Com relação à conferência do escritor peruano Mario Vargas Llosa sobre o conceito de cultura, e fazendo uma crítica aos rumos dados a esse conceito levando-se em conta a ampliação do seu significado tido na idade média até os dias atuais, uma grande mudança pode ser percebida, seu conceito foi se transformando se alargando de tal forma que para Llosa se esvaiu, tomou uma proporção que tudo hoje em dia pode ser visto como cultura.
Concordo perfeitamente com a opinião do escritor, partindo do pressuposto que tudo o que é construído é cultura não levando em conta a maneira como ela é vista e transformada, seja ela de maneira positiva ou não ela é aceita como cultura. Muitos pensadores acreditam e afirmam que existe cultura menos importante do que a outra, o que não é verdade, para mudarmos essa realidade cabe aos intelectuais mudar essa concepção garantindo melhores oportunidades através do saber e assim aperfeiçoar o progresso intelectual de cada ser, a cultura é um suporte para o conhecimento.
Maisa Lopes de Sales LETRAS/PORTUQUÊS VI UESPI
Blog da vida inteligente, dos prazeres da vida e dos livros
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domingo, 8 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Comentário do texto de Mário Vargas Llosa por Cinthya Fontinele Melo
Partindo do conceito primeiramente definido por Edward Tylor que diz que cultura é “Todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”, concordo plenamente quando o autor diz que “hoje, todos somos cultos, embora muitos nunca tenham sequer lido um livro ou assistido a um concerto”, pois muitos se equivocam ao pensar que somente são cultas as pessoas que entendem sobre determinados assuntos, como por exemplo: filosofia, política, moda. Todas as culturas têm a sua devida importância para os membros da qual fazem parte, e devem ser respeitadas, pois contribuem para a diversidade da civilização humana.
Att,
Cinthya F. Melo (Chrisfapi)
Att,
Cinthya F. Melo (Chrisfapi)
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Participe!!!!! do debate (I)
Leia o texto de Mário Vargas Llosa sobre cultura e envie seu comentário ou outro texto sobre o tema para o e-mail herasmobraga@yahoo.com.br para postagem.
Forum de debate (I) Cultura
Mario Vargas Llosa e o discurso sobre a cultura
Por Sonia Montaño
Mario Vargas Llosa foi aplaudido de pé ao entrar no palco do Fronteiras doPensamento na noite de 14 de outubro. Com o Salão de Atos da UFRGS totalmenterepleto, o Nobel de Literatura 2010 iniciou sua conferência agradecendo o carinho do público do Fronteiras que, segundo as palavras do próprio autor, recebe tão ilustrespensadores e artistas.
O escritor peruano dedicou sua conferência à noção de "cultura", fazendo uma crítica aos rumos dados a esse conceito graças à antropologia, à sociologia e ao pensamento dos intelectuais pós-modernos como Michel Foucault e Jacques Derrida, aos quais fez duras considerações. Para Vargas Llosa, a noção de cultura foi adquirindo diversos significados e matizes ao longo da história: ela já foi inseparável da religião, da filosofia grega e do direito romano. No Renascimento, a "cultura" era impregnada de literatura e artes; e, com o Iluminismo, ela foi finalmente associada ao conhecimento científico.
A noção de cultura apesar dessas variações históricas, Llosa defendeu que "cultura" sempre significou a soma dos fatores e das disciplinas que a constituíam: a reivindicação de novas ideias, valores, conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e científicos, bem como o fomento de novas formas artísticas e campos do saber. A cultura sempre estabeleceu hierarquias sociais entre quem a enriquecia e a fazia progredir e quem a desprezava ou era excluído por razões sociais e econômicas. “Em uma sociedade, em todas as épocas históricas, havia pessoas cultas e incultas e, entre ambos os extremos, pessoas mais ou menos cultas ou mais ou menos incultas. Essa classificação ficava bastante clara em um mundo onde tudo era regido por um mesmo sistema de valores, critérios culturais e maneiras de julgar, pensar e se comportar”, disse o peruano. Para Llosa, a noção de cultura atual se estendeu tanto, que se esvaiu.
Assim, "hoje, todos somos cultos, embora muitos nunca tenham sequer lido um livro ou assistido a um concerto."
Mario Vargas Llosa aponta a antropologia, dentre outras áreas, como aquela responsável pela confusão em que a noção de cultura se encontra. Os antropólogos, inspirados pela melhor fé do mundo, numa vontade de compreensão das sociedades mais primitivas que estudavam, estabeleceram que "cultura" era a soma de crenças, conhecimentos, linguagens, costumes, sistemas de parentescos e usos. Ou seja, tudo aquilo que um povo faz, diz, teme ou adora. “Essa definição buscava, entre outras coisas, sair do etnocentrismo racista daquilo que o Ocidente não se cansa de se acusar. O propósito não podia ser mais generoso, mas sabemos que o inferno está cheio de boas intenções”, ironizou o conferencista. Segundo ele, uma coisa é crer que todas as culturas merecem consideração, já que, sem dúvida, em todas elas há contribuições positivas à civilização humana. Outra coisa é crer que elas, pelo simples fato de existirem, se equivalem.
A cultura popular para o escritor, foi a busca do politicamente correto que terminou por nos convencer de que é arrogante, dogmático, colonialista e até racista falar em culturas inferiores e superiores, modernas e primitivas. Conforme essa crença, todas são iguais - expressões equivalentes da maravilhosa diversidade humana.
Por sua parte, os sociólogos, empenhados em fazer crítica literária, teriam incorporado a "incultura" à ideia de cultura, disfarçada com o nome de "cultura popular". O conferencista lembrou a obra do autor russo Mikhail Bakhtin dedicada à cultura popular na Idade Média e no Renascimento. Bakhtin via a cultura popular como um tipo de contraponto à cultura aristocrática, que brota dos salões, conventos, palácios e bibliotecas. A cultura popular nasce e vive na rua, na taberna, na festa, no carnaval, e, mais ainda, satiriza a aristocracia. Bakhtin e seus seguidores aboliram, segundo Vargas Llosa, as fronteiras entre cultura e incultura e deram ao inculto uma dignidade relevante.
“Como falar, então, em um mundo sem cultura numa época em que naves construídas pelo homem chegaram às estrelas e a percentagem de analfabetos é a mais baixa de todo o acontecer humano?”, questionou o conferencista, chamando a atenção para o fato de que o número de alfabetizados é quantitativo, enquanto a cultura é qualidade, não quantidade. Llosa também advertiu que é atual a capacidade de reunirmos armas de destruição massiva que podem acabar com o planeta, mas que isso está mais próximo da barbárie do que da cultura.
O especialista foi definido pelo escritor como um ser unidimensional que pode ser, ao mesmo tempo, um grande especialista e um inculto, porque seus conhecimentos, em vez de o conectarem com os outros, isola-o numa especialidade, que é uma cela no domínio do saber.
As minorias cultas, conforme Vargas Llosa, tinham a missão de estender pontes entre as áreas do saber e de exercer influência religiosa ou leiga para o progresso intelectual, garantindo melhores oportunidades e condições materiais de vida. “Elliot dizia que não se deve identificar cultura com conhecimento. A cultura dá sustento ao conhecimento e o precede, imprime-lhe uma funcionalidade precisa”, defendeu o Nobel de Literatura.
Artes e letras no processo da cultura, para ele, seria equivocado atribuir funções idênticas às letras, às ciências e às artes. A ciência avança aniquilando o velho, antiquado e obsoleto. Para ela, o passado é um cemitério, um mundo de coisas mortas e superadas pelas novas descobertas e invenções. As letras e as artes se renovam, mas não se fundamentam no progresso, não aniquilam seu passado, alimentam-se dele e o alimentam. “Cervantes segue sendo tão atual quanto Borges, Velázquez está tão vivo quanto Picasso”, exemplificou o escritor.
Isso não quer dizer que a literatura, a música e a arte não mudem e evoluam, mas não suprimem nem superam. A obra artística e literária, aquela que alcança certo grau de excelência, não morre com o tempo – segue vivendo e enriquecendo as novas gerações e evoluindo. É por isso que criavam um espaço de comunicação entre seres humanos de diversas gerações. “Letras e artes constituíram o denominador comum da cultura”, disse o escritor.
No campo da cultura, Mario Vargas Llosa confessou preocupação particular com a educação. Atualmente, nas escolas, docentes ou quaisquer outras formas de autoridade parecem ter convertido os colégios em instituições caóticas e com concentração de precoces delinquentes. Para o autor, Maio de 68 não acabou com a autoridade, que já vinha sofrendo um enfraquecimento generalizado em todas as ordens, do político ao cultural. “Os adolescentes provindos das classes burguesas privilegiadas da França, que protagonizaram aquele divertido carnaval, que proclamou ‘É proibido proibir’, estenderam ao conceito de autoridade seu atestado de óbito”, disse o conferencista. Para ele, isso teria dado legitimidade e glamour à ideia de que toda autoridade é suspeita, perniciosa e detestável e que o mais nobre e libertário é desconhecê-la e destruí-la. “O poder não se viu nem um pouco afetado com essa audácia dos jovens rebeldes que, sem saber, levaram às barricadas os ideais iconoclastas de pensadores como Michel Foucault e Jacques Derrida. A autoridade no sentido romano, não de poder, senão de prestígio e crédito, que reconhece a uma pessoa ou instituição por sua qualidade ou competência, não voltou a reviver”, lamentou o escritor, lembrando que são poucas as figuras que exercem esse papel do exemplo moral e, ao mesmo tempo, da autoridade clássica.
Mario Vargas Llosa encerrou sua conferência defendendo que um bom livro nos aproxima da existência humana e de seus mistérios. “Os livros ajudam a viver. A cultura pode ser experimento de reflexão, pensamento e sonho, paixão e poesia. É uma revisão crítica constante e profunda de todas as certezas, convicções, teorias e crenças”, concluiu o convidado.
Por Sonia Montaño
Mario Vargas Llosa foi aplaudido de pé ao entrar no palco do Fronteiras doPensamento na noite de 14 de outubro. Com o Salão de Atos da UFRGS totalmenterepleto, o Nobel de Literatura 2010 iniciou sua conferência agradecendo o carinho do público do Fronteiras que, segundo as palavras do próprio autor, recebe tão ilustrespensadores e artistas.
O escritor peruano dedicou sua conferência à noção de "cultura", fazendo uma crítica aos rumos dados a esse conceito graças à antropologia, à sociologia e ao pensamento dos intelectuais pós-modernos como Michel Foucault e Jacques Derrida, aos quais fez duras considerações. Para Vargas Llosa, a noção de cultura foi adquirindo diversos significados e matizes ao longo da história: ela já foi inseparável da religião, da filosofia grega e do direito romano. No Renascimento, a "cultura" era impregnada de literatura e artes; e, com o Iluminismo, ela foi finalmente associada ao conhecimento científico.
A noção de cultura apesar dessas variações históricas, Llosa defendeu que "cultura" sempre significou a soma dos fatores e das disciplinas que a constituíam: a reivindicação de novas ideias, valores, conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e científicos, bem como o fomento de novas formas artísticas e campos do saber. A cultura sempre estabeleceu hierarquias sociais entre quem a enriquecia e a fazia progredir e quem a desprezava ou era excluído por razões sociais e econômicas. “Em uma sociedade, em todas as épocas históricas, havia pessoas cultas e incultas e, entre ambos os extremos, pessoas mais ou menos cultas ou mais ou menos incultas. Essa classificação ficava bastante clara em um mundo onde tudo era regido por um mesmo sistema de valores, critérios culturais e maneiras de julgar, pensar e se comportar”, disse o peruano. Para Llosa, a noção de cultura atual se estendeu tanto, que se esvaiu.
Assim, "hoje, todos somos cultos, embora muitos nunca tenham sequer lido um livro ou assistido a um concerto."
Mario Vargas Llosa aponta a antropologia, dentre outras áreas, como aquela responsável pela confusão em que a noção de cultura se encontra. Os antropólogos, inspirados pela melhor fé do mundo, numa vontade de compreensão das sociedades mais primitivas que estudavam, estabeleceram que "cultura" era a soma de crenças, conhecimentos, linguagens, costumes, sistemas de parentescos e usos. Ou seja, tudo aquilo que um povo faz, diz, teme ou adora. “Essa definição buscava, entre outras coisas, sair do etnocentrismo racista daquilo que o Ocidente não se cansa de se acusar. O propósito não podia ser mais generoso, mas sabemos que o inferno está cheio de boas intenções”, ironizou o conferencista. Segundo ele, uma coisa é crer que todas as culturas merecem consideração, já que, sem dúvida, em todas elas há contribuições positivas à civilização humana. Outra coisa é crer que elas, pelo simples fato de existirem, se equivalem.
A cultura popular para o escritor, foi a busca do politicamente correto que terminou por nos convencer de que é arrogante, dogmático, colonialista e até racista falar em culturas inferiores e superiores, modernas e primitivas. Conforme essa crença, todas são iguais - expressões equivalentes da maravilhosa diversidade humana.
Por sua parte, os sociólogos, empenhados em fazer crítica literária, teriam incorporado a "incultura" à ideia de cultura, disfarçada com o nome de "cultura popular". O conferencista lembrou a obra do autor russo Mikhail Bakhtin dedicada à cultura popular na Idade Média e no Renascimento. Bakhtin via a cultura popular como um tipo de contraponto à cultura aristocrática, que brota dos salões, conventos, palácios e bibliotecas. A cultura popular nasce e vive na rua, na taberna, na festa, no carnaval, e, mais ainda, satiriza a aristocracia. Bakhtin e seus seguidores aboliram, segundo Vargas Llosa, as fronteiras entre cultura e incultura e deram ao inculto uma dignidade relevante.
“Como falar, então, em um mundo sem cultura numa época em que naves construídas pelo homem chegaram às estrelas e a percentagem de analfabetos é a mais baixa de todo o acontecer humano?”, questionou o conferencista, chamando a atenção para o fato de que o número de alfabetizados é quantitativo, enquanto a cultura é qualidade, não quantidade. Llosa também advertiu que é atual a capacidade de reunirmos armas de destruição massiva que podem acabar com o planeta, mas que isso está mais próximo da barbárie do que da cultura.
O especialista foi definido pelo escritor como um ser unidimensional que pode ser, ao mesmo tempo, um grande especialista e um inculto, porque seus conhecimentos, em vez de o conectarem com os outros, isola-o numa especialidade, que é uma cela no domínio do saber.
As minorias cultas, conforme Vargas Llosa, tinham a missão de estender pontes entre as áreas do saber e de exercer influência religiosa ou leiga para o progresso intelectual, garantindo melhores oportunidades e condições materiais de vida. “Elliot dizia que não se deve identificar cultura com conhecimento. A cultura dá sustento ao conhecimento e o precede, imprime-lhe uma funcionalidade precisa”, defendeu o Nobel de Literatura.
Artes e letras no processo da cultura, para ele, seria equivocado atribuir funções idênticas às letras, às ciências e às artes. A ciência avança aniquilando o velho, antiquado e obsoleto. Para ela, o passado é um cemitério, um mundo de coisas mortas e superadas pelas novas descobertas e invenções. As letras e as artes se renovam, mas não se fundamentam no progresso, não aniquilam seu passado, alimentam-se dele e o alimentam. “Cervantes segue sendo tão atual quanto Borges, Velázquez está tão vivo quanto Picasso”, exemplificou o escritor.
Isso não quer dizer que a literatura, a música e a arte não mudem e evoluam, mas não suprimem nem superam. A obra artística e literária, aquela que alcança certo grau de excelência, não morre com o tempo – segue vivendo e enriquecendo as novas gerações e evoluindo. É por isso que criavam um espaço de comunicação entre seres humanos de diversas gerações. “Letras e artes constituíram o denominador comum da cultura”, disse o escritor.
No campo da cultura, Mario Vargas Llosa confessou preocupação particular com a educação. Atualmente, nas escolas, docentes ou quaisquer outras formas de autoridade parecem ter convertido os colégios em instituições caóticas e com concentração de precoces delinquentes. Para o autor, Maio de 68 não acabou com a autoridade, que já vinha sofrendo um enfraquecimento generalizado em todas as ordens, do político ao cultural. “Os adolescentes provindos das classes burguesas privilegiadas da França, que protagonizaram aquele divertido carnaval, que proclamou ‘É proibido proibir’, estenderam ao conceito de autoridade seu atestado de óbito”, disse o conferencista. Para ele, isso teria dado legitimidade e glamour à ideia de que toda autoridade é suspeita, perniciosa e detestável e que o mais nobre e libertário é desconhecê-la e destruí-la. “O poder não se viu nem um pouco afetado com essa audácia dos jovens rebeldes que, sem saber, levaram às barricadas os ideais iconoclastas de pensadores como Michel Foucault e Jacques Derrida. A autoridade no sentido romano, não de poder, senão de prestígio e crédito, que reconhece a uma pessoa ou instituição por sua qualidade ou competência, não voltou a reviver”, lamentou o escritor, lembrando que são poucas as figuras que exercem esse papel do exemplo moral e, ao mesmo tempo, da autoridade clássica.
Mario Vargas Llosa encerrou sua conferência defendendo que um bom livro nos aproxima da existência humana e de seus mistérios. “Os livros ajudam a viver. A cultura pode ser experimento de reflexão, pensamento e sonho, paixão e poesia. É uma revisão crítica constante e profunda de todas as certezas, convicções, teorias e crenças”, concluiu o convidado.
domingo, 3 de abril de 2011
A perfomace da mente através do corpo
Herasmo Braga
Recentemente tivemos a perda do escritor Moacir Sclyar. Além de já ter produzido diversas obras significativas, ao nosso ver, ele teria muito mais a contribuir. Sua perda sentida no meio intelectual nos fez refletir numa relação meio inversamente proporcional entre o corpo e a mente na sociedade moderna.
Não é de hoje que muitos intelectuais secundarizam a proteção e os cuidados com o corpo. Associam o olhar para o aspecto físico como algo alienante, superfulo. Todavia, se observarmos a imagem que nos chegaram de grandes pensadores da grécia antiga veremos em Socrátes, Platão e Aristóteles sujeitos não só de mentes brilhantes, mas corpos de perfomace atléticas. Interpretamos com essas imagens que o cuidado devir com o corpo faz-se necessário para o desempenho melhor das atividades intelectivas.
Se observamos em meio a nosso nicho intelectual seja ele academico ou não perceberemos que poucos são os radiadores de ideias que não sejam obesos.
Em meio a tantas atribuições do cotidiano nos perdemos entre no que é preciso e necessário do poderia ficar para depois. Exemplo desse tipo são os hábitos do consumo. Poucas vezes deixamos para depois a compra de um produto, todavia se procurarmos atitudes do melhor viver ou adiamos, ou limitamos. Se estamos com problemas emocionais que nada que um processo de amadurecimento fruto da experiências da vida não resolva optamos por comprar materiais de auto-ajuda acreditando encontrar nestes textos as respostas para os nossos dilemas. Se precisamos emagrecer em vez de nos darmos com a pressão de reconstituir novos hábitos alimetares procuramos a solução em medicamentos milagrosos e nocivos a saúde. Assim vamos caminhando para atitudes que venham a comprometer nosso processo de aprendizagem e de contribuição em nosso meio limitando ou interropendo processos.
Recentemente tivemos a perda do escritor Moacir Sclyar. Além de já ter produzido diversas obras significativas, ao nosso ver, ele teria muito mais a contribuir. Sua perda sentida no meio intelectual nos fez refletir numa relação meio inversamente proporcional entre o corpo e a mente na sociedade moderna.
Não é de hoje que muitos intelectuais secundarizam a proteção e os cuidados com o corpo. Associam o olhar para o aspecto físico como algo alienante, superfulo. Todavia, se observarmos a imagem que nos chegaram de grandes pensadores da grécia antiga veremos em Socrátes, Platão e Aristóteles sujeitos não só de mentes brilhantes, mas corpos de perfomace atléticas. Interpretamos com essas imagens que o cuidado devir com o corpo faz-se necessário para o desempenho melhor das atividades intelectivas.
Se observamos em meio a nosso nicho intelectual seja ele academico ou não perceberemos que poucos são os radiadores de ideias que não sejam obesos.
Em meio a tantas atribuições do cotidiano nos perdemos entre no que é preciso e necessário do poderia ficar para depois. Exemplo desse tipo são os hábitos do consumo. Poucas vezes deixamos para depois a compra de um produto, todavia se procurarmos atitudes do melhor viver ou adiamos, ou limitamos. Se estamos com problemas emocionais que nada que um processo de amadurecimento fruto da experiências da vida não resolva optamos por comprar materiais de auto-ajuda acreditando encontrar nestes textos as respostas para os nossos dilemas. Se precisamos emagrecer em vez de nos darmos com a pressão de reconstituir novos hábitos alimetares procuramos a solução em medicamentos milagrosos e nocivos a saúde. Assim vamos caminhando para atitudes que venham a comprometer nosso processo de aprendizagem e de contribuição em nosso meio limitando ou interropendo processos.
sexta-feira, 4 de março de 2011
O desafio de ser pós-moderno na antessala

Herasmo Braga
Se há algo que esteja tão presente nas prateleiras de livrarias, nas rodas de conversas, nas conferências, tanto quanto os livros de receitas de auto-ajuda são as obras que discutem a modernidade ou mais precisamente a pós-modernidade. Há inúmeros autores que se debruçam sobre essa discussão em todo o mundo, principalmente nos países periféricos. Afirmações do tipo eu sou moderno, ou anti-moderno, ou pós-moderno são constantes. As relações intelectuais e até mesmo afetivas parecem ser conduzidas interpretativamente por estes vetores.
Esse tema, bastante explorado – e não é de hoje – já se encontra de maneira gasta. Entre os elos das inúmeras discussões destacamos os seus muitos dizeres pouco ou nada fundamentados. Temas como fragmentação, discurso, identidade, subjetividade são marcas constantes nestas produções com um toque sempre supervalorizativo de ares da mais recente novidade.
Todavia, aqueles que atentarem minimamente de maneira reflexiva, perceberão que, dentro das construções, criações e realizações humanas a fragmentação, a pluri-linguagem, a subjetividade, as multi-identidades estiveram sempre permeando as ações interpretativas e produtivas do homem. Portanto, tratar desses aspectos como fenômenos sociais recentes, marcas divisórias da história da humanidade e fator decisivo de uma condição pós-moderna, constitui, a nosso ver, um mero trabalho de marketing dos intérpretes sociais de hoje. Não queremos com estas afirmações negar ou diminuir a importância das mudanças aceleradas que vêm acontecendo nos últimos 90 anos. Há, sim, inúmeras questões que têm se apresentado e mudado a rota de diversos indivíduos constantemente. E dentro destas mudanças destacamos: o distanciamento dos aspectos tradicionais, a banalização das referências, a descrença no conjunto, a diminuição das possibilidades de caminhos, a esclerose das ideias, a consolidação dos discursos vazios e o domínio pleno da mercadoria.
Grandes autores com grandes ideias têm perdido espaço e importância para outros que conseguem adequar melhor os seus discursos aos momentos fantasiosos dos dias de hoje. Leitores e provedores da necessidade de se estar sempre em contato com a tradição têm sido cada vez menos conhecidos e reconhecidos pela massa mais jovem. Indivíduos do porte de Harold Blomm, Beatriz Sarlo, Marshall Berman, Antônio Cândido, Luiz Costa Lima, Fernando Novais, Sérgio Paulo Rouanet, Raymmond Williams entre outros são cada vez menos presentes nas prateleiras das livrarias e nas estantes de livros dos estudantes. Parece-nos que uma das características da moda pós-modernidade é deixar de lado a tradição e se debruçar apenas no topo da pirâmide do pensamento humano. Não que esse topo reflita o melhor momento da história do pensamento, o essencial, mas apenas reflete o limitado mundo receituário do ser pós-moderno.
Reconhecemos que esse momento que nos tem levado a criar esse ostracismo para a tradição cultural e intelectual humana não brotou do acaso nem ocorreu impulsionadamente. Ele foi devidamente preparado para o seu devir histórico. Utilizando-se para isto somente observações da realidade e da junção de ideias, como por exemplo, a ideia da morte de Deus, o fim da autoridade do pai, o discurso de se extinguir valores que, segundo alguns autores dos estudos culturais de hoje, foram formados por um sujeito homem, branco, heterossexual, burguês, católico, machista e europeu. Soma-se a isso a valorização do inconsciente e algumas correntes do movimento feminista em que se objetivou tirar o homem do centro e se colocar uma mulher no seu lugar, todas essas linhas de pensamento provocaram a total descrença na tradição e nos seus valores.
Com todas essas ações não só a tradição se fragilizou, mas o homem também. Como produto disso, iniciou-se então um processo de desraizamento, da perda das referências, do desamparo e que tem como sintomas esse vasto campo vazio de ideias, posicionamentos e crítica.
Assim “suar a camisa” para ler e refletir sobre autores do porte de Marcel Proust, Joyce, Guimarães Rosa não constitui uma atividade agradável ou mesmo necessária para um sujeito pós-moderno. Realizar leituras resumidas disponíveis na internet para ter um ar de intelectualidade no meio social é bem mais valorativo e necessário. Além disso, como afirma em alguns momentos Pierre Bayard na obra Como falar dos livros que não lemos? É melhor se desenvolver uma performance teatral de profundo conhecedor de um vasto campo de obras e autores diante dos outros sujeitos pós-modernos do que se limitar na leitura real de poucas produções. Devemos assim, obrigatoriamente, situarmos sobre elas. Essa é uma situação típica da pós-modernidade.
Não queremos ser maniqueístas com a modernidade e pós-modernidade, mas sim, promover discussões que nos sirvam de reflexões e referências para a nossa constituição social e intelectual.
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