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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Participe!!!!! do debate (I)

Leia o texto de Mário Vargas Llosa sobre cultura e envie seu comentário ou outro texto sobre o tema para o e-mail herasmobraga@yahoo.com.br para postagem.

Forum de debate (I) Cultura

Mario Vargas Llosa e o discurso sobre a cultura

Por Sonia Montaño

Mario Vargas Llosa foi aplaudido de pé ao entrar no palco do Fronteiras doPensamento na noite de 14 de outubro. Com o Salão de Atos da UFRGS totalmenterepleto, o Nobel de Literatura 2010 iniciou sua conferência agradecendo o carinho do público do Fronteiras que, segundo as palavras do próprio autor, recebe tão ilustrespensadores e artistas.
O escritor peruano dedicou sua conferência à noção de "cultura", fazendo uma crítica aos rumos dados a esse conceito graças à antropologia, à sociologia e ao pensamento dos intelectuais pós-modernos como Michel Foucault e Jacques Derrida, aos quais fez duras considerações. Para Vargas Llosa, a noção de cultura foi adquirindo diversos significados e matizes ao longo da história: ela já foi inseparável da religião, da filosofia grega e do direito romano. No Renascimento, a "cultura" era impregnada de literatura e artes; e, com o Iluminismo, ela foi finalmente associada ao conhecimento científico.
A noção de cultura apesar dessas variações históricas, Llosa defendeu que "cultura" sempre significou a soma dos fatores e das disciplinas que a constituíam: a reivindicação de novas ideias, valores, conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e científicos, bem como o fomento de novas formas artísticas e campos do saber. A cultura sempre estabeleceu hierarquias sociais entre quem a enriquecia e a fazia progredir e quem a desprezava ou era excluído por razões sociais e econômicas. “Em uma sociedade, em todas as épocas históricas, havia pessoas cultas e incultas e, entre ambos os extremos, pessoas mais ou menos cultas ou mais ou menos incultas. Essa classificação ficava bastante clara em um mundo onde tudo era regido por um mesmo sistema de valores, critérios culturais e maneiras de julgar, pensar e se comportar”, disse o peruano. Para Llosa, a noção de cultura atual se estendeu tanto, que se esvaiu.
Assim, "hoje, todos somos cultos, embora muitos nunca tenham sequer lido um livro ou assistido a um concerto."
Mario Vargas Llosa aponta a antropologia, dentre outras áreas, como aquela responsável pela confusão em que a noção de cultura se encontra. Os antropólogos, inspirados pela melhor fé do mundo, numa vontade de compreensão das sociedades mais primitivas que estudavam, estabeleceram que "cultura" era a soma de crenças, conhecimentos, linguagens, costumes, sistemas de parentescos e usos. Ou seja, tudo aquilo que um povo faz, diz, teme ou adora. “Essa definição buscava, entre outras coisas, sair do etnocentrismo racista daquilo que o Ocidente não se cansa de se acusar. O propósito não podia ser mais generoso, mas sabemos que o inferno está cheio de boas intenções”, ironizou o conferencista. Segundo ele, uma coisa é crer que todas as culturas merecem consideração, já que, sem dúvida, em todas elas há contribuições positivas à civilização humana. Outra coisa é crer que elas, pelo simples fato de existirem, se equivalem.
A cultura popular para o escritor, foi a busca do politicamente correto que terminou por nos convencer de que é arrogante, dogmático, colonialista e até racista falar em culturas inferiores e superiores, modernas e primitivas. Conforme essa crença, todas são iguais - expressões equivalentes da maravilhosa diversidade humana.
Por sua parte, os sociólogos, empenhados em fazer crítica literária, teriam incorporado a "incultura" à ideia de cultura, disfarçada com o nome de "cultura popular". O conferencista lembrou a obra do autor russo Mikhail Bakhtin dedicada à cultura popular na Idade Média e no Renascimento. Bakhtin via a cultura popular como um tipo de contraponto à cultura aristocrática, que brota dos salões, conventos, palácios e bibliotecas. A cultura popular nasce e vive na rua, na taberna, na festa, no carnaval, e, mais ainda, satiriza a aristocracia. Bakhtin e seus seguidores aboliram, segundo Vargas Llosa, as fronteiras entre cultura e incultura e deram ao inculto uma dignidade relevante.
“Como falar, então, em um mundo sem cultura numa época em que naves construídas pelo homem chegaram às estrelas e a percentagem de analfabetos é a mais baixa de todo o acontecer humano?”, questionou o conferencista, chamando a atenção para o fato de que o número de alfabetizados é quantitativo, enquanto a cultura é qualidade, não quantidade. Llosa também advertiu que é atual a capacidade de reunirmos armas de destruição massiva que podem acabar com o planeta, mas que isso está mais próximo da barbárie do que da cultura.
O especialista foi definido pelo escritor como um ser unidimensional que pode ser, ao mesmo tempo, um grande especialista e um inculto, porque seus conhecimentos, em vez de o conectarem com os outros, isola-o numa especialidade, que é uma cela no domínio do saber.
As minorias cultas, conforme Vargas Llosa, tinham a missão de estender pontes entre as áreas do saber e de exercer influência religiosa ou leiga para o progresso intelectual, garantindo melhores oportunidades e condições materiais de vida. “Elliot dizia que não se deve identificar cultura com conhecimento. A cultura dá sustento ao conhecimento e o precede, imprime-lhe uma funcionalidade precisa”, defendeu o Nobel de Literatura.
Artes e letras no processo da cultura, para ele, seria equivocado atribuir funções idênticas às letras, às ciências e às artes. A ciência avança aniquilando o velho, antiquado e obsoleto. Para ela, o passado é um cemitério, um mundo de coisas mortas e superadas pelas novas descobertas e invenções. As letras e as artes se renovam, mas não se fundamentam no progresso, não aniquilam seu passado, alimentam-se dele e o alimentam. “Cervantes segue sendo tão atual quanto Borges, Velázquez está tão vivo quanto Picasso”, exemplificou o escritor.
Isso não quer dizer que a literatura, a música e a arte não mudem e evoluam, mas não suprimem nem superam. A obra artística e literária, aquela que alcança certo grau de excelência, não morre com o tempo – segue vivendo e enriquecendo as novas gerações e evoluindo. É por isso que criavam um espaço de comunicação entre seres humanos de diversas gerações. “Letras e artes constituíram o denominador comum da cultura”, disse o escritor.
No campo da cultura, Mario Vargas Llosa confessou preocupação particular com a educação. Atualmente, nas escolas, docentes ou quaisquer outras formas de autoridade parecem ter convertido os colégios em instituições caóticas e com concentração de precoces delinquentes. Para o autor, Maio de 68 não acabou com a autoridade, que já vinha sofrendo um enfraquecimento generalizado em todas as ordens, do político ao cultural. “Os adolescentes provindos das classes burguesas privilegiadas da França, que protagonizaram aquele divertido carnaval, que proclamou ‘É proibido proibir’, estenderam ao conceito de autoridade seu atestado de óbito”, disse o conferencista. Para ele, isso teria dado legitimidade e glamour à ideia de que toda autoridade é suspeita, perniciosa e detestável e que o mais nobre e libertário é desconhecê-la e destruí-la. “O poder não se viu nem um pouco afetado com essa audácia dos jovens rebeldes que, sem saber, levaram às barricadas os ideais iconoclastas de pensadores como Michel Foucault e Jacques Derrida. A autoridade no sentido romano, não de poder, senão de prestígio e crédito, que reconhece a uma pessoa ou instituição por sua qualidade ou competência, não voltou a reviver”, lamentou o escritor, lembrando que são poucas as figuras que exercem esse papel do exemplo moral e, ao mesmo tempo, da autoridade clássica.
Mario Vargas Llosa encerrou sua conferência defendendo que um bom livro nos aproxima da existência humana e de seus mistérios. “Os livros ajudam a viver. A cultura pode ser experimento de reflexão, pensamento e sonho, paixão e poesia. É uma revisão crítica constante e profunda de todas as certezas, convicções, teorias e crenças”, concluiu o convidado.

domingo, 3 de abril de 2011


Paul Gauguin

A perfomace da mente através do corpo

Herasmo Braga
Recentemente tivemos a perda do escritor Moacir Sclyar. Além de já ter produzido diversas obras significativas, ao nosso ver, ele teria muito mais a contribuir. Sua perda sentida no meio intelectual nos fez refletir numa relação meio inversamente proporcional entre o corpo e a mente na sociedade moderna.
Não é de hoje que muitos intelectuais secundarizam a proteção e os cuidados com o corpo. Associam o olhar para o aspecto físico como algo alienante, superfulo. Todavia, se observarmos a imagem que nos chegaram de grandes pensadores da grécia antiga veremos em Socrátes, Platão e Aristóteles sujeitos não só de mentes brilhantes, mas corpos de perfomace atléticas. Interpretamos com essas imagens que o cuidado devir com o corpo faz-se necessário para o desempenho melhor das atividades intelectivas.
Se observamos em meio a nosso nicho intelectual seja ele academico ou não perceberemos que poucos são os radiadores de ideias que não sejam obesos.
Em meio a tantas atribuições do cotidiano nos perdemos entre no que é preciso e necessário do poderia ficar para depois. Exemplo desse tipo são os hábitos do consumo. Poucas vezes deixamos para depois a compra de um produto, todavia se procurarmos atitudes do melhor viver ou adiamos, ou limitamos. Se estamos com problemas emocionais que nada que um processo de amadurecimento fruto da experiências da vida não resolva optamos por comprar materiais de auto-ajuda acreditando encontrar nestes textos as respostas para os nossos dilemas. Se precisamos emagrecer em vez de nos darmos com a pressão de reconstituir novos hábitos alimetares procuramos a solução em medicamentos milagrosos e nocivos a saúde. Assim vamos caminhando para atitudes que venham a comprometer nosso processo de aprendizagem e de contribuição em nosso meio limitando ou interropendo processos.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O desafio de ser pós-moderno na antessala


Herasmo Braga
Se há algo que esteja tão presente nas prateleiras de livrarias, nas rodas de conversas, nas conferências, tanto quanto os livros de receitas de auto-ajuda são as obras que discutem a modernidade ou mais precisamente a pós-modernidade. Há inúmeros autores que se debruçam sobre essa discussão em todo o mundo, principalmente nos países periféricos. Afirmações do tipo eu sou moderno, ou anti-moderno, ou pós-moderno são constantes. As relações intelectuais e até mesmo afetivas parecem ser conduzidas interpretativamente por estes vetores.
Esse tema, bastante explorado – e não é de hoje – já se encontra de maneira gasta. Entre os elos das inúmeras discussões destacamos os seus muitos dizeres pouco ou nada fundamentados. Temas como fragmentação, discurso, identidade, subjetividade são marcas constantes nestas produções com um toque sempre supervalorizativo de ares da mais recente novidade.
Todavia, aqueles que atentarem minimamente de maneira reflexiva, perceberão que, dentro das construções, criações e realizações humanas a fragmentação, a pluri-linguagem, a subjetividade, as multi-identidades estiveram sempre permeando as ações interpretativas e produtivas do homem. Portanto, tratar desses aspectos como fenômenos sociais recentes, marcas divisórias da história da humanidade e fator decisivo de uma condição pós-moderna, constitui, a nosso ver, um mero trabalho de marketing dos intérpretes sociais de hoje. Não queremos com estas afirmações negar ou diminuir a importância das mudanças aceleradas que vêm acontecendo nos últimos 90 anos. Há, sim, inúmeras questões que têm se apresentado e mudado a rota de diversos indivíduos constantemente. E dentro destas mudanças destacamos: o distanciamento dos aspectos tradicionais, a banalização das referências, a descrença no conjunto, a diminuição das possibilidades de caminhos, a esclerose das ideias, a consolidação dos discursos vazios e o domínio pleno da mercadoria.
Grandes autores com grandes ideias têm perdido espaço e importância para outros que conseguem adequar melhor os seus discursos aos momentos fantasiosos dos dias de hoje. Leitores e provedores da necessidade de se estar sempre em contato com a tradição têm sido cada vez menos conhecidos e reconhecidos pela massa mais jovem. Indivíduos do porte de Harold Blomm, Beatriz Sarlo, Marshall Berman, Antônio Cândido, Luiz Costa Lima, Fernando Novais, Sérgio Paulo Rouanet, Raymmond Williams entre outros são cada vez menos presentes nas prateleiras das livrarias e nas estantes de livros dos estudantes. Parece-nos que uma das características da moda pós-modernidade é deixar de lado a tradição e se debruçar apenas no topo da pirâmide do pensamento humano. Não que esse topo reflita o melhor momento da história do pensamento, o essencial, mas apenas reflete o limitado mundo receituário do ser pós-moderno.
Reconhecemos que esse momento que nos tem levado a criar esse ostracismo para a tradição cultural e intelectual humana não brotou do acaso nem ocorreu impulsionadamente. Ele foi devidamente preparado para o seu devir histórico. Utilizando-se para isto somente observações da realidade e da junção de ideias, como por exemplo, a ideia da morte de Deus, o fim da autoridade do pai, o discurso de se extinguir valores que, segundo alguns autores dos estudos culturais de hoje, foram formados por um sujeito homem, branco, heterossexual, burguês, católico, machista e europeu. Soma-se a isso a valorização do inconsciente e algumas correntes do movimento feminista em que se objetivou tirar o homem do centro e se colocar uma mulher no seu lugar, todas essas linhas de pensamento provocaram a total descrença na tradição e nos seus valores.
Com todas essas ações não só a tradição se fragilizou, mas o homem também. Como produto disso, iniciou-se então um processo de desraizamento, da perda das referências, do desamparo e que tem como sintomas esse vasto campo vazio de ideias, posicionamentos e crítica.
Assim “suar a camisa” para ler e refletir sobre autores do porte de Marcel Proust, Joyce, Guimarães Rosa não constitui uma atividade agradável ou mesmo necessária para um sujeito pós-moderno. Realizar leituras resumidas disponíveis na internet para ter um ar de intelectualidade no meio social é bem mais valorativo e necessário. Além disso, como afirma em alguns momentos Pierre Bayard na obra Como falar dos livros que não lemos? É melhor se desenvolver uma performance teatral de profundo conhecedor de um vasto campo de obras e autores diante dos outros sujeitos pós-modernos do que se limitar na leitura real de poucas produções. Devemos assim, obrigatoriamente, situarmos sobre elas. Essa é uma situação típica da pós-modernidade.
Não queremos ser maniqueístas com a modernidade e pós-modernidade, mas sim, promover discussões que nos sirvam de reflexões e referências para a nossa constituição social e intelectual.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Conversa entre amigos: Poesia (I)


Herasmo Braga
Receber amigos é algo que agrada qualquer individuo. Seja para uma simples visita, confraternização ou mesmo em certos momentos delicados da vida. Tão importante e prazeroso quanto a sua chegada são as conversas. Atualizar questões, debater assuntos dos mais diversos é um exercício não só de convivência, mas também de inteligência.
Em uma destas visitas eis que surge a pergunta o que é poesia? Todos nós tentamos das mais variadas formas sustentar uma resposta completa e didática, no entanto, diante do olhar de não entendimento, desisitimos. A poesia não só é algo complexo para se produzir, interpretar, mas também conceituar. No desenvolver das nossas conversas o tema poético foi sendo desenvolvido e aprofundado.
Entre os temas poéticos destacado foi sobre a primeira geração de literatos no Piauí. Todos reconheceram a grandiosidade desta primeira geração de intelectuais piauienses, surgida no final do século XIX e início do século XX. Nomes como Clodoaldo Freitas, Hignio Cunha, Abdias Neves, Lucídio Freitas, Da Costa e Silva são nomes marcantes não só nas nossas letras como também grandes formentadores culturais da província naquele momento. Esta geração marcou não só o surgimento de uma valiosa geração de intelectuais, como também, a mais bela e profunda geração de intelectuais até os nossos dias. Eles souberam como poucos dialogar a tradição com o momento presente. Realizaram leituras verticalizadas sobre uma gama dos mais refinados mestre das artes e não deixaram a desejar nada em relação as outras geradas nos mais diversos estados brasileiros. Todavia, mediante a um processo natural ocorreu a substituição dela.
Assim, nos anos vindoros deste processo analisamos hoje que o brilhantismo de antes não se sustentou. Poucos se destacaram como por exemplo, após quase 50 anos, tivemos dois individuos de grande potencial que em muito se assemelhavam na seriedade e no talento intelectual e cultural a grande geração primeira. As notáveis figuras surgidas nesse momento foram: H.Dobal e O.G. Rego de Carvalho.
Mas, os anos se passaram e a formação de um grupo tão qualificado como os primeiros não se firmava. Não surgiram, portanto, tão grandes nomes ou grandes obras nem dentro e nem fora da Academia Piauiense de Letras. O que ocorria nesta momento como até os dias presentes foram e são brigas de egos através de produções literárias de qualidades irregulares e teorização ou diálogo com os clássicos feitas superficialmente.
Advertimos, no entanto, que não pretendemos com estas questões ser reducionistas, mas apenas promover o debater em um texto curto - de maneira responsável - algumas observações sobre a produção literária em um primeiro momento do gênero poético no Piauí, em especial em Teresina nos ultimos anos .
Dentro das mais recentes produções podemos desenvolver de maneria didática duas matrizes. A primeira situamos em um fazer poético muito mais associado a uma interpretação não bem desenvolvida dos clássicos. Observamos que a partir dessas construções tivemos a elaboração de poemas com sentidos e procedimentos poéticos deficientes. Claro que no meio deste celeiro podemos encontrar algumas raras agulhas, mas no geral há muito mais feno.
Se de um lado tinhamos os interpretes deficientes que confundiam produção poética com interpretação apressada dos clássicos, ou mais especificamente, reconstrução deficitárias dos poemas; por outro tivemos a construção de poemas planfetários. Esses poemas ganharam força e projeção durante um forte período histórico de repressão e censura. Após esse momento histórico por carência nossa, tornaram-se mitos e foram cultuados pelo saudosismo de plantão do tempo presente. E hoje estas produções e, outras mais recentes, estão sob a égide dos teóricos da academia universitária, estão cobertos diante de uma linha denominada Estudos Culturais. Portanto, outros poetas ganharam projeção ao valorizar seguimentos sociais marginalizados. Enfatizamos que não causa neles nenhum mal estar devido a esse apadrinhamento de outras fontes para ganhar credibilidade e representação estética.
Essas duas matrizes continuam a (re)produzir efeitos e defeitos. Vários são os apressados em nossas terras que se lançam a produzir poemas de baixo valor estético. Criam grupos, denominações, maneiras de divulgar seus trabalhos das formas mais formais ou bizarras possíveis.
Asseguro aos que se dedicarem a leitura deste pequeno comentário, que para construir este texto, com essas observações; não fomos levianos ou todo impressionista para fazê-lo. Lemos sim poemas, mas não muitos. Não foi por falta de material, mas falta de ânimo em mergulhar em tanto feno. Pretendemos assim, como já destacado anteriormente, promover o debate e não cair tão somente nos discursos vazios, perdendo assim, tempo ouvindo reclamações dos que se sentirem ofendidos pessoalmente, já que infelizmente no nosso Brasil nos parece que criticar um texto de alguém é estar a se criticar pessoas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Não são coisas do futebol

Herasmo Braga

Nos últimos anos tivemos vários motivos para comemorações. Entre os momentos de glória temos a tão sonhada estabilidade economica, os maiores períodos democraticos da nossa história - sem sobressaltos, a constituição com mais tempo de vigência e a possibilidade de sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo de Futebol 2014 e as Olimpíadas em 2016. Reconhecemos que todo esses méritos não incidem por obras do acaso. Sem uma visão um tanto ufanista, vieram já até meio tarde. Assim, motivos de alegria são o que não nos falta, todavia o que nos tem assustado um pouco são as permanencias dos péssimos hábitos que entre os países bem melhor organizados já aboliram há tempo. São estas atitudes que aqui questionamos, pois são frutos de um autoritarismo ultrapassado que só evidência a falta de sereniedade e seriedade nas articulações por demais demodé por parte de setores que se apropriam de coisas alheias com se fossem propriedade sua. É a nossa tradicional mistura histórica do público e do privado destacados nas análises dos historiador José Murilo de Carvalho e do antropólogo Roberto D´mata.
Acompanhar o futebol brasileiro na sua organização interna e na preparação de uma Copa do Mundo nos envergonha. Como aconteceu na história recente do nosso país - na organização de um evento esportivo de menor porte quando comparado com a Copa do Mundo e as Olimpíadas - que muitos esperam mais uma vez o uso indevido do dinheiro público para custear seus bens privados. O presidente da CBF é um exemplo. Este sujeito assumiu o posto de presidente da conferderação do futebol brasileiro há quase três décadas. Em suas ações percebemos que ele não mede esforços para atuar de maneira rasteira quando tem seus interesses contrariados. Exemplos desses tipos de atuações temos diversos. Entre as suas ações inoportunas podemos destacar a organização da comissão responsável pela organização da Copa do Mundo. Membros não só de confiança, mas de estreitas relações familiares estão cirurgicamente distribuídos em cargos estratégicos. Mas como se só esse mal não bastasse, o vitalício presidente da CBF meteu-se na eleição de uma entidade representativa dos clubes de futebol. Ele tentou impor a caditadura de um sujeito que já teve o seu atestado de idoneidade comprovado no futebol brasileiro ao quase levar a falência de um clube de maior torcida do Brasil através de diversos casos de incopetência administrativa somada aos inúmeros escândalos de corrupção passiva e ativa. Diante de tamanha autoritarismo inúmeros clubes se rebelaram e não aceitaram tamanho desmando e quem comandou o levante teve as suas merecidas represálias.
O caso mais conhecido foi a exclusão do estádio do Morumbi como sede de jogos na Copa do Mundo. Juvenal Junventus bateu o pé e não aceitou Kleber Leite como presidente do clube dos 13 e lutou para a reeleição do já também ultrapassado Fábio Koff, que representava naquele momento um mal menor do quer Kleber Leite a frente da instituição. Os mais otimistas ou ingênuos diriam: o Internacional também votou contra Kleber Leite e não teve o estádio Beira Rio excluído. Boa observação essa, mas incompleta. A voz que de fato se levantou contra essa tentativa de manipulação e falência do clube dos 13, promovendo articulações para a não vitória do candidato de Ricardo Teixeira foi o presidente do São Paulo. O Inter apenas cumpriu o seu papel de votar, talvez por isso a sua punição seja menor ou virá apenas no futuro.
Ao São Paulo Futebol Clube cabe agora assistir os demandos e autoritarismo do Ricardo Teixeira e seus comparsas que entre eles o maior ou mais privilegiado pela sua dedicação servil seja André Sanches, presidente do Corinthias. Enquanto todos os estágios tiveram vistorias rigorosas e planejamentos refeitos, o novo estádio do Corinthias, se é que se tornará realidade, já nasceu pronto e aprovado por telepatia para promover a abertura da Copa do Mundo. O detalhe disso fica por conta que ninguém viu ou conhece o projeto. Isso sim, é fazer valer não de credibilidade como afirma André Sanches, mas de oportunismo e mimo de pessoas despreparadas, desprovidas de caráter e que conduzem instituições importantes.
Um outro dado interessante nesta orquestração são os custos e quem vai bancá-los. A construção de um novo estádio custará bem menos do que as reformas em outros existentes como por exemplo: o Maracanã que custará 720 milhões de reais, o Mineirão 666 milhões de reais, o estádio de Brasília 696 milhões de reais. Detalhe todos são reformas, enquanto do Corinthias que é a construção de um novo e moderno estádio terá custo menos da metade deles. Essa comparação é de se estranhar no mínimo.
Sei que muitos ao lerem esse texto podem pensar: trata-se de algum são paulino rancoroso. Realmente quem escreve é um torcedor do tricolar paulista, só não rancoroso. Também um cidadão que, acima de tudo; condena atitudes inadequadas para melhor viver. Condena o seu clube não só por contratações mal sucedidas, mas por uma elitização de torcedores que não condiz com a realidade do nosso país. Condena um clube que falta aos seus dirigentes mais humildade e pés no chão. Condena o seu clube que deveria abrir mais as portas para a sua torcida principalmente aqueles que vem de longe e tentam conhecer o CT da Barra Funda e se deparam com seguranças nada educados que cuprem ordem de não permitirem a entrada de ninguém sob nenhuma condição. Condena o clube que deveria pedir desculpas quando errasse e não atribuisse somente falta de sorte. E que espera dias melhores...
Esperamos também a Copa do Mundo e que ela sirva de motivação para a democratização e organização do futebol brasileiro. Sirva para banir pessoas que pensam de maneira diferente do que o povo brasileiro almeja. Torcemos para o sucesso brasileiro dentro e fora de campo sem a farra de dinheiro público. Aguardamos que esse evento traga beneficios ao nosso país e que nos eleve ainda mais a nossa alta estima.