milhares de pessoas são submetidas em busca da sobrevivência diária, nos faz lembrar ao neorealismo italiano com um única distinção: não há uma estetização da realidade. O teor que permeia a câmera tem como projeção a decadência humana em que os sujeitos são lançados em mundo em pleno consumismo. Em relação a este aspecto, Estermina externaliza uma observação, diz ela:”quem ensinou o homem incondicional ensinou a construir também, ensinou a conservar, não ensinou a trair, humilhar, atirar, ensinou a ajudar”. Estou construção simples de idéias que mais parecem um dos receituários dos livros de auto-ajuda hegemônico no mercado livreiro, vem de uma criatura que sofre diversos distúrbios mentais. Esses distúrbios garantem a Estermina uma singularidade, uma luicidez percorrida por outros caminhos. Nota-se a conscientização diante dos modos vivere de indivíduos retirados pelo meio por não serem dotados de nenhuma serventia social sob a ótica capitalista.&lt;br /&gt;Apesar da mescla entre documentário e cinema no sentido strito do termo, uma das cenas mais interessantes do filme de conteúdo metafórico, advém do enfoque dado aos urubus que sobrevoam o lixão. Com um jogo interessante no uso da imagem quando o quadro é aberto não traz nada de novidade, mas quando a câmera ativa enfoca apenas um em um sobrevôo descontextualizado do chão, traz à tona a temática da liberdade. Essa alusão sirva para referir-se a Estarmina, não com ensejo romantizado de que é na loucura ou na alucinação que se encontra as verdades, mas a possibilidade de pensar além dos dejetos em que ela e de certa maneira nós consumimos e somos consumidos.&lt;br /&gt;Ao final da exibição você se mantém desfocado do estigma da racionalidade. Documentário longo e perturbador, pois mexe com os brios humanos e sociais aos quais estamos vinculados. Vale apena assistir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-3872888190681833901?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/3872888190681833901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=3872888190681833901' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/3872888190681833901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/3872888190681833901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/04/tudo-que-e-imagina-tem.html' title='Exegese cinematográfica'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXIRFodAOI/AAAAAAAAADo/k7ZB0ZpAgeY/s72-c/cinema1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-2253336532398224665</id><published>2009-04-07T22:52:00.001-07:00</published><updated>2009-08-14T13:23:47.336-07:00</updated><title type='text'>Produção literária: crônica do Super Poder</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXHx9-UGGI/AAAAAAAAADg/kQQm5LT7KAE/s1600-h/fotos_usar_no_vosso_site_blog_gratis_free.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 255px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXHx9-UGGI/AAAAAAAAADg/kQQm5LT7KAE/s400/fotos_usar_no_vosso_site_blog_gratis_free.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369917791972628578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A vida é mais do que uma encenação. A tragédia por mais genial que seja o seu construtor, não consegue ser tão mais completa quanto as que  a realidade cria e recria, cotidianamente. Lembro-me de inúmeras sensações vivenciadas ainda nesta minha curta trajetória. Dentre elas quero agora destacar duas: a primeira de uma infância próxima, a outra do inicio da vida adulta.&lt;br /&gt;Quando criança desejava imensamente saborear as diferenças de quem tem super poderes e os outros desprovidos deles. Queria muito voar com uma capa, subir em prédios sem uso de equipamentos, ter uma super espada, um robô gigantesco ao meu comando, i.e, ser um herói, imortal e protetor das pessoas. Mas quem na infância não vivenciou esta maravilhosa experiência, por mais difícil que tenha sido.&lt;br /&gt;Há uma afirmação do contista e tradutor Modesto Carone que concordo plenamente: as pessoas não vivem sem ficção e esse elemento da vida faz parte de toda experiência humana. Até mesmo Paulo Honório em São Bernardo não conseguiu se abster dela porque senão qual seria o motivo de relato da sua história e a idealização da Madalena?&lt;br /&gt;Recordo bem a nostalgia sentida quando li a crônica de Affonso Romano de S`antana “Antes que elas cresçam”. Apesar de minha filha ter apenas dois anos de idade na época e eu vinte três, começava a perceber que elas “não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente”.Já imaginava naquele momento a vida nos distanciando. Sensação amarga esta! O que poderia substituir aquela chegada de escola recheada de tagarelices, aventuras, intrigas, exigências... E a sensação que “Deveríamos ter ido mais  vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir  sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância...” Após o susto de fuga do presente, retomei o aqui. Estava meio aliviado por perceber que ainda poderia curtir um pouco mais minha banbina.&lt;br /&gt;Procurei-a, então, pela escola para aproveitar o máximo desses momentos antes que saía do banco de trás e passe para o volante de sua própria vida.&lt;br /&gt;Retornando ao assunto. Da primeira passagem a última já se passaram vinte anos, da segunda, cinco. Ao longo desse lapso de tempo, muitas coisas aconteceram. Ganhos e aprendizagens. Amigos vieram e alguns se foram cedo, (não esqueço de vocês Lis e Raimundinha), mas um dos maiores momentos veio há um ano: com a chegada do outro filho. Fiquei tão maravilhado que quase entortei o garoto oferecendo o meu nome, concedendo-lhe então o título de segundo, mas a mãe dele o salvou. Hoje dia 12 ou 13 de um março qualquer, ele sem intenção alguma, uniu essas duas sensações, já meio esquecidas. A forma não foi das mais convidativas, mas acredito numa continuação feliz.&lt;br /&gt;Continuo ,sim, desejando ter super poderes, mas não mais os mesmos, quero outro, mais forte e eficiente em que voar, escalar prédios com rapidez, desferir golpes irão se tornar insignificantes. O super poder almejado é o de transferência. Mas nada de me tornar invisível ou me transportar pelo tempo ou espaço. Quero apenas transferir para mim, e somente a mim, toda a carga de possíveis enfermidades ou sofrimentos que meus filhos possam vir a ter. Só quero esse megapoder para ser feliz e fazê-los também e, assim, presenciar eles crescerem e não conseguir mais colocá-los no colo, ou dar as velhas e tradicionais broncas,mas receber as suas visitas, mesmo que esporádicas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-2253336532398224665?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/2253336532398224665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=2253336532398224665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2253336532398224665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/2253336532398224665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/04/producao-literaria-cronica-do-super.html' title='Produção literária: crônica do Super Poder'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SoXHx9-UGGI/AAAAAAAAADg/kQQm5LT7KAE/s72-c/fotos_usar_no_vosso_site_blog_gratis_free.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-5433624986450507841</id><published>2009-04-07T22:41:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T13:08:09.146-07:00</updated><title type='text'>Resenha da semana: Antígona</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosJ6LXPv3I/AAAAAAAAAFc/XTQhPcV3I-8/s1600-h/imageM6P.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 385px; height: 333px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosJ6LXPv3I/AAAAAAAAAFc/XTQhPcV3I-8/s400/imageM6P.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371397875656802162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Antígona é um dos dramas gregos mais importantes escrito por Sófocles (496? a.C - 406 a.C.) que escreveu enumeras peças dentre as quais Édipo me Colona, Édipo Rei e Antígona, a qual analisaremos neste texto.&lt;br /&gt;São personagens da obre Antígona: Antígona; Hêmon seu noivo e filho do rei; Ismênia – irmã de Antígona; Terésias, o adivinho cego; Coro dos anciãos de Tebas; Eurídice pai de Hêmon e esposa do rei, Creonte – o rei e tio de Antígona, o Enviado, o Guarda e o Mensageiro.&lt;br /&gt;A trágica história de Antígona aconteceu em Tebas, cidade governada por Creonte após a tragédia do rei Édipo e a morte de seus filhos Etéocles e Polinices, numa.&lt;br /&gt;Sobre a Família de Antígona se abateu uma sucessão infortúnios: primeiro seu pai Édipo desposou sua própria mãe e matou seu próprio pai, deixando um legado de desgraças, que ganha novos atos como numa complementação no drama de Antígona.&lt;br /&gt;O Drama da jovem Antígona, atormentada pelo seu passado, tem continuidade com a morte de seus irmãos Etéocles e Polinices, que disputam o trono de Tebas e acabam matando-se um ao outro, construindo mais um triste capitulo da sina de Antígona. Não bastasse a morte dos irmãos o tio de Antígona – o rei Creonte decreta que Polinices é inimigo de Tebas e concede as honras fúnebres apenas a Etéocles que morreu lutando por Tebas. Ao primeiro é relegado o destino de apodrecer sobre a terra, sendo comido pelos animais.&lt;br /&gt;Após saber da lei criada por Creonte Antígona resolve desobedecê-la, mesmo sabendo que a morte seria a sua recompensa. Pois ela não poderia deixar que seu irmão não tivesse direito a um enterro com todas as honras de que um cidadão tebano tinha direito. Então transgrediu Antígona contra o rei Creonte, desobedece-o e enterrou seu irmão.&lt;br /&gt;Diante da atitude de Antígona, Creonte determinou que a mesma fosse morta, não atendendo aos apelos do povo e de seu filho Hêmon (noivo de Antígona) que se declarava falar em nome do povo.&lt;br /&gt;Creonte só declina de sua decisão tardiamente quando já não havia o que ser feito, pois Antígona suicida-se. Suicida-se também Hêmon, filho de Creonte ao ver a noiva morta, desespera-se e desfere contra seu próprio peito um golpe fatal.&lt;br /&gt;Creonte passa a compartilhar nesse momento também das desgraças familiares pois sua esposa Eurídice também se mata ao ver o filho morto e culpa Creonte pela morte de seus dois filhos.&lt;br /&gt;Interessante observar nesta peça teatral alguns pensamentos jurídicos vigentes. Observa-se a criação de uma lei motivada por questões pessoais que afronta aos costumes, i.e, as tradições de um povo. Isso nos motiva a questionar já que as leis têm como principio servir como instrumento de organização da vida em sociedade, como pode uma lei ser criada apenas no intuito de servir como correção aos indivíduos mesmo que se afronte os aspectos culturais. Assim, como deveria ser os procedimentos de criação de uma lei? Apenas de fundamentar a coercividade sobre determinados desejos de alguns?&lt;br /&gt;Como gerencia de regulamentação dos indivíduos dentro de uma sociedade a lei não pode ser de afronto aos interesses da maioria e nem comprometer o bem estar social almejado em principio por ela. Assim, a validação da discussão cultural na formulação das leis deve se fazer valer. Mesmo que haja razão na formulação ela não pode se dar de maneira arbitrária como Creonte quis se valer da sua vontade. Portanto, questões particularizadas não podem comprometer a harmonia social com criações que vão de afronte as tradições e normas sociais vigentes. Creonte erra ao querer validar a sua vontade, ao utilizar-se das instituições e regras do Estado para alcançar seus objetivos. E em meio a esse ato que causa um grande mal estar social, ainda põe em xeque a sua autoridade representativa, pois Antígona questiona e faz valer a tradição social frente à lei forçada. Ela numa tentativa de dignificar os mortos promove uma desestabilidade advinda do equivoco cometido por Creonte.&lt;br /&gt;Diante de uma reação inesperada por Creonte, a discussão da validação ou não da lei agrava a sua situação política em diversos níveis. Caso retroceda poderá perder a sua autoridade diante dos seus cidadãos. Caso insista em se valer a sua vontade sua imagem junto aos mesmos cidadãos será desgastada. Diante deste e de outros impasses que complicam o surgimento, a validação e aceitação das leis, nas sociedades modernas, vigora um instrumento de poder maior do que qualquer outra instituição, político ou lei que é a Carta Magda. Ela constitui um empecilho para que estas arbitrariedades não sejam acometidas, pois ela seria a positivação das leis naturais como o direito, respeito, proteção e dignidade à vida. Caso tivesse a existência desta carta durante a vigência política de Tebas esse impasse talvez não existiria, pois a decisão estaria sob a égide das tradições, das normas regulamentadoras desta sociedade e das necessidades históricas daquele momento e todos os indivíduos caberia apenas ação de cumprir o que fosse determinado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-5433624986450507841?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/5433624986450507841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=5433624986450507841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5433624986450507841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/5433624986450507841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2009/04/resenha-da-semana-antigona.html' title='Resenha da semana: Antígona'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/SosJ6LXPv3I/AAAAAAAAAFc/XTQhPcV3I-8/s72-c/imageM6P.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-6809553820788070726</id><published>2008-03-05T06:30:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T06:41:57.714-08:00</updated><title type='text'>Escrever não é fácil</title><content type='html'>Gosto muito desta frase "Ler mais e publicar de menos". Muitos pseudo-autores buscam apresentar de forma imatura e apressada suas produções sem levar em consideração o papel social, intelectual e estético de um texto. Lobo Antunes, um dos maiores romancistas da autualidade, afirma que "É preciso muito sofrimento para escrever bem. E para tocar os outros". Reconheço que para escrever bem é um longo processo, pois esse ato não se resume apenas a respeitar as normas vigentes da escrita, mas atuar no ser dos outros e estar constantemente se construindo. Hoje, devido as facilidades de publicação e também ao poder aquisitivo de alguns, temos as mais variadas aberrações no nosso cenário como poemas eróticos dedicados a amigos, panorama da literatura feita no estado contendo os mais diversos erros, crônicas forçadas que nada dizem, ou melhor, em nada acrescenta para mundo.&lt;br /&gt;A essas figuras deveriam ter a humildade de reconhecer que inteligencia é para poucos e talento se desenvolve com o tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-6809553820788070726?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/6809553820788070726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=6809553820788070726' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6809553820788070726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6809553820788070726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2008/03/escrever-no-fcil.html' title='Escrever não é fácil'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-6854107643318426963</id><published>2008-03-02T19:11:00.000-08:00</published><updated>2008-03-02T19:22:38.890-08:00</updated><title type='text'>Kafka a descoberta absurda</title><content type='html'>Confesso que Kafka constituia para mim um desses autores que volta e meia sempre ouvimos falar e que aprendemos a respeitar. Até então minha visão sobre ele se resumia a leitura de Metamorfose na adolescência e o filme O processo. Mas tudo mudou. Com a leitura de Carlos Nelson Coutinho (Lukács, Proust e Kafka Literatura e sociedade no século XX) e principalmente o de Ricardo Piglia (O último leitor) em que cada um tratou sobre esse autor do absurdo é que me veio o estímulo a leitura de suas obras. Envolvi-me abertamente nesta atmosfera kafkaniana e me perdi. Como um autor consegue ser tão genial. A sua leitura é um perde-se para depois ficar mais perdido ainda. Estou entregue ao seu mundo e recomendo a todos a sua descoberta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-6854107643318426963?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/6854107643318426963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=6854107643318426963' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6854107643318426963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/6854107643318426963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2008/03/kafka-descoberta-absurda.html' title='Kafka a descoberta absurda'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-278927287372800511</id><published>2008-03-02T19:10:00.000-08:00</published><updated>2008-03-02T19:11:45.585-08:00</updated><title type='text'>Modesto Carone e Kafka</title><content type='html'>Críticas e Resenhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INEVITÁVEL NONSENSE&lt;br /&gt;Na coletânea de contos Por trás dos vidros, Modesto Carone trata de uma incômoda falta de sentidoMarcio Renato dos Santos • Curitiba – PR&lt;br /&gt;Por trás dos vidrosModesto CaroneCompanhia das Letras201 págs.&lt;br /&gt;Divulgação&lt;br /&gt;Modesto Carone: frágil limite entre sonho, delírio e ação.Às vezes, parece que nada faz sentido. Muitas vezes, é possível cogitar que falta sentido. Em tudo. Para tudo. Sobretudo. Há quem tenha a percepção de que, na maior parte das situações e ocasiões, nada tem nem faz sentido. Um destino humano se dá por caminhos, circunstâncias e atitudes nem sempre coerentes. Então, se um dia um sujeito acorda metamorfoseado em um inseto, é possível que o tradutor da obra de Franz Kafka no Brasil se transforme em escritor e ofereça aos leitores uma ficção permeada pelo nonsense.&lt;br /&gt;Por trás dos vidros traz 49 contos de Modesto Carone. Todos eles, alguns inéditos e outros já publicados em livros, caracterizados por problematizar a falta de sentido. Foram escritos com linguagem clara que propõe comunicação com o leitor. Mas são enredos que têm a finalidade de provocar estranheza. E podem provocar estranheza no público receptor por que tratam de situações que podem ter tudo, tudo, menos sentido.&lt;br /&gt;Na ficção de Carone o limite entre o que pode ser sonho, delírio e ação é frágil. De repente, um personagem encontra um cadáver enforcado dentro do guarda-roupa. Outra voz, em outro texto, sugere: "Como as imagens poéticas não mudam o mundo, dei a partida e fui para casa aliviado por não pensar em mais nada". Personagens, outros, entorpecidos pela realidade, buscam inéditas Pasárgadas. Numa aleatória página do livro se lê: "Órbitas acesas como pedras de carvão". Um personagem tem a mão decepada. Outro tem a convicção de que determinado mês é feito somente a partir de crueldades. Um terceiro busca refúgio dentro de uma caixa d'água. Um quarto mata, literalmente, o pai. E sombras acompanham os personagens caronianos - da mesma forma que fazem companhia a humanos da realidade real.&lt;br /&gt;Contraponto ao real?Os desdobramentos, caminhos e descaminhos da realidade real, apesar da ilusão de que algo pode vir a fazer sentido, insistem em afirmar, e confirmar, que a única certeza é o nonsense. E a proposta ficcional de Modesto Carone dialoga com isso. Os destinos dos personagens caronianos não têm sentido. Seja o personagem que quase consegue ter uma relação com uma bailarina. Seja o personagem que não sabe em que cidade está e sequer pode precisar se sonha ou está acordado. Seja o sujeito que depois de ser assaltado decide beber café e não pensar em nada. Seja o burocrata que não vê saídas no labirinto em que está enredado, preso e engessado. Seja o escritor em crise de criação e de relacionamento. A falta de sentido é elemento comum entre esses e os demais personagens caronianos.&lt;br /&gt;E a falta de sentido dos personagens caronianos estabelece conexões com o nonsense dessa obra inacabada que é a vida de qualquer personagem. Afinal, nenhum Moisés pisa na terra prometida, nenhum Jamil Snege desfruta de aplauso e glória por uma produção genial, nenhum Newton Sampaio é profeta em sua terra. Antes, as teclas do piano são de borracha, onde queres revólver há coqueiros, o próximo passo não passa de precipício - e o sonho se confunde com realidade, e a realidade se traduz em inescapável pesadelo.&lt;br /&gt;Então, casualmente, um interlocutor sintoniza a FM ficção Modesto Carone e a freqüência induz, seduz a um estado de estar e ser que desestabiliza por soar próximo e desestrutura qualquer certeza por ruir todo solo presente e qualquer futuro. Um personagem tem os pêlos do corpo a crescer e a única surpresa é que não há nem haverá salvação, redenção nenhuma, apenas o deixar estar, ruir, perecer, falir.&lt;br /&gt;E assim a ficção de Carone insinua uma contraposição ao real, parecendo inventar absurdos, mas o que é mais absurdo que a realidade real, tão próxima de qualquer pulsante ser?&lt;br /&gt;O processoE se um dia você, que paga todos os impostos, você, que jamais furou o sinal vermelho, você, que acredita nos eleitos pelo processo democrático, você, que tem esperança na realização dos projetos governamentais anunciados para melhorar a educação do povo brasileiro, você, que honra todos os compromissos, então, um dia, você recebe na porta da sua casa, por meio de uma voz oficial, a notícia de que não tem mais o direito de ir-e-vir e se entrega sem questionar mesmo sabendo que nada fez para receber tal sentença: o inesperado chegou e o processo está instalado.&lt;br /&gt;Supostos absurdos inesperados estão distribuídos em meio às páginas de Por trás dos vidros, mas surpresas imprevisíveis e fatais acontecem desde sempre e desde muito, e não foi assim com aqueles que embarcaram em caravelas navegando em águas nunca antes navegadas? E quem poderia prever que tempos, tempos, tempos depois iria surgir uma meridional cidade chamada Sorocaba, onde em 1937 nasceria um sujeito que se chamaria e se chamou e é chamado Modesto Carone? (E então surgiriam textos, escritos, reescritos e no século 21 uma editora paulista publicaria alguns desses textos num livro que, como um todo, trata de supostos absurdos inesperados).&lt;br /&gt;E se um personagem faz anos que passa os dias agachado, é possível a frase "o olho me espia e sua carne é violeta". E se outro personagem abandona o apartamento apenas depois que um corpo entrou em decomposição, também é viável a imagem: "As paredes úmidas absorvem toda sombra de luz; imagino que é assim que alimentam os cogumelos à noite". E se o mundo continua o mesmo apesar de tudo e de tanto e de tanta ação, inação, desação, é bem possível que um livro como Por trás dos vidros tenha ido até as mãos e órbita de um sujeito que a vida também transformou em resenhista e que este sujeito, de repente, apesar de tantos outros livros ao redor, tenha lido o livro e, numa coincidência inacreditável, o resenhista, que poderia ter feito e mesmo estar fazendo tantas outras ações, quem sabe, escreveu um texto sobre o livro que trata literariamente da falta de sentido em tudo, e - quem sabe? - o Rascunho ainda publique a tal resenha.&lt;br /&gt;TRECHOS • Por trás dos vidros&lt;br /&gt;É tarde, a chuva bate nos vidros, ele está sentado num canto da sala. Talvez apóie o rosto numa das mãos ou cruze as pernas mas não se percebe nenhum movimento. A obscuridade é maior porque as cortinas estão descidas e a luz só filtra por algumas frestas. Não é possível registrar nada com nitidez, ele está parado ou parece parado na poltrona do canto da sala.(do conto O Natal do viúvo)&lt;br /&gt;Pelas vidraças da casa de chá posso ver a fachada maciça da estação de ferro. As cúpulas de cobre estão fora de foco porque a temperatura baixou e o nevoeiro gelado começou a descer. A praça é oval, o pavimento de pedra brilha sob um reflexo instável e o relógio da estação está marcando quatro e meia. É inevitável que daqui a pouco ele soe claro como uma caixa de música holandesa.(do conto Por trás dos vidros)&lt;br /&gt;Contar é o método mais eficiente que consegui desenvolver para impedir a manifestação dos urros; tanto que eles emudecem assim que o cortejo dos números parte do cérebro para a boca. O avanço é decisivo em primeiro lugar porque desmente a versão de que sou um idiota capaz de pensar; em segundo porque é desse modo que concilio o sono.(do conto Desentranhado de Schreber)&lt;br /&gt;Surpreendi o esquilo na escrivaninha quando me sentei para responder a uma carta de pêsames. Embora esse tipo de obrigação me incomode, naquele momento meu limiar de resistência tinha chegado a um nível razoável. Foi estimulado por ele que resolvi dedicar uma parte da manhã à expressão dos meus sentimentos.(do conto Corte)&lt;br /&gt;Desde que descobri o cadáver do enforcado no meu guarda-roupa passei a me vestir com mais cuidado. Antes bastava que uma calça ou camisa cobrisse o corpo para que eu as considerasse adequadas.(do conto O espantalho)&lt;br /&gt;O AUTORModesto Carone nasceu em Sorocaba (SP), em 1937. Já atuou como jornalista. Também lecionou literatura em diversas universidades, no Brasil e exterior. Escreveu dois livros de ensaios, três de contos e o romance Resumo de Ana. A coletânea Por trás dos vidros reúne contos publicados nos livros As marcas do real (1979), Aos pés de Matilda (1980) e Dias melhores (1984) e textos editados em revistas e jornais. Carone é o tradutor da obra de Franz Kafka no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-278927287372800511?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/278927287372800511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=278927287372800511' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/278927287372800511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/278927287372800511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2008/03/crticas-e-resenhas-inevitvel-nonsense.html' title='Modesto Carone e Kafka'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-184113506093618680</id><published>2008-03-02T18:59:00.000-08:00</published><updated>2008-03-02T19:01:00.558-08:00</updated><title type='text'>Os livros que não lemos</title><content type='html'>Os livros que não lemos&lt;br /&gt;por Umberto Eco&lt;br /&gt;DIVULGAÇÃO&lt;br /&gt;Cena de Ulisses, adaptação dirigida por Joseph Strick, 1967&lt;br /&gt;Lembro-me (mas, como veremos, isso não significa que eu me lembre direito) de um belíssimo artigo de Giorgio Manganelli, no qual ele explicava como um leitor requintado pode saber que um livro não é para ser lido mesmo antes de abri-lo. Ele não estava se referindo àquela virtude que muitas vezes se exige do leitor profissional (ou ao amador de bom gosto), a de conseguir resolver por algumas palavras iniciais, por duas páginas abertas ao acaso, pelo sumário, não raro pela bibliografia, se um livro vale a pena ou não ser lido. Isso, diria eu, são ossos do ofício. Não, Manganelli se referia a uma espécie de iluminação, da qual, evidente e paradoxalmente, se arrogava o dom.Como falar dos livros que não lemos?, de Pierre Bayard, psicanalista e docente universitário de literatura, não trata de como saber se devemos ler um livro ou não, mas de como se pode falar tranqüilamente de um livro que não se leu, mesmo de professor para estudante, e mesmo em se tratando de um livro de importância extraordinária. Seu cálculo é científico: os acervos das boas bibliotecas contêm alguns milhões de volumes, e mesmo que leiamos um volume por dia, leríamos apenas 365 livros por ano, 3.600 em dez anos, e entre dez e 80 anos teríamos lido apenas 25.200 livros. Uma inépcia. Aliás, quem quer que tenha tido uma boa educação secundária sabe perfeitamente que pode acompanhar um raciocínio sobre, digamos, Bandello, Boiardo, inúmeras tragédias de Alfieri e até sobre As confissões de um italiano [de Ippolito Nievo] tendo aprendido sobre eles apenas o título e a classificação crítica na escola. O ponto crucial, para Bayard, é a classificação crítica. Ele afirma, sem o menor pudor, que nunca leu o Ulisses de Joyce, mas que pode falar sobre ele aludindo ao fato de que se trata de uma retomada da Odisséia (que ele, aliás, admite não ter lido por inteiro), que se baseia no monólogo interior, que se passa em Dublin em um único dia etc. Assim escreve: “Portanto, em meus cursos acontece com certa freqüência que, sem pestanejar, eu mencione Joyce”. Conhecer a relação de um livro com outros livros não raro significa saber mais sobre ele do que o tendo lido.&lt;br /&gt;Bayard mostra que, quando começamos a ler livros há certo tempo negligenciados, percebemos que conhecemos seu conteúdo porque entrementes havíamos lido outros livros que falavam deles ou se moviam dentro da mesma ordem de idéias. E (assim como faz algumas divertidíssimas análises de textos literários em que se trata de livros nunca lidos, de Musil a Graham Greene, de Valéry a Anatole France) honra-me ao dedicar um capítulo ao meu O nome da rosa, no qual Guilherme de Baskerville demonstra conhecer muito bem o conteúdo do segundo livro da Poética, de Aristóteles, que ainda assim ele tem na mão pela primeira vez, simplesmente por deduzi-lo de outras páginas aristotélicas. Veremos depois, no final dessa Ecco!, que não menciono esta citação por mera vaidade.A parte mais intrigante desse panfleto, menos paradoxal do que poderia parecer, é que esquecemos uma porcentagem altíssima até daqueles livros que lemos realmente. Aliás, compomos uma espécie de imagem virtual a seu respeito, imagem feita nem tanto do que eles diziam, e sim do que fizeram passar em nossa mente. Por isso se alguém que não leu determinado livro citar para nós passagens ou situações ali inexistentes, somos mais que propensos a acreditar que o livro fala realmente daquilo. É que Bayard não está tão interessado em que as pessoas leiam os livros alheios, mas antes no fato de que cada leitura (ou não-leitura) tenha de ter um aspecto criativo e que (utilizando palavras simples) em um livro o leitor tenha de colocar, antes de tudo, farinha de seu saco. A ponto de auspiciar uma escola em que – já que falar de livros não lidos é uma maneira para conhecer a si próprios – os estudantes “inventem” os livros que não deverão ler. Exceto o fato de que Bayard, para mostrar que ao se falar de um livro não lido até quem o leu não percebe as citações erradas, lá pelo final de seu discurso confessa ter introduzido três notícias falsas no resumo de O nome da rosa, de O terceiro homem, de Graham Greene, e de A troca, de David Lodge. O caso divertido é que, ao ler, percebi de imediato o erro sobre Greene, tive uma dúvida a propósito de Lodge, mas não tinha percebido o erro a propósito de meu livro. Isso significa que provavelmente não li direito o livro de Bayard ou então que eu apenas o folheei. Mas a coisa mais interessante é que Bayard não se deu conta de que, ao denunciar seus três (propositais) erros, assume implicitamente que há, dos livros, uma leitura mais correta do que outras – tanto que, dos livros que analisa para sustentar sua tese da não-leitura, dá uma leitura muito minuciosa. A contradição é tão evidente que dá margem à dúvida de que Bayard não tenha lido o livro que escreveu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-184113506093618680?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/184113506093618680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=184113506093618680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/184113506093618680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/184113506093618680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2008/03/os-livros-que-no-lemos.html' title='Os livros que não lemos'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-24739019099517559</id><published>2008-03-02T18:48:00.000-08:00</published><updated>2008-03-02T19:24:49.470-08:00</updated><title type='text'>É possível vida inteligente na adolescência</title><content type='html'>Acontecem coisas nos nossos dias que nos surpreendem. Fazer o casamento entre a leitura e a escrita é uma delas. Fazer com que isso seja harmonioso e constante constitui um imenso desafio em mundo tão imediatista e midiático.&lt;br /&gt;Os alunos do ensino médio do Colégio das Irmãs deram-me uma lição de que isso é possível. Através de uma pequena iniciativa, com um pouco de motivação, eles simplesmente invadiram as livrarias de Teresina em busca de obras como Travessuras da menina má, Tia Júlia e o escrivinhador de Mário Vargas Llosa, Dois Irmãos e Cinzas do Norte de Milton Hatoum, O estrangeiro de Albert Camus. Diante de tanta empenho fiquei assustado e ao mesmo tempo orgulhoso em orienatá-los na consolidação do sentido que "cada leitura realizada é um melhor conhecer de si".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-24739019099517559?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/24739019099517559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=24739019099517559' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/24739019099517559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/24739019099517559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2008/03/acontecem-coisas-nos-nossos-dias-que.html' title='É possível vida inteligente na adolescência'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6703560684254718000.post-885539973346097633</id><published>2008-03-02T18:11:00.000-08:00</published><updated>2008-03-02T18:15:01.071-08:00</updated><title type='text'>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</title><content type='html'>O presente blog tem como responsabilidade a divulgação e interação de conteúdos para o desenvolvimento intelectual e humano dos seres dotados de capacidade de pensar. Busco realizar através desse meio um acesso fácil e provocador sobre as mais diversas áreas tais como cinema, literatura, arte e história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6703560684254718000-885539973346097633?l=herasmobraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://herasmobraga.blogspot.com/feeds/885539973346097633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6703560684254718000&amp;postID=885539973346097633' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/885539973346097633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6703560684254718000/posts/default/885539973346097633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://herasmobraga.blogspot.com/2008/03/o-meu-mundo-do-tamanho-do-meu.html' title='O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário'/><author><name>O meu mundo é do tamanho do meu vocabulário</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08389625843181342082</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_4JCIluj-Crs/TT82Zy9_43I/AAAAAAAAAHQ/r_bI_NeD44w/s220/DSC00144.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
